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Língua Afiada

Instinto protetor - Fujam

Ontem estava a ver um episódio de Stranger Things e achei imensa piada à personagem Joyce que percebendo que alguém tinha magoado o seu filho disse – Eu mato-os.

Uma expressão forte e exagerada, mas que exemplifica bem o instinto protetor que sentimos perante os nossos.

Sou contra a violência, responder à violência com violência é perpetuar o comportamento, mas consigo ser uma pessoa extremamente violenta, ou pelo menos tenho instintos violentos quando alguém fere um dos meus, instintos esses que são acalmados pelo meu lado racional, mas que estão lá.

Será uma questão de signo? Sou do signo leão e no que se trata a defender o meu “território” sou do pior que pode existir, se sou assim com família e amigos, nem quero imaginar como serei com uma cria.

Consigo imaginar-me a entrar escola dentro a tirar satisfações de um qualquer valentão, embora tenha plena consciência que isso é errado.

Pior do que isso consigo imaginar-me a ranger os dentes sempre que alguém seja inoportuno ou que de alguma forma tenha um comportamento despropositado com um filho meu, e a julgar pela amostra pode ser qualquer pessoa, acredito que afastarei muitas pessoas da minha vida à patada com unhas de fora na hora de darem palpites.

 

Estou aqui a ferver com uma injustiça e maldade a um dos meus e juro que se estivesse lá no momento a situação não iria ser digna de ser ver, ou melhor seria digna de se ver para rir do desastre.

Tenho vontade de espetar dois pares de estalos a uma pessoa que nunca na vi vida e ainda dizer-lhe umas quantas verdades misturadas com insultos, mentira que uma senhora nunca perde a compostura e por isso dizia-lhe só as verdades, mas que a vontade era abrir-lhe os olhos até atrás a ver se lhe entrava algum juízo isso era.

Como obviamente não o posso fazer, a criatura já deve ter as orelhas a arder de vermelhas com os insultos que lhe digeri mentalmente e até algumas pragas, não é bonito eu sei, mas não podemos ser perfeitos e este é o meu maior defeito passar de pessoa a fera se alguém se mete com os que amo.

É por isso que nunca poderei praticar uma arte marcial pois seria uma arma defensiva ambulante, sei que não teria problemas em aplicar um golpe ou outro a uma pessoa ou outra.

 

Este meu lado perverso e negro assusta-me um pouco, a sério que me assusta porque sou muito impulsiva e em fases de maior stress não é preciso muito para explodir e como eu gostava de explodir com esta pessoa, um dia quem sabe tenha oportunidade de lhe dizer o quão injusta, infantil, parva, mesquinha, má, bruxa e cabra é.

Enquanto isso já o escrevi aqui e já estou mais aliviada.

Odeio mulheres que usam a sua condição de mulher para serem umas cabras vingativas, esta está na minha lista negra.

Indecisões, condicionalismos, burocracias e aborrecimentos vários – Simplex? Nem vê-lo.

Nunca gostei do nome Simplex, parece a cópia pobre do ”Clix custa nix”, nestas coisas sou antiquada, acho que as denominações escolhidas para organizações, entidades, programas, medidas estatais devem ser em bom português de Portugal.

E se verificarmos bem o topónimo o que parece anunciar é a junção do simples com o ex, ou seja, o simples que deixou de ser, será que ninguém fez esta interpretação? O nosso cérebro, sempre atento, assimila os termos em separado e processa-os inconscientemente, talvez por isso nunca tenha apreciado o termo.

 

Goste-se ou não da palavra, o Simplex surgiu para nos facilitar a vida ou para facilitar a vida aos fáceis, pelo menos é isso que se passa no caso da abertura de uma empresa, pois quem se preocupar com todos os detalhes, como por exemplo, quem desejar criar o nome da empresa depara-se de imediato com o primeiro condicionalismo, escolher um nome da lista que, sejamos meigos, são anedóticos ou ter o dobro do trabalho e registar o nome que pretende.

E aqui começa a saga da burocracia, dos processos, dos atrasos, houve um em particularmente interessante, necessitarmos de um documento para abrir uma conta bancária e necessitarmos de conta bancária para termos esse documento.

 

Ultrapassados todos os constrangimentos iniciais passa-se à etapa seguinte que implica abrir um estabelecimento e aqui é que as coisas se complicam, com opiniões distintas dentro do mesmo gabinete, com inspetores mal-intencionados e com as ofertas mais absurdas de serviços que não lembram ao diabo.

Não é de admirar que a maioria das empresas e estabelecimentos não cumpram a legislação porque é quase impossível, especialmente se os recursos forem limitados, cumprir com todos os requisitos e abrir em tempo útil.

 

Para além de todos estes entraves burocráticos, existem depois os nossos próprios entraves, quando nos dedicamos muito a um projeto queremos que tudo esteja perfeito e nem sempre é possível, mas para quem pensa tudo ao detalhe não conseguir esse detalhe é uma frustração e um stress.

É preciso abdicar, optar e tomar decisões que não nos agradam para que o projeto possa avançar, custa muito, morremos um bocadinho sempre que abdicamos daquela ideia espetacular por falta de tempo ou orçamento, mas não temos outro remédio.

 

Neste momento estou entre a mentalização que não é possível esperar que tudo esteja perfeito e entre a negação, ainda quero acreditar e convencer os meus sócios que é possível que tudo fique tal como imaginamos, mas começo a aperceber-me que terei de abdicar de alguns pormenores e modificar outros para que se encontre um meio-termo que não prejudique o conceito nem o prazo de execução.

Montar um negócio pode ser simples, se formos pelo caminho mais fácil ou se não tivermos constrangimentos financeiros, trilhar o próprio caminho com um orçamento restrito não é fácil.

 

Tudo que nos realiza de alguma forma é trabalhoso e envolve esforço, só assim as conquistas têm um valor especial, se voltava atrás? Nunca, não há nada mais gratificante do que ver um sonho materializar-se, nem que seja com pequenos ajustes dados pela realidade.

Envelhecer é uma seca

Esqueçam todos aqueles textos que eu escrevi sobre a sabedoria da idade, a tranquilidade, a maturidade, o ficar a saber o que realmente interessa, o não dar a importância a quem não merece.

Esqueçam todas essas vantagens.

Envelhecer é uma seca porque de que nos vale saber e sentir tudo isto quando não se consegue recuperar de uma noitada?

Não estou habituada a isto, uma noite deveria ser suficiente para recuperar de outra em que estivemos acordados até de madrugada.

Deveríamos acordar leves e frescas que nem alfaces acabadas de colher e não com o corpo feito num oito e olheiras até ao umbigo.

De que servem os fins-de-semana se não os conseguimos aproveitar ao máximo?

Isto de lutar com a idade é complicado, é que quando a cabeça não tem juízo já dizia o António que de Variações só tinha o nome, o corpo é que paga e isto é uma constante imutável, uma verdade absoluta.

O corpo é que paga e de que maneira. Há por aí algum sofá onde possa colocar a cabeça só por uns minutos? Prometo que são só uns minutos e que depois volto a ter 20 anos, só na agilidade mental infelizmente.