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Língua Afiada

É preciso mais coragem para ir ou para ficar?

De um lado o sonho, do outro a realidade.

De um lado o desconhecido, do outro os factos.

De um lado a ilusão, do outro a consciência.

Ficar com o que conhecemos ou partir à descoberta do desconhecido?

Ter a coragem de recomeçar de novo…

Ou ter coragem de ficar e reinventar a realidade?

Entregar a saudade à adrenalina ou despedaçar o desânimo pela proximidade?

Dar uma oportunidade à sorte ou mudar a sorte à sorte dos dias?

É preciso coragem para ir.

É preciso coragem para ficar.

Aconteça o que acontecer podemos sempre voltar.

Aconteça o que acontecer podemos sempre partir.

Não são mais corajosos os que partem, não são mais corajosos os que ficam.

São corajosos todos os que cá ou lá lutam pela vida.

Nem todos os que partem são aventureiros, nem todos os que ficam são comodistas.

Não há vencedores, não há derrotados.

Não há heróis, não há vilões.

Há os que escolhem ir, há os que escolhem ficar.

É preciso coragem para ir.

É preciso coragem para ficar.

Portugal e o Mundo – A culpa é das Vaxxnas

O Governo quer-nos fazer acreditar que a dívida portuguesa diminui quanto efetivamente está a aumentar, entendo que os números se tenham de apresentar em percentagem do PIB, mas uma contextualização seria adequada.

O que irá acontecer quando as dívidas se tornarem incobráveis? O passado recente já tem a fórmula, o povo pagará.

Mas o otimismo faz bem, as pessoas andam felizes, vamos deixa-las felizes que estamos em campanha eleitoral e depois logo se verá.

 

O PCP condenou o Governo por não reconhecer a Assembleia Nacional Constituinte da Venezuela.

É uma "atitude de respeito pela soberania da Venezuela e da sua ordem constitucional e não a contribuição para alimentar atos de ingerência que, indisfarçadamente a administração norte-americana e a própria União Europeia prosseguem", que ajudará a "assegurar a normalização da situação" no país, lê-se no comunicado.

Este é o problema dos partidos nos extremos a incapacidade de uma leitura isenta da realidade, para o PCP parece valer tudo para que um regime da sua ideologia não caia, mesmo quando esse regime não cumpra minimamente os preceitos da ideologia e que ameace constantemente a democracia.

 

Portugal foi assolado por mais uma tragédia, duas mortes por via de uma aterragem forçada na praia, não consigo sequer imaginar a dor e o desespero das famílias das vítimas, especialmente da menina de oito anos, uma dor pela qual nenhum pai deveria passar.

Os portugueses são rápidos a julgar, primeiro alvo da fúria - o piloto, segundo alvo da fúria? O pai da menina.

Gostava muito de ser como estas pessoas que se conhecem tao bem que até sabem como iriam reagir numa situação similar, mais do que saberem como reagiriam ainda têm autoridade para dizer como os outros se devem sentir e exprimir.

Devem ser um poço de sapiência e tranquilidade estas pessoas que sabem sempre o que fazer e o que dizer, mas Deus nos livre de ouvirem a palavra vagina, saltam-lhe os olhos e desatam a escrever disparates nas redes sociais, a culpa não é delas é da vagina.

 

E analisando bem as culpadas disto tudo são as vaginas*, não irei elaborar, mas pensem em Sigmund Freud e já terão uma ideia.

 

*Vaginas não é sinónimo de mulheres, só para esclarecer.

“Casas perfeitas para fazer uma escapadinha discreta com a sua amante” WTF?

Não, não é o título de um romance de cordel, é o título de uma notícia.

A NiT que por acaso é uma publicação que sigo e que costumo ler com regularidade, estava a ficar com falta de títulos chamativos e resolveu dar este a uma lista de locais recônditos onde passar uma noite romântica.

Locais à parte, que são lindos e merecem uma visita, o título da notícia e o texto são desconcertantes.

 

Na última vez que me informei adultério é crime e para além de ser crime não é um comportamento aceitável socialmente, ou não deveria ser, especialmente nos casos onde a pessoa traída não sabe que o é, o exemplo dado na notícia.

 

“Este texto foi pensado para os leitores que passam muitas noites fora de casa sob o pretexto de que têm viagens de negócios super importantes. Não temos nada a ver com isso e nem sequer vamos entrar num debate moral sobre isso. Até porque pode muito bem ser verdade. Vamos limitar-nos a dar soluções para o caso de estar entediado — da vida, do emprego, do que o rodeia — e precisar de um sítio escondido onde ninguém o consegue encontrar.”

 

O texto está tão carregado de estereótipos, preconceitos e ideias preconcebidas, que só faltava mesmo descrever o marido como galã, a esposa como totó e a amante como sexy.

Para além do teor sexista e machista como só os homens tivessem direito a uma escapadinha do tédio da vida, há ainda uma caraterização do sexo masculino que traí, homem de negócios, com uma vida preenchida, supostamente com monotonia em casa e com predisposição para trair.

 

Depois de ler as observações aos locais sugeridos ainda fiquei ainda mais abismada, atentem nas preciosidades:

“Pronto, não precisa de dois quartos, mas o que interessa mesmo é aquele que fica no último piso, em open space.”

“Não se preocupe, estão suficientemente longe uma das outras.” Referindo-se a existirem várias casas.

“(caso se sinta suficientemente seguro para dar uma voltinha)” referindo-se a atividades disponíveis nas imediações.

“dois quartos — quando ficar farto de um, já sabe que tem o outro. É que isto de estar sempre dentro de casa também cansa.”

 

Bem sei que sugestões destas não fazem ninguém trair, a predisposição para isso já tem de existir, no limite pode ser a último incentivo para isso, mas este tipo de notícias dá legitimidade ao comportamento, é uma espécie de bênção pública, a autora escusa-se de julgamentos morais, mas ao fazer esta notícia já o faz, faz parecer um comportamento normal, aceitável e esperado, que só por isso seria mau, mas ela confere-lhe ainda o toque machista para ficar ainda pior.

Esta notícia faz lembrar as publicações dos anos dourados, quando as mulheres liam revistas de boas maneiras e as revistas de negócios estavam reservadas aos homens que dedicavam mais tempo às secretárias do que às esposas.

A tudo isto ainda acresce o estigma que uma noite a sós num local edílico está reservada para a amante como se um casal de esposos ou de namorados não pudesse querer esconder-se do mundo e ter uma noite de amor.

 

A esta altura não esperava que uma mulher escrevesse um texto destes, é demasiado mau.

Não, não é falta de sentido de humor, porque o texto não é humorístico, nem sequer tenta ser engraçado, é mesmo só totalmente descabido.