Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Língua Afiada

Coisas que adoro no Verão #4

 

Euforia!

A sensação que temos de aproveitar todos os momentos, a necessidade de fazer planos, o entusiasmo desses planos, a boa disposição geral que predispõe as pessoas a fazerem 30km só para ver o pôr-do-sol durante 10m.

O Verão, melhor dizendo o calor, contagia e dá-nos uma energia extra, se nos dias mais frios temos vontade de ficar no aconchego do lar, o calor pede outro tipo de atividades.

Estou convencida que vivemos mais em 3 meses do que no resto do ano, então no Inverno é triste ver a apatia que se abate sobre a maioria das pessoas.

O Verão é sinónimo de festa, férias, fins-de-semanas prolongados, passeios, praia tudo coisas maravilhosas que nos entusiasmam.

“Casas perfeitas para fazer uma escapadinha discreta com a sua amante” WTF?

Não, não é o título de um romance de cordel, é o título de uma notícia.

A NiT que por acaso é uma publicação que sigo e que costumo ler com regularidade, estava a ficar com falta de títulos chamativos e resolveu dar este a uma lista de locais recônditos onde passar uma noite romântica.

Locais à parte, que são lindos e merecem uma visita, o título da notícia e o texto são desconcertantes.

 

Na última vez que me informei adultério é crime e para além de ser crime não é um comportamento aceitável socialmente, ou não deveria ser, especialmente nos casos onde a pessoa traída não sabe que o é, o exemplo dado na notícia.

 

“Este texto foi pensado para os leitores que passam muitas noites fora de casa sob o pretexto de que têm viagens de negócios super importantes. Não temos nada a ver com isso e nem sequer vamos entrar num debate moral sobre isso. Até porque pode muito bem ser verdade. Vamos limitar-nos a dar soluções para o caso de estar entediado — da vida, do emprego, do que o rodeia — e precisar de um sítio escondido onde ninguém o consegue encontrar.”

 

O texto está tão carregado de estereótipos, preconceitos e ideias preconcebidas, que só faltava mesmo descrever o marido como galã, a esposa como totó e a amante como sexy.

Para além do teor sexista e machista como só os homens tivessem direito a uma escapadinha do tédio da vida, há ainda uma caraterização do sexo masculino que traí, homem de negócios, com uma vida preenchida, supostamente com monotonia em casa e com predisposição para trair.

 

Depois de ler as observações aos locais sugeridos ainda fiquei ainda mais abismada, atentem nas preciosidades:

“Pronto, não precisa de dois quartos, mas o que interessa mesmo é aquele que fica no último piso, em open space.”

“Não se preocupe, estão suficientemente longe uma das outras.” Referindo-se a existirem várias casas.

“(caso se sinta suficientemente seguro para dar uma voltinha)” referindo-se a atividades disponíveis nas imediações.

“dois quartos — quando ficar farto de um, já sabe que tem o outro. É que isto de estar sempre dentro de casa também cansa.”

 

Bem sei que sugestões destas não fazem ninguém trair, a predisposição para isso já tem de existir, no limite pode ser a último incentivo para isso, mas este tipo de notícias dá legitimidade ao comportamento, é uma espécie de bênção pública, a autora escusa-se de julgamentos morais, mas ao fazer esta notícia já o faz, faz parecer um comportamento normal, aceitável e esperado, que só por isso seria mau, mas ela confere-lhe ainda o toque machista para ficar ainda pior.

Esta notícia faz lembrar as publicações dos anos dourados, quando as mulheres liam revistas de boas maneiras e as revistas de negócios estavam reservadas aos homens que dedicavam mais tempo às secretárias do que às esposas.

A tudo isto ainda acresce o estigma que uma noite a sós num local edílico está reservada para a amante como se um casal de esposos ou de namorados não pudesse querer esconder-se do mundo e ter uma noite de amor.

 

A esta altura não esperava que uma mulher escrevesse um texto destes, é demasiado mau.

Não, não é falta de sentido de humor, porque o texto não é humorístico, nem sequer tenta ser engraçado, é mesmo só totalmente descabido.

Coisas que adoro no Verão #3

piquenique1.jpg

 

Piqueniques.

 

Existe coisa mais romântica que um piquenique a dois?

Já estou a imaginar o cenário perfeito, a toalha de xadrez estendida à sombra de uma árvore, a garrafa de vinho ou de champanhe, as frutas partilhadas, o bolo caseiro, todos aqueles salgadinhos saborosos, silêncio apenas interrompido pelos pássaros e pelo som da água corrente do riacho.

 

Haverá coisa mais divertida do que um piquenique com toda a família ou um grupo de amigos?

Muita gente, muita comida, muita bebida, longas conversas de circunstância, recordar peripécias antigas, contar umas contas piadas, rirmo-nos e zangarmo-nos com os jogos de cartas, pregar uma partida, fazer poses ridículas para as fotos, partir ou estragar alguma coisa de uma forma que não lembra ao diabo.

Um dia de histórias que fica para a história.

 

Por mim faria piqueniques todos os fins-de-semana de preferência à beira rio para juntarmos um banho a todas as outras coisas maravilhosas.

Muitos dos dias mais felizes da minha vida foram passados neste contexto, memórias boas que guardarei para sempre.

Espero ainda acrescentar muitas mais às que tenho.

Pág. 1/13