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Língua Afiada

Nostalgia ou alegria?

Num momento de melancolia dei por mim a revisitar fotos antigas, o benefício das redes sociais é levarmos as nossas memórias para todo o lado e a qualquer momento podermos fazer uma viagem ao passado.

É interessante perceber como mudamos, mudanças físicas que acompanham o amadurecimento interior, percecionar como o tempo nos molda os pensamentos e nos esculpe o corpo e o rosto.

Adoro fotografar e ver o resultado, uma das maravilhas das novas tecnologias é conseguirmos tirar fotos a qualquer hora a todos os instantes, mas a facilidade retira encanto e paixão, é tão fácil tirar fotos que até nos esquecemos de as tirar, enquanto se perdem momentos na lente, retêm-se na retina da memória, os melhores não precisam de registo, ficam registados no coração.

Mas os registos fotográficos podem ser fantásticos, ao ver hoje algumas fotos tive desejo de entrar dentro delas e revive-las de novo, uma sensação incrivelmente boa e avassaladora, como se as fotos me atraíssem para elas como os espelhos mágicos dos contos.

Seria tão bom ter a capacidade de revisitar os melhores momentos das nossas vidas, vivê-los novamente, sentir todas as sensações de novo, deslumbrar-nos com a paisagem, sentir os aromas, ouvir os ruídos, sentir todas as emoções.

As fotos transportam-nos à felicidade do passado, fazem-nos recordar momentos com um sorriso nos lábios, esta sensação não é nostalgia, pode até ser saudade, mas acima de tudo pura alegria.

 

 

Quando os dois têm um blog #4 - Amigos

Ontem durante o jantar:

 

Moralez – Noto que desde que voltaste ao blog estás mais cansada.

Piscogata – Eu sei, o blog acaba sempre por me consumir tempo e ideias.

Moralez – O que escreveste no post de despedida faz todo sentido, tens muitos projetos importantes para te dedicares.

Psicogata – Eu sei, mas não resisto.

Moralez – Mas não penses que quero que deixes o blog, longe disso, até porque já tinha saudades tuas, mas escreve só quando tens tempo.

 

O meu marido é a pessoa mais amorosa do mundo, mesmo tendo-me sempre ao seu lado, não me recordo da última vez que estivemos separados por mais de 24h, tem saudades minhas nas mais pequenas coisas e é tão bom ouvir isso assim espontaneamente.

Os nossos blogs acabam por ser um espaço de convívio nosso com outras pessoas, pessoas que gostamos e com quem nos preocupámos e é estranho se um de nós não existir nessa dimensão.

É quase como se tivéssemos um grupo de amigos em exclusivo, coisa que não acontece, os amigos dele e os meus amigos acabam sempre por ser amigos nossos

Fifty Shades Darker

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Enlouqueci e vi.

Vi o primeiro filme por curiosidade mórbida, a verdade é que não sabia nada sobre a epidemia das 50 sombras de um homem chamado Grey, cheguei a pensar que era um homem grisalho, mas afinal era mesmo um pirralho (não resisti a rima fácil).

O primeiro filme foi uma desilusão, ouvi falar tanto da história, do livro, ouvi tantos suspiros, acho que cheguei a ouvir alguns gemidos, que fiquei curiosa, mesmo sendo a crítica devastadora dei o benefício da dúvida, pois a crítica não gosta de filmes populares.

 

O filme até tinha coisas boas, a fotografia, a banda sonora e o apartamento do Grey, tudo o que realmente interessava era mau, interpretações, especialmente a do Grey, realização, que convenhamos com um argumento daqueles não haveria muito a fazer, é um filme mau que apenas entretém, mas só se não estivermos com muito sono.

É claro que vendo o primeiro já sabia que veria o segundo, é um defeito meu, mesmo não gostando tenho por vício ver as sequelas.

E ainda bem que vi, não, não vão a correr às salas de cinema porque o filme é mau, mas deu para perceber a loucura das mulheres pelo livro e também porque todas diziam que o primeiro filme não mostrava a verdadeira história.

 

Porque as 50 sombras são afinal de amor, a história é um romance e a fórmula é a de sempre, a rapariga ingénua arrebata o coração do Dom Juan insensível, o facto de pelo meio existir uma exploração ao mundo sadomasoquista é apenas um detalhe.

A verdadeira história é a donzela indefesa que conquista o príncipe vadio, uma espécie de Cinderela com a Dama e o Vagabundo e uma pitada de a Bela e o Monstro.

Explicado o sucesso, a autora, esperta, usou a ideia romântica que todas as mulheres têm - a conquista de um homem que não quer ser conquistado, a receita é tão velha quanto a escrita, mas a verdade é que resulta.

Agora as fãs já podem descansar já sabemos que não são umas doidivanas, apenas umas românticas.

Mau ou não, confesso que houve uma ou duas cenas que me embebeceram pelo romantismo, as outras, bem mais pareciam cenas de um filme erótico censurado, por duas ou três vezes disse-me o Moralez – Este filme é feito para homens, não é para mulheres.

Pois que é feito para os dois, porque tem todos os ingredientes para agradar a ambos os sexos, as cenas escaldantes para eles e as românticas para elas.

 

Quanto à maluqueira das mulheres quererem recriar em casa as cenas escaldantes dos filmes, maridos, companheiros, namorados não levem a mal, melhor isso do que quererem recriar as cenas românticas. Já pensaram no assalto que teriam de fazer à conta bancária para proporcionar todo aquele ambiente romântico?

O mais certo era terem mesmo de assaltar um ou vários bancos.

Na impossibilidade de terem o que Grey proporcionava a Anastacia resolverem focar-se na parte que podiam realmente ter em casa, assim ficam todos a ganhar, especialmente a conta bancária.

 

Este filme acrescenta ainda um ponto a favor em relação ao primeiro, o guarda-roupa, no primeiro já não era mau, mas os dois vestidinhos que ela usa neste filme são assim lindos de morrer, serão os vestidos ou as ocasiões?

Fica a dúvida.