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Língua Afiada

Estou rodeada de pessoas que me enervam

É esta a conclusão que chego, é claro que depois o nível de stress escala, é impossível ignorar, ultrapassar e assimilar tanta coisa que me enerva, tantas atitudes descabidas e incompreensíveis.

A lista de atitudes inexplicáveis é extensa e só pode ser explanada pelos dias agitados que vivemos acrescidos pela falta de bom senso e nos casos mais sérios por maldade e estupidez.

A falta de coerência é a atitude que mais me corrói, porque é impossível saber o que esperar, com o que contar, lidar com o inesperado quando as premissas são as mesmas é frustrante porque supostamente se a pessoa é a mesma, se os dados da equação são os mesmos o resulto final deveria ser o mesmo.

Fosse o comportamento das pessoas como um cálculo matemático e a vida seria bem mais simples, não sou fã de cálculos, mas antes cálculos com resultados certos do que atitudes e comportamentos incertos, aleatórios e imprevisíveis.

Como humanos somos imprevisíveis mas há alguns campos na nossa vida, como o profissional que não o podemos ser, há limites para imprevisibilidade ou caímos na anarquia.

 

A falta de capacidade de algumas pessoas perceberem e aceitarem as coisas como elas são desgasta-me, mas alguém acredita mesmo que algum dia vai conseguir que o mundo seja como deseja e sonha? Porque é que se passa a vida a reclamar, a indagar sobre coisas que são simplesmente como são, não vamos nunca estar todos na mesma página, os outros não vão concordar sempre connosco, não vão querer fazer as mesmas coisas que nós, nos mesmos horários, da mesma forma, é assim tão difícil ceder um bocadinho? É preciso estar sempre revoltado, a bater no ceguinho, a reclamar e a encher a paciência dos outros com a mesma conversa?

Revoltarmo-nos é bom mas apenas se for com coisas importantes e revelantes, revoltar só porque sim, só porque que alguém disse que não quando queríamos que dissesse sim não é querer fazer do mundo um lugar melhor, é infantilidade.

A autocomiseração que algumas pessoas têm também transcende-me, tanta piedade sentem por si mesmas e nem um pingo de consideração pelo sofrimento dos outros, egoísmo, narcisismo ou será necessidade de chamar a atenção, não entendo a necessidade de demonstrarem constantemente que estão piores do que todos os outros, quando claramente não estão.

 

Irresponsabilidade, incompetência, desleixo, uma coisa é ser descontraído outra é não levar nada a sério e não ter respeito nenhum pelos outros, uma coisa é ter dias em que não nos apetece trabalhar tanto, outra é pendurarmo-nos constantemente no trabalho dos outros, é triste.

Julgar pela sua bitola, algo típico das pessoas pouco honestas, capazes de atos impróprios julgam que também os outros são capazes das mesmas atitudes, achando que é normal que os outros tenham tido perante elas o mesmo comportamento que elas têm, imagine-se atacando quando elas são as primeiras a agirem mal, incapazes de reconhecerem o seu comportamento impróprio, ainda acusam os outros cheias de razão, psicopatas, não encontro outra explicação.

 

A incapacidade de reconhecer os limites dos outros, as pessoas são muitas vezes compelidas a levar situações e pessoas ao extremo, abusam da paciência, massacram até que alguém explode e claro quem explode é no fim de contas o culpado, mesmo que esteja apenas a dar o troco ao massacre constante, mas a culpa é de quem explode.

As pessoas incapazes de perceber que passaram o ponto de retorno e que quanto mais filosofam sobre um rumo que nas suas cabeças é um plano espetacular, um sonho, a verdade é que na realidade a cada palavra, a cada atitude se distanciam mais desse plano utópico, só elas é que não percebem isso.

As pessoas que dizem uma coisa, anunciam aos quatro ventos toda uma doutrina, conduta e depois fazem exatamente o oposto, esperando que os outros não notem ou não se importem e quando chamadas a atenção, a desculpa? Pasmem-se os que chamam à atenção também fazem, mesmo que seja em circunstâncias completamente diferentes, mas isso para elas é irrelevante.

Pessoas que nunca têm culpa de nada irritam-me, tão profundamente como aquelas que estão sempre a atribuir culpas aos outros, quase sempre são as mesmas, pois a culpa nunca é delas e às tantas é do mundo.

 

Não há pessoas espetaculares que nunca se chateiam com nada, isso não existe, existem sim pessoas mais calmas, mais práticas, diria até mais sábias que não se chateiam por uma palavra torta, mas que nunca mais vos dirigem uma palavra de conforto, distanciam-se e ignoram, mas as atitudes não são esquecidas, só porque não respondem não significa que sejam parvas.

Mil vezes pior quando uma pessoa deixa de responder, de se importar, de se enervar, de se impor, é sinal que esta prestes a sair de cena.

Neste momento é o que apetece fazer, mudar completamento o rumo da minha vida e deixar para trás todas as pessoas que me enervam. Bem sei que as enervo também, que ninguém é perfeito.

O meu erro? Deixar acumular, acumular, na esperança que um dia as coisas mudem, já deveria saber que as pessoas não mudam para melhor, tendem a mudar para pior, isso é certo.

Eu deixei de me importar tanto, refreei o ímpeto da resposta na ponta da língua e isso o que é que me garantiu? Sossego, paz, calma? Nada disso, apenas consegui ter um ataque de ansiedade, eu uma das pessoas mais descontraídas do mundo, consegui explodir internamente num pânico assustador.

Nunca mais, não gostam? Têm bom remédio afastem-se, paninhos quentes, palavras dóceis, sorrisos amarelos, respirar fundo, pensar antes de falar jamais, cada um receberá o que merece, perdi a paciência.

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