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Língua Afiada

O meu blog é melhor que o teu! Será?

Afinal o que classifica um blog como bom? Serão os números? Medem-se as visitas, os seguidores, os comentários?

O que faz alguém seguir um blog? Serão os textos eximiamente bem escritos sem erros ortográficos ou gramaticais? Serão os temas abordados?

Será a forma como a pessoa escreve ou o que escreve?

No caso do Sapo serão os destaques? Será a opinião de uma equipa pequena para tantos blogs o barómetro que mede a qualidade de um blog?

Será a forma como o blogger recebe os leitores? A sua atitude, o tom e a atenção na resposta?

O que é mais importante escrever bem ou focar temas importantes? Filosofar ou colocar os temas de forma simples para que sejam acessíveis a todos.

Procurarão os leitores textos ao nível da literatura ou textos leves? Procurarão temas sérios ou de risada fácil?

 

Existe uma desmesurada confusão entre qualidade e quantidade, entre o que é inteligente e o que é interessante, entre o que seria desejável e o que é procurado, entre o que cada um considera como certo e aquilo que os outros querem considerar.

Não sejamos ingénuos, tomemos o exemplo da televisão, quais são os programas com mais audiência? Os que não deveriam interessar a ninguém. No meio da programação sensacionalista são vistos um punhado de programas interessantes, que passam por uma nesga ao lado da conotação de enfadonhos, entre um extremo e o outro existem programas para todos os gostos, o mesmo se passa com os blogs.

 

Não queiram todos ser pipocas, especialmente aqueles que são ácidos em tudo o que escrevem, não almejem todos viver do blog, não há investimento publicitário suficiente para alimentar a quantidade de blogs existentes, todos os dias surgem mais, cada vez é mais difícil.

Não pensem que escrevem melhor e sobre assuntos mais interessantes, não se julguem mais inteligentes, não façam da experiência um posto e não se precipitem a catalogar as pessoas pelo que escrevem.

Um blog pode ser pessoal, mas não é uma biografia, as pessoas escrevem sobre o que lhes apetece e partilham apenas o que querem, não avaliem a pessoa pelas palavras, pois não sabem de onde elas provêm e qual o seu intento.

Por detrás de cada blog há um objetivo, um propósito, um plano que pode ser mais ou menos consciente, mas existe, só quem o escreve sabe qual é e porque o é.

Não especulem, de nada vale extrapolar o bom ou enfatizar o mau, não existem pessoas perfeitas, não existem bloggers perfeitos, reduzir alguém a uma pequena parte sua vida é redutor e insensato, ter capacidade de perceber que o todo é mais do que a soma das pequenas partes é inteligente.

 

Quando entramos numa livraria encontramos todo o tipo de livros, bons, maus, literatura do mais alto nível e autêntica banha da cobra, todos disponíveis no mesmo espaço e a conviver pacificamente, verdade que quando olhamos para o top dos mais lidos temos um arrepio na espinha, mas quem somos nós para decidir o que os outros gostam de ler.

A leitura dos blogs só porque é gratuita e acessível não significa que tenham de ler tudo o que é publicado, nem sequer que têm de ler todos os dias os mesmos autores ou concordarem sempre com eles, são tantas as vezes que adoro um livro mas não gosto do seu final, mas nem por isso deixo de ler os meus autores favoritos.

 

Imaginem os blogs como uma gigantesca biblioteca permanentemente aberta, a qualquer hora podem decidir o que ler e o que escrever. Escrevam para quem vos quer ler e leiam quem gostam de ler, tudo o resto é irrelevante, tudo o resto são livros velhos carcomidos pela traça numa estante carregada de pó.

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