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Língua Afiada

Jardim inacabado

Tenho imensa dificuldade em dar continuidade aos meus projetos pessoais, começo com muito entusiasmo e garra, mas com o tempo vou perdendo a paixão, a vontade esmorece e as coisas vão ficando por fazer.

Este é com certeza um dos meus piores defeitos, se tenho uma energia e uma dinâmica incríveis para iniciar projetos novos tenho na mesma proporção um desencanto natural por tudo o que começo, é só uma questão de tempo.

 

Ontem olhava para o alpendre do quarto e pensava precisamente nisto, comecei aquele cantinho com uma força incrível, perdi horas naquele espaço, para depois deixar tudo inacabado.

Comecei o que seria um refúgio para nós, um cantinho acolhedor para tomar pequenos-almoços e lanches, ler um livro, apreciar o por do sol, começou há dois anos, preparámos o chão, a base para a partir dali crescer um recanto edílico, ficou o chão preparado e nunca mais lhe toquei, no ano passado obriguei-me a ordenar o jardim, a limpar e a preparar os canteiros, mas nada foi plantado, mais uma vez o projeto ficou parado.

No final do verão comprei um conjunto de mesa e cadeiras de jardim e uma rede convencida que o meu amor pela rede me fizesse terminar o projeto, não fez.

Tenho praticamente todo o material para terminar o jardim, os panos brancos para o teto, os vasos para decorar, a mesa e as cadeiras, a rede, a casca de pinheiro, as plantas, as pedras, só falta mesmo a vontade de meter mãos à obra.

 

É assim que está este blog, um jardim inacabado.

Longe vai o tempo em que estava constantemente a pensar no que escrever no blog.

Distante vai a época em que dava por mim a pensar – Vou falar disto no blog; – Isto vai para o blog.

A fase do enamoramento, da paixão passou e, hoje, mesmo tendo um sem fim de coisas sobre as quais me apetece escrever, não me apetece realmente escrever.

Não me conhecesse bem e estaria surpreendida, mas como me conheço já estava à espera que este tempo chegasse, aliás a surpresa é que tenha demorado tanto a chegar.

 

Há um novo template a aguardar na gaveta, há textos por escrever, rúbricas por inaugurar, mas vou arrastando o blog ao sabor do meu temperamento inconstante que está neste momento a fazer um esforço para retomar o gosto por este refúgio da minha alma.

Não será um jardim florido, será antes uma mata diversificada com flores, mas também com silvas, tal como uma roseira brava com flores de perfume inebriante e espinhos pontiagudos, não fosse a própria a vida assim.

Há muita jardinagem a fazer por aqui, escrevo este texto para me recordar das tarefas, é preciso tirar ervas-d ’aninhas, plantar plantas e árvores, podar arbustos, fazer canteiros, construir muros e caminhos, para depois colher flores e frutos.

Enquanto não termino o jardim, vou regando-o, para que não seque.

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