Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Língua Afiada

Uma manhã de sexta e planos para o fim-de-semana.

Acordo a pensar nas prioridades do dia, se ligo primeiro para o fornecedor X ou se encomendo a peça do fornecedor Y, oriento o dia com o cérebro ainda a meio vapor, por entre a névoa do olhar ensonado percebo que tenho de passar a blusa a ferro, poderia escolher outra, mas tenho uma reunião e não tenho tempo para escolher outro coordenado e não posso vestir propriamente a primeira peça que encontro.

Oriento-me para esticar os minutos cronometrados que tenho para me arranjar, tenho uma borbulha daquelas impossíveis na face, sei que não devia, mas rebento-a na esperança que desvaneça, reduziu tapo-o com maquilhagem.

Maquilho-me, ao calçar-me percebo que os botins não ficam bem, busco outros, martirizo-me por não ainda não ter substituído o calçado de verão pelo de inverno, calço outro par, corro apressada para o casaco, qual?

Impossível tantos casacos e falta-me sempre o que preciso, o vermelho pisca-me o olho, ainda não me sinto totalmente confortável de vermelho, mas acabo por o vestir, preparo o lanche e o almoço e voo para o carro.

 

Na viagem revejo novamente o dia e preparo até o dia seguinte, tento encontrar nos espaços das tarefas obrigatórias espaço para as facultativas, desdobro-me em ideias e saltito de uma para outra sem terminar nenhuma.

A preocupação deu lugar à imaginação e a ansiedade deu lugar é euforia, regozijo-me está tudo encaminhado e é essa certeza que me faz vibrar e apaixonar de novo pelo projeto.

E os outros projetos? É uma identidade gráfica é uma estratégia comercial, tudo para tratar durante o fim-de-semana.

 

Está sol e sorrio, será de ser sexta?

Será da energia do casaco vermelho? As cores fortes alegram-me.

 

Canto, pela primeira vez emociono-me com uma música nova, que aproveito para dedicar a ti, que por entre os meus impulsos e devaneios és a minha âncora, o meu porto seguro.

É sexta, tenho trabalho para o fim-de-semana, mas o plano principal é passear e namorar sob a paisagem de outono ao som de:

 

PavorWikipedia: Pavor is a German technical death metal band, formed in 1987. The band has released two albums in a twenty-year career and have chosen to be independent all that time.

De coração cheio e corpo cansado.

Alguém vende concentração?

Se venderem eu compro, pode ser em xarope ou comprimidos se faz favor.

Não há café que hoje me valha, parece que me passou não um, mas dois comboios por cima, e passaram, dois casamentos, só com o intervalo de um dia.

Acho que adquiri um ou dois quilos de estimação que tenciono perder com uma semana de regime e desintoxicação, já não tenho 20 anos e o organismo não se regula sozinho, uma chatice.

 

 

Detalhes que comparados com a alegria de viver momentos de plena felicidade com família e amigos são insignificantes.

Tenho o coração cheio de amor e a mente preenchida de belíssimas recordações, momentos que guardarei e recordarei para sempre.

Momentos que servem para nos lembrar o verdadeiro significado da vida, para que nunca nos esqueçamos do que realmente é importante e para que saibamos sempre o que significa e representa o amor.

Sem família, amizade, solidariedade, empatia e amor a nossa vida seria oca e sem propósito, a felicidade reside nas coisas gratuitas que a vida nos oferece, cabe a nós nutri-las e fazê-las crescer.

A vida é como a terra dos campos, se a cavarmos, semearmos e regarmos iremos colher dela deliciosos frutos mais tarde, se a abandonarmos irá ser um extenso campo seco e infértil.

Que a nossa vida seja assim sempre, um extenso campo fértil de árvores e plantas que nos alimentam a alma.

Nostalgia ou alegria?

Num momento de melancolia dei por mim a revisitar fotos antigas, o benefício das redes sociais é levarmos as nossas memórias para todo o lado e a qualquer momento podermos fazer uma viagem ao passado.

É interessante perceber como mudamos, mudanças físicas que acompanham o amadurecimento interior, percecionar como o tempo nos molda os pensamentos e nos esculpe o corpo e o rosto.

Adoro fotografar e ver o resultado, uma das maravilhas das novas tecnologias é conseguirmos tirar fotos a qualquer hora a todos os instantes, mas a facilidade retira encanto e paixão, é tão fácil tirar fotos que até nos esquecemos de as tirar, enquanto se perdem momentos na lente, retêm-se na retina da memória, os melhores não precisam de registo, ficam registados no coração.

Mas os registos fotográficos podem ser fantásticos, ao ver hoje algumas fotos tive desejo de entrar dentro delas e revive-las de novo, uma sensação incrivelmente boa e avassaladora, como se as fotos me atraíssem para elas como os espelhos mágicos dos contos.

Seria tão bom ter a capacidade de revisitar os melhores momentos das nossas vidas, vivê-los novamente, sentir todas as sensações de novo, deslumbrar-nos com a paisagem, sentir os aromas, ouvir os ruídos, sentir todas as emoções.

As fotos transportam-nos à felicidade do passado, fazem-nos recordar momentos com um sorriso nos lábios, esta sensação não é nostalgia, pode até ser saudade, mas acima de tudo pura alegria.