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Língua Afiada

Constatações da semana

Provavelmente decorarei a árvore de Natal de sandálias.

Finalmente terei uma passagem de ano quente sem viajar.

Preciso de uma máquina de secar roupa não por causa da chuva, mas por causa do cheiro a fumo.

Nunca é tarde para comprar roupa de Verão, os dois sobretudos que comprei em Setembro provavelmente só sairão à rua em 2018.

Sempre quis viver num país tropical e acho que o São Pedro ouviu as minhas preces.

A série The Handmaid’s Tale tem tanto de viciante como de perturbadora, se andam com medo dos fanáticos não vejam, se gostam de histórias de um futuro alternativo, mesmo que sombrio, assistam.

Estamos sempre a tempo de mudar, seja por vontade própria ou por força das circunstâncias.

A perseverança aliada ao foco é o melhor caminho para o sucesso.

Excesso de trabalho traduz-se em fraca criatividade.

O tempo com a idade encolhe na proporção que nos crescem rugas.

O sorriso que disfarça a desgraça mental

Nunca a expressão feita num oito fez tanto sentido para mim, quando uma pessoa pensa que já não possível sentir-se ainda mais cansada eis que por alguma congeminação do demónio consegue sentir-se ainda mais desgastada e agastada, é que não basta o cansaço da nossa vida ainda temos de aturar com os desvarios da vida dos outros.

O ritmo tem sido tão frenético que já dei por mim várias vezes com os olhos fixos no nada e pensamento vazio, uma espécie de sono acordado em que desligo o cérebro sem me aperceber.

 

Depois de uma fase em que dava por mim a queixar-me do cansaço, da falta de tempo, do trabalho, da necessidade de férias, lamúrias que nem são características minhas, dou por mim agora com um sorriso estampado nos lábios, gargalhada fácil e aparente bom humor, isto pelo menos até colocar um pé dentro de casa, depois disso a minha irritação regressa com requintes de malvadez e suga-me qualquer energia que tivesse de reserva.

 

A ser verdadeira melhor andar de sorriso estampado no rosto do que olheiras até ao umbigo, nunca me dei muito a desesperos e não será agora, por mais que a minha vida esteja num novelo, que o farei.

Mas custa, custa muito manter a leveza de espírito, quando nos deixam na nossa vidinha sossegados tudo corre bem, mas quando alguém interfere com ela está o caldo entornado, digamos que por incompetência terem-me deixado uma hora e meia à espera é coisa para me desalinhar os chakras durante umas horas ou até dias.

Acho que nem dormi bem tamanha a explosão de stress, mas acordei com o sorriso estampado no rosto, porquê?

Não faço ideia, mas é sempre melhor ter um sorriso como acessório do que má cara.

 

Não andava em mim nos últimos tempos, mas a nossa personalidade acaba sempre por vencer, é por isso que não adianta tentar ser ou parecer algo que não se é, a nossa verdadeira essência virá sempre à superfície.

O que é stress madrinha?

O que é stress madrinha?

Perguntou-me uma vez o meu afilhado, deveria ter uns 4 anos na altura e eu pela primeira vez não tive uma resposta imediata, pois é difícil explicar um conceito tão vasto e tão complicado, mas lá lhe disse que era quando as pessoas estavam muito cansadas porque tinham muitas coisas para fazer, pouco tempo, muitas responsabilidades e que sentiam stressadas quando não conseguiam fazer tudo.

Não foi a melhor explicação mas ele percebeu e quando alguma coisa não corria como ele queria começou a dizer, ainda hoje diz – Que stress!

 

O stress dele é ligeiramente diferente do dos adultos, mas não deixa de ser stress, a sobrecarga que colocam nos miúdos é incrível, seja porque têm dias preenchidos numa rotina desenfreada, seja pela pressão pelo sucesso escolar e nas atividades extracurriculares.

Acredito que muito do stress das crianças lhes é transmitido pelos pais, o stress é contagioso, se estamos muito tempo num ambiente de stress acabamos por sentirmo-nos stressados, ansiosos, o contrário também é verdade, um ambiente descontraído e relaxante faz com que sejamos mais descontraídos.

Encontrar um ambiente relaxado com pessoas relaxadas nos dias de hoje é quase impossível, com a exceção dos períodos de férias, a maioria das pessoas vive em estado permanente de stress.

 

Porquê?

Porque a sociedade e nosso modo de vida fazem com que assim seja.

Trabalhamos demasiadas horas, muito mais do que as 8 horas previstas no contrato de trabalho, seja porque ficamos até mais tarde, seja porque levamos o trabalho para casa, estamos contactáveis 24h por dia, durante os 7 dias da semana, por telemóvel e por e-mail.

Alguém nos paga essa disponibilidade? Em 99% dos casos não, mas mesmo que nos pagassem, compensaria?

Não.

Se já é difícil fechar a porta do escritório e desligar do trabalho, daquela reunião que temos de preparar, daquele problema que temos de resolver, como conseguimos desligar se a qualquer momento podemos ser interrompidos por uma mensagem do trabalho, uma que nos faça sair da mesa de jantar a meio da refeição, colocando aquela emergência acima de tudo o resto.

Não é possível, quando estamos sempre ligados ao trabalho, não conseguimos desligar totalmente, é uma espécie de stand by, consome menos recursos, mas consome sempre alguns e basta carregar num botão, neste caso uma chamada ou e-mail, para ligarmos imediatamente a 100%, sem pré-aquecimento, sem compasso de espera.

Este estado de alerta permanente não nos deixa verdadeiramente desligar e isso faz com que não desfrutemos dos momentos de lazer, com que não consigamos relaxar e descontrair, pois há sempre uma possibilidade, mesmo que ínfima, de sermos contactados.

 

Vivemos apressados, sempre com pressa, urgência de chegar a um lugar, no trabalho, a maioria das pessoas trabalha sob pressão de prazos, objetivos, com margens mínimas para erro e sem perdão para derrapagens nas datas-limite.

O chamado “deadline” porque prazo limite não é suficiente, importamos um termo que carrega em si a palavra morte, bem sabemos que é uma morte figurada, mas que representa muitas vezes a morte de emprego ou até de uma carreira.

Fala-se muito de qualidade de vida, trabalha-se para ter uma vida melhor, dar uma vida melhor aos filhos, entenda-se ter mais bens e mais objetos de luxo, permitir dar tudo o que os filhos necessitem e queiram, de preferência colégios e universidades reputadas e muitas atividades extra.

 

Mas será isso ter qualidade de vida?

Valerá o esforço de não ter vida própria?

Temos cada vez mais luxos e confortos, mas temos cada vez menos o conforto básico de termos tempo para nós, para fazermos o que bem entendemos sem dar satisfações a ninguém, o luxo de desligarmos do mundo sem tentativas de interrupções e pedidos de satisfações.

Até a qualidade do sono diminui, os avanços da medicina permitem-nos tratar doenças e outrora impensáveis, para quê? Para chegarmos à velhice acabados e desgastados de tanto stress, de tanta pressa, para dizermos aos mais novos – vive devagar se viveres depressa a vida também passará depressa.

 

Hoje temos 20 anos, um dia acordamos com 30 e quando menos esperamos estamos nos 60, cansados, fartos de uma vida de trabalho, mas a fazer um esforço para cumprir os anos mínimos para reforma, uma reforma que de dourado só terá o nome, porque as diversas maleitas causadas por anos a fio de noites mal dormidas, refeições rápidas e pouco saudáveis, rotinas impensáveis e stress diário tirarão qualquer brilho aos anos merecidos de descanso.

 

O que é stress madrinha?

Hoje responderia simplesmente:

- É a vida meu amor, é a vida.