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Língua Afiada

Combustível? Café

Nos últimos dias tenho ultrapassado a minha dose de café recomendada, tem sido a única forma de espevitar a mente o suficiente para conseguir dar conta do trabalho.

Na quarta-feira tive uma reunião de trabalho após o jantar, tive mesmo que tomar um café para conseguir articular as ideias de modo a expor convenientemente a minha opinião.

Ontem a seguir ao almoço tomei praticamente dois cafés seguidos, tal era o estado letárgico do meu cérebro, precisava da mente desperta e não conseguia concentrar-me.

Em outras ocasiões iria recorrer a snacks, possivelmente chocolate, mastigar também acorda, mas como meti na cabeça que esta dieta é para cumprir não quero ceder a tentações.

Hoje estou em modo zombie, não imaginam a dificuldade que estou a ter para escrever este texto, mas precisava de começar a exercitar a mente e digamos que é melhor cometer gafes no blog do que em textos importantes.

Acho que vou tomar mais um café.

Viver no campo não é só flores

Quando pensamos no campo, pensamos nos jardins floridos, nos campos verdejantes, nos riachos de água cristalina.

É maravilhoso acordar com o chilrear dos pássaros, é encantador receber as andorinhas na Primavera, é um deleite sentir o aroma das fresas e da lavanda e o cheiro a terra quente acabada de regar.

É um privilégio ter um jardim onde habitam borboletas e joaninhas, onde há uma família residente de ouriços-cacheiros, ter árvores onde se constroem ninhos de melros e pardais e receber a visita de gaios, bicos-de-lacre e pintassilgos.

É um bálsamo ouvir nas noites quentes de verão grilos e reza-rezas em rituais de acasalamento enquanto admiramos a luzes mágicas dos pirilampos que rivalizam com o céu estrelado.

Nada é mais gratificante do que colher frutos das árvores e legumes da terra, não há sabor igual ao do que é cultivado no quintal de casa.

Não há nada mais calmante que um infinito campo de erva verde pintalgado de malmequeres e papoilas, ou sensação maior de liberdade que atravessa-lo a correr e deixar-se cair numa cama de erva fofa.

Esta é a ideia romântica que temos do campo e é por tudo isto que adoro viver junto à cidade, mas no campo.

 

Mas há todo um lado desconhecido e atroz no campo.

 

Os ninhos de vespas à espreita em qualquer canto, onde aguarda um exército sempre pronto a devorar-nos.

As nuvens de insetos minúsculos que teimam em entrar-nos pela boca e pelo nariz.

Os caracóis e as lesmas que compensam a sua lentidão em astúcia, aparecendo à socapa pela calada da noite devorando tudo o que encontram, não há erva aromática que lhe sobreviva, porque não comem ervas daninhas, gostam de folhas tenras e saborosas.

As centopeias que escalam paredes e se esgueiram por qualquer frincha dando-me pesadelos com as suas infinitas patas imundas.

As melgas que se escondem na sombra durante o dia e de noite se transformam em vampiros famintos de sangue.

As aranhas e aranhões que teimam em fazer ninhos nos locais mais inusitados colonizando a casa inteira, aparecendo aranhas minúsculas em todos os cantos e esquinas.

Os bichos da humidade, cinzentos e nojentos que se enrolam em bolas que inexplicavelmente entram em casa e se reproduzem à velocidade de cogumelos.

É vê-los fazer do WC uma incubadora onde milagrosamente se mata um e aparecem três de seguida, talvez para velarem o irmão moribundo.

São uma praga, uma praga que não se quer ir embora e quanto mais mato, mais aparecem, cortesia da Primavera.

Viver no campo é fantástico até estarmos a braços com uma praga, quando isso acontece só penso que se era para viver na selva, melhor seria que fosse de betão.

 

No Sul não gostamos só de mulheres

Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo, em entrevista afirmou:

 

"Como social-democrata, considero a solidariedade um valor extremamente importante. Mas também temos obrigações. Não se pode gastar todo o dinheiro em mulheres e álcool e, depois, pedir ajuda".

 

Referindo-se aos países do Sul da Europa, onde se inclui Portugal, apontado as mulheres e o álcool como motivos para as suas crises financeiras.

 

Em primeiro lugar, deixe-me dizer-lhe que em Portugal, e nos outros países do sul, nem toda a gente gosta de mulheres, eu por exemplo gosto de homens, eu e a grande maioria das mulheres portugueses, garanto-lhe que não gastamos um euro (tostão) em mulheres, esclarecido este ponto, vamos ao que interessa.

 

O que Jeroen Dijsselbloem tem é uma valente dor de cotovelo, não das nossas mulheres e do nosso bom vinho, também terá disso, mas do nosso povo, da nossa cultura, da nossa força.

Tem inveja da forma como fomos denegridos, rebaixados, diminuídos pelos países do norte da Europa, e que sob políticas de austeridade nunca vistas, debaixo do escrutínio do mundo, onde todos nos acusavam de despesismo, soubemos manter a cabeça erguida e, resilientes, encontramos força e coragem para continuar.

Sim, somos um povo de contrastes, temos a saudade entranhada na pele, na carne, nos ossos, na alma que nos dá melancolia, mas também temos o sol, o mar, o calor e o amor que nos aquece o coração.

Somos um povo temperado, tal como nosso clima, se é triste que nos contentemos com o que muitos acham pouco, é também um dom saber ser feliz com o que a vida nos dá.

 

É muito baixo, talvez seja por ter nascido num país baixo, aposto que não gosta destes trocadilhos, referir-se a um conjunto de países e acima de tudo de pessoas dessa forma pacóvia e brejeira, se foi uma tentativa de humor, deixe-o para os comediantes, que aos políticos exige-se seriedade e responsabilidade.

 

Pensa que por ser uma entrevista a sair ao domingo já pode usar um tom manhoso e descontraído? Não, não pode.

Não pode falar dos outros nesse tom arrogante, tolo e pacóvio e depois pedir que não o levem a mal.

 

 

 

Já os portugueses podem recorrer ao humor de dar-lhe presentes como este.

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