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Língua Afiada

Os portugueses são racistas?

E se fosse consigo: Racismo foi o primeiro programa da jornalista Conceição Lino transmitido na SIC na segunda-feira passada.

O canal fez ao longo dos dias uma excelente divulgação do tema e pessoalmente estava curiosa para ver o programa na íntegra.

Com o estudo que tinham divulgado anteriormente já dava para perceber que existe um desvio grande entre o que as pessoas assumem e o que realmente acontece.

Basta olhar para a contradição das respostas.

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O facto de 16,4% dos portugueses admitirem que são racistas já é preocupante, de salientar que os 10,7% NS/NR é o mesmo que dizer que o são, acho que toda a gente conhece a palavra e o seu significado por isso se não respondem é quase de certeza por vergonha.

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72,9% dizem que não são racistas, mas quando se pergunta se os portugueses são racistas quase metade da população, 43,7%, responde que sim, os portugueses são racistas.

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Mais grave ainda é que existe uma grande percentagem de pessoas que assume que não é racista mas quando confrontada com a possibilidade de ter uma pessoa negra na família o caso muda de figura.

As pessoas mentem em relação ao tema o que não me surpreende.

Mas mais revelador que o estudo foi o próprio programa em si que podem ver aqui na íntegra.

 

 

 

Que as pessoas que assistiram à encenação não se tenham manifestado mais ativamente é compreensível dada a nossa cultura, temos por hábito não nos metermos em assuntos familiares, o que é muitas vezes permissivo a abusos.

Eu dada a violência verbal que o “pai” da miúda usou e com a língua afiada como tenho quase a certeza que teria dito alguma coisa, já que se há coisa que me tira do sério são preconceitos, especialmente o racismo.

No entanto, fiquei mais surpreendida com o facto de existirem ainda famílias dívidas por causa de racismo, pais que deixam de falar com as filhas por elas escolherem um negro como companheiro. Como é possível? Não conhecerão os netos?

 

Mas o que realmente me chocou foram as reações das crianças, fiquei mesmo incrédula que crianças que convivem com crianças negras e brancas todos os dias tenham tantos preconceitos e tantas ideias racistas na cabeça.

Se eu fosse o progenitor de uma daquelas crianças procurava um buraco bem grande para me enfiar.

Não me venham com a história que as crianças são cruéis, é claro que são cruéis não têm filtros dizem o que pensam sem pensarem nas consequências, só desenvolvem essa competência social mais tarde.

Mas as crianças são livros em branco, esponjas, absorvem, aprendem com o que as rodeia, é impossível que tenham aprendido sozinhas ou apenas umas com as outras a ser racistas.

As crianças seguem os líderes, os heróis, os exemplos que admiram, o mais comum é seguirem e imitarem os pais, a menos que tenham um colega a dominar a escola inteira, pouco provável, é dos exemplos que provem o racismo.

Infelizmente conheço crianças racistas influenciadas pelos pais, elas sozinhas não são racistas por natureza, há uns anos ainda se poderia desculpar um certo receio devido ao desconhecimento, na minha escola existia apenas um menino negro, uma das minhas amigas uma vez recusou dar-lhe a mão, quando lhe perguntaram o motivo respondeu que era por ele estar muito sujo, ela não estava habituada a ver ninguém com uma cor da pele diferente, assumiu que estava encardido. Explicaram-lhe que era a pele dele tinha outra cor e o problema ficou resolvido.

O deputado do CDS Hélder Amaral refere isso mesmo que em 2016 não se justifica o racismo por desconhecimento, veem-se negros em todos os locais não faz sentido não se encarar isso com naturalidade.

 

A conclusão mais desconcertante é que a maioria das pessoas não sabe explicar porque é racista, quando confrontadas não conseguem apresentar argumentos válidos, já fiz esse exercício.

Dizem as coisas mais disparatas como são preguiçosos, menos inteligentes, menos capazes, como se não existissem brancos mandriões, burros que nem portas e totalmente incapazes, este discurso nazista dá-me arrepios.

Quando falam em incluir um membro negro na família a resposta recaí no cliché que os descendentes possivelmente negros sofreriam descriminação, como a adoção por casais homossexuais, são apenas contra por causa da descriminação que as crianças sofreriam.

Como se as outras crianças não estivessem sujeitas a descriminação por motivos tão parvos como usar óculos, aparelho, terem kg a mais, terem kg a menos, gostarem de coisas diferentes, serem tímidas, serem feias, serem bonitas, a lista é interminável.

Eu penso sinceramente que os caucasianos são racistas porque sabem da supremacia genética dos negroides, eles têm genes mais fortes, os genes deles prevalecem perante os nossos, e o organismo deles chega a ser mais eficaz que o nosso.

A verdade é que descendemos todos dos africanos, ou seja, dos que descriminamos agora, mas as raças e até etnias evoluíram de forma diferente, é utópico dizer que é apenas a cor da pele nos distingue, nós somos diferentes, mas essas diferenças justificam a descriminação?

Não.

Assim como não se deve descriminar qualquer pessoa por ser diferente, seja por ser gorda, seja por ser feia, seja por ser negra, por ser menos inteligente ou por ser superdotada.

As pessoas racistas e preconceituosas é que ficam a perder, privam-se de conhecer pessoas de culturas e raças diferentes, privam-se de trocar experiências, fecham a porta ao conhecimento, não sabem o quão fascinante é conhecer alguém com vivências, raízes e tradições diferentes das nossas.

 

Num mundo onde o individualismo é vivido ao máximo, onde todos querem ser diferentes e sobressair, descriminam-se as pessoas só por serem diferentes, apenas por terem a pele mais escura, mais um paradoxo da nossa sociedade disfuncional.

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