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Língua Afiada

A abstenção, o futebol e a solução.

Depois de sucessivas recomendações da Comissão Nacional de Eleições (CNE) o Governo vai mesmo proibir os jogos de futebol nos dias de eleições, ou seja, vai criar uma lei que proíbe a Federação Portuguesa de Futebol de agendar jogos em dias de eleições.

Está é, na minha opinião, uma das leis mais estúpidas alguma vez criadas nos últimos anos, em primeiro lugar porque penaliza uma entidade privada, completamente independente do Estado e em particular, pois não proíbe todas as competições desportivas apenas as afetas à modalidade Futebol, logo uma lei discriminatória, em segundo lugar porque é completamente ineficaz, impedir as pessoas de assistirem a um jogo de futebol não faz com que as mesmas atendam às mesas de voto.

 

Em reação a esta decisão, a CNE saúda a posição do Governo, mas lamenta que tenha sido necessário recorrer à lei e que não tenha imperado o bom senso e o dever cívico.

A coerência é adjetivo que não assiste à CNE, pois se esperava que imperasse o bom senso e o dever cívico, nunca deveria ter feito tal recomendação à FAP ou ao Governo, deveria antes incentivar os cidadãos a exercerem o seu direito de voto.

Se é um direito, não é uma obrigação e como tal, só vota quem quer, se querem mesmo que todos votem tornem o voto obrigatório, só existe um problema isso não seria democrático.

A situação seria facilmente resolvida se os políticos colocassem os interesses do país à frente dos seus e em vez de promessas vãs, ideias megalómanas e doses massivas de ego, cumprissem o dever cívico de servir o país e levassem à letra o juramento que fazem diante do Presidente da República, juramento esse que é o único em Portugal escrito em contrato, assinado que depois de quebrado não apresenta quaisquer consequências.

Já alguém tinha pensado nisto? Coisas estranhas deste país. Livremo-nos nós de não cumprir um qualquer contrato, nem que seja de telecomunicações, e estamos metidos em sarilhos legais.

O que os políticos ainda não entenderam é que os portugueses não gostam de proibições, não resulta, somos o típico povo que gosta de pisar o risco, de ultrapassar os limites de velocidade, de fugir aos impostos, de passar a perna ao outro, no fundo, somos os políticos que nos governam.

 

Já estou mesmo a ver as conversas em dias de eleições:

- Não posso ir ver o glorioso… Vou marcar um jogo de solteiros contra casados, assim no final sempre comemos umas bifanas e bebemos umas cervejolas.

- Oh Manel, já que não tens que ir ver o Porto no Domingo podíamos aproveitar para ir dar um passeio?

- Sebastião não temos jogo do Sporting que tal marcarmos um almoço com a malta toda? O que dizes pá?

 

Não faltarão com certeza alternativas às pessoas que haja ou não futebol não têm a mínima intenção de votar.

Então qual a solução? Tão simples, mas tão simples que não consigo compreender como não pensaram nisto antes. A solução é um incentivo, mas daqueles bons, deixo aqui algumas sugestões, simples e fáceis de implementar:

 

- Raspadinhas

Toda a gente sabe que os portugueses adoram raspadinhas, façam do boletim de voto uma raspadinha. No fim entregam o boletim e recebem uma raspadinha verdadeira. A alegria, o frenesim que seria nas mesas de voto. O prémio? Nem precisava ser um Audi topo de gama, poderia ser um fim-de-semana no Algarve ou um cartão presente daqueles que televisões oferecem.

 

- Comes e bebes

Se há povo que gosta de comer e beber é o português, as mesas de voto são quase sempre nas escolas, nas escolas existem cantinas, porque não dar uma sandes e uma bebida a quem vota, um porco no espeto e uma barraca de cerveja é mais do que suficiente.

 

- Incentivo fiscal

Estamos constantemente a queixarmo-nos que pagamos muitos impostos, que tal ter uma bonificação nas deduções no IRS? Vote e receba mais 50€ de reembolso.

 

- Cheque dentista

Vote e receba um cheque dentista.

 

No fundo basta pensarem em qualquer solução que já usaram para angariar votos e aplicarem-na no incentivo aos votos.

Não é física quântica, é só oferecer o que estão fartos de prometer.

O que é stress madrinha?

O que é stress madrinha?

Perguntou-me uma vez o meu afilhado, deveria ter uns 4 anos na altura e eu pela primeira vez não tive uma resposta imediata, pois é difícil explicar um conceito tão vasto e tão complicado, mas lá lhe disse que era quando as pessoas estavam muito cansadas porque tinham muitas coisas para fazer, pouco tempo, muitas responsabilidades e que sentiam stressadas quando não conseguiam fazer tudo.

Não foi a melhor explicação mas ele percebeu e quando alguma coisa não corria como ele queria começou a dizer, ainda hoje diz – Que stress!

 

O stress dele é ligeiramente diferente do dos adultos, mas não deixa de ser stress, a sobrecarga que colocam nos miúdos é incrível, seja porque têm dias preenchidos numa rotina desenfreada, seja pela pressão pelo sucesso escolar e nas atividades extracurriculares.

Acredito que muito do stress das crianças lhes é transmitido pelos pais, o stress é contagioso, se estamos muito tempo num ambiente de stress acabamos por sentirmo-nos stressados, ansiosos, o contrário também é verdade, um ambiente descontraído e relaxante faz com que sejamos mais descontraídos.

Encontrar um ambiente relaxado com pessoas relaxadas nos dias de hoje é quase impossível, com a exceção dos períodos de férias, a maioria das pessoas vive em estado permanente de stress.

 

Porquê?

Porque a sociedade e nosso modo de vida fazem com que assim seja.

Trabalhamos demasiadas horas, muito mais do que as 8 horas previstas no contrato de trabalho, seja porque ficamos até mais tarde, seja porque levamos o trabalho para casa, estamos contactáveis 24h por dia, durante os 7 dias da semana, por telemóvel e por e-mail.

Alguém nos paga essa disponibilidade? Em 99% dos casos não, mas mesmo que nos pagassem, compensaria?

Não.

Se já é difícil fechar a porta do escritório e desligar do trabalho, daquela reunião que temos de preparar, daquele problema que temos de resolver, como conseguimos desligar se a qualquer momento podemos ser interrompidos por uma mensagem do trabalho, uma que nos faça sair da mesa de jantar a meio da refeição, colocando aquela emergência acima de tudo o resto.

Não é possível, quando estamos sempre ligados ao trabalho, não conseguimos desligar totalmente, é uma espécie de stand by, consome menos recursos, mas consome sempre alguns e basta carregar num botão, neste caso uma chamada ou e-mail, para ligarmos imediatamente a 100%, sem pré-aquecimento, sem compasso de espera.

Este estado de alerta permanente não nos deixa verdadeiramente desligar e isso faz com que não desfrutemos dos momentos de lazer, com que não consigamos relaxar e descontrair, pois há sempre uma possibilidade, mesmo que ínfima, de sermos contactados.

 

Vivemos apressados, sempre com pressa, urgência de chegar a um lugar, no trabalho, a maioria das pessoas trabalha sob pressão de prazos, objetivos, com margens mínimas para erro e sem perdão para derrapagens nas datas-limite.

O chamado “deadline” porque prazo limite não é suficiente, importamos um termo que carrega em si a palavra morte, bem sabemos que é uma morte figurada, mas que representa muitas vezes a morte de emprego ou até de uma carreira.

Fala-se muito de qualidade de vida, trabalha-se para ter uma vida melhor, dar uma vida melhor aos filhos, entenda-se ter mais bens e mais objetos de luxo, permitir dar tudo o que os filhos necessitem e queiram, de preferência colégios e universidades reputadas e muitas atividades extra.

 

Mas será isso ter qualidade de vida?

Valerá o esforço de não ter vida própria?

Temos cada vez mais luxos e confortos, mas temos cada vez menos o conforto básico de termos tempo para nós, para fazermos o que bem entendemos sem dar satisfações a ninguém, o luxo de desligarmos do mundo sem tentativas de interrupções e pedidos de satisfações.

Até a qualidade do sono diminui, os avanços da medicina permitem-nos tratar doenças e outrora impensáveis, para quê? Para chegarmos à velhice acabados e desgastados de tanto stress, de tanta pressa, para dizermos aos mais novos – vive devagar se viveres depressa a vida também passará depressa.

 

Hoje temos 20 anos, um dia acordamos com 30 e quando menos esperamos estamos nos 60, cansados, fartos de uma vida de trabalho, mas a fazer um esforço para cumprir os anos mínimos para reforma, uma reforma que de dourado só terá o nome, porque as diversas maleitas causadas por anos a fio de noites mal dormidas, refeições rápidas e pouco saudáveis, rotinas impensáveis e stress diário tirarão qualquer brilho aos anos merecidos de descanso.

 

O que é stress madrinha?

Hoje responderia simplesmente:

- É a vida meu amor, é a vida.

Então e nova maçã (iPhone X)? Review :D

Em primeiro lugar escreve-se iPhone X mas lê-se iPhone 10, mania que esta gente chic tem de complicar as coisas, depois os parolos fãs incondicionais das marcas trendy não sabem como pronunciar o nome.

Ele é iPhoni, iPoni, efone, juro que já ouvi um pouco de tudo.

 

Se eu gosto da marca Apple? Gosto, acho que todos os produtos são esteticamente bonitos, quase todos funcionais e como profissional de marketing gosto ainda mais de perceber como o seu marketing funciona, é um case study dos que valem a pena.

Se acho normal alguém gastar dois ordenados mínimos num telemóvel, quando ganha efetivamente o ordenado mínimo e vai estatelar o vidro do seu querido iPhone antes de o acabar de pagar? Não acho, acho pura estupidez.

Ao nível de quem compra um Mercedes e depois não tem dinheiro para pagar uns pneus novos porque se entusiasmou a mostrar a velocidade estonteante aos amigos e subiu um passeio e zás lá se foi o pneu.

Acham isto improvável? Não achem. Há duas coisas que caminham de mãos dadas estupidez e viver acima das possibilidades.

 

Voltando ao iPhone X, grande espetáculo, grande expetativa, fuga de informação (alguém ainda acredita nesta?) e a montanha pariu um rato.

Ecrã total. A sério? Só agora? Demoraram mesmo quantos anos a desistir do botão ridículo?

 

Face ID? Gostava que alguém me esclarecesse se isto é ultrapassável com uma foto da pessoa em tamanho real, não deve ser, mas são ideias que me cruzam pela mente.

É giro, mas é realmente necessário utilizar este tipo de tecnologia num telemóvel, a impressão digital não é suficiente?!

 

“A câmara TrueDepth analisa mais de 50 movimentos musculares diferentes para refletir as suas expressões em 12 divertidos Animoji. Revele o panda, robô ou unicórnio que há em si.”

Não! Por favor não! Não precisamos de mais emojis!

Quando li a primeira vez pensei que iriam fazer do nosso rosto um emoji, estilo as brincadeiras do Snapchat, mas afinal não é só uma maneira diferente de colocarmos um emoji, só que claro com o nome diferente.

 

 

“As duas câmaras traseiras usam a estabilização ótica de imagem e as rápidas objetivas para criar fotos e vídeos deslumbrantes, mesmo com pouca luz.”

Onde é que eu já vi isto? Nos concorrentes chineses que produzem na fábrica ao lado.

 

Carregamento sem fios… Hum também já tinha sido inventado.

 

Novo IOS com novas funcionalidades, só se for mesmo para os iPhones, não vejo novidade nenhuma no geral.

 

Não vou comentar a rapidez pois só fazem a comparação e bem com o processador anterior, mas duas horas a mais em relação à bateria do o iPhone 7? Só podem estar a brincar!

Ou seja, se durar 24 h é uma sorte!

 

É bonito, mas não convence de todo.

Antes que os fãs incondicionais venham para aqui atirar pedras, neste caso escrever frases insultuosas, não, o meu sonho não é ter um iPhone, felizmente se quisesse tê-lo era só esperar que estivesse disponível e comprar e imagine-se posso pagá-lo a pronto, e acrescentar seguro e tudo.

O que me custa é ver esta febre sem qualquer pensamento crítico, sem qualquer análise, é iPhone e é novo, logo é o melhor. O poder das marcas senhores é infinito tal como a estupidez humana, especialmente para aqueles que o compram e depois usam 10% das funcionalidades.