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Língua Afiada

Insólitos #1 – No trânsito

Viajar nas estradas portugueses é sempre um dilema entre a vontade de encostar o carro para gargalhar à vontade e entre o acelerar a fundo e levar tudo à frente, na maioria das vezes limitamo-nos a sorrir e a abanar a cabeça.

Ontem enquanto ia para casa vi algo insólito.

Alguém no veículo que circulava à minha frente ia a largar cartas de UNO de x em x tempo deixando um rasto de cartas na estrada.

Tentei perceber quem seria, o carro não transportava mais ninguém para além do condutor, ainda pensei que talvez tivesse o baralho pousado e que as cartas estivessem a voar com o vento, mas dada a cadência com que eram jogadas não poderia ser porque eram soltas uma a uma mais ou menos de 10 em 10 segundos.

Deixou um rasto de cartas de 2 km até sair do meu campo de visão.

Não consigo entender porque é que alguém faz uma coisa destas.

Será que queria que parássemos para apanhar as cartas? Seria algum tipo de jogo?

Não consigo entender as pessoas que jogam lixo pelas janelas do carro.

Acham que ele se vai evaporar só porque sai do seu campo de visão.

Acham que passará a ser problema dos outros só porque saiu da sua propriedade?

É desolador circular nas estradas e vê-las constantemente imundas com restos de comida, plásticos, cartões, embalagens, latas, fraldas (a coisa mais nojenta) nas bermas.

O que acontece depois?

Chove, os bueiros entopem, as estradas ficam alagadas.

Espero que nas próximas chuvadas os condutores que deitam lixo pela janela apanhem lençóis de água, façam uma aquaplanagem artística, apanhem um valente susto, parem em segurança e quando estiverem a pensar safei-me levem com uma fralda aberta suja com a necessidade n. 2 no para-brisa e sintam a necessidade n. 2 nas próprias calças.

Odeio pessoas porcas e mal-educadas.

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