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Língua Afiada

Páginas soltas #2

 

Algures no caminho perdi o sorriso, não me lembro quando, se o perdi por algum motivo em especial ou pelo acumular de tristezas, sei apenas que ficou lá atrás perdido entre memórias de uma felicidade plena e constante.

Não deixei de sorrir, de rir, não, ri-o às gargalhadas até a chorar e até doer a barriga, mas aquele sorriso ingénuo e genuíno, tão simples e tão cheio de tudo esse eu já não consigo formar.

Recordo-me vagamente do que era sentir os olhos a sorrirem, abertos numa expressão resplandecente, sedentos de vida e de experiência, consigo identificar esta cândida expressão em algumas fotos, mas não consigo precisar o que estaria a sentir ou o motivo de tão bela expressão.

Sei apenas que fui feliz com a simplicidade dos dias, sem outro motivo especial que não respirar e viver.

Não existiam urgências, o tempo era relativo, uma manhã podia ser uma eternidade e um mês um suspiro, tudo era simples, tudo era definido, não conhecia a cor cinza, era tudo branco ou tudo preto e em alguns dias brilhava mesmo o arco-íris.

O sol era mais quente, as estrelas mais brilhantes, o vento não cortava afaga-nos antes a face, as flores libertavam mais perfume e os pássaros chilreavam afinados, a água nunca era fria e a música tinha mais sentimento.

Saudades do que foi e já não volta a ser.

Não tenho saudades do sorriso, tenho saudades de tudo aquilo que ele significava.

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