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Língua Afiada

Nova estação –back to basic

Esta tem sido a minha tendência nos últimos tempos para descomplicar na hora de vestir, cansada de saber que um guarda-roupa bem equilibrado aposta em peças básicas e clássicos de qualidade consegui mesmo assim ignorar esta regra durante anos por sucumbir aos encantos de peças tendência ou mais marcantes.

Faz parte de mim olhar para a peça mais marcante na loja, quer seja por ter uma cor rica, um corte irreverente ou um tecido diferente.

Conclusão: uma mistura de peças marcantes que não combinam com nada.

 

Depois de anos assim cheguei a uma altura em que nada me encantava, as coleções deixaram de me fazer vibrar, deixei de ter vontade de correr para ver os avanços de temporada e deixei de ter paciência para as maratonas dos saldos.

Eu, a especialista em desencantar pechinchas sem paciência para compras, difícil de acreditar mas é verdade.

 

Neste momento os meus olhos estão centrados nas peças mais básicas e intemporais, em cores neutras, padrões tradicionais, cortes clássicos. E ondem andam essas peças?

Desapareceram juntamente com a minha paciência.

Podem existir mais motivos para ter deixado de ser tão consumista, nomeadamente perceber que existem coisas bem mais enriquecedoras com as quais gastar dinheiro e também as mudanças que o meu corpo foi sofrendo, mas o maior motivo sem dúvida foi o desencanto com a moda.

 

Para esta coleção quero comprar poucas peças e de qualidade:

- Um sobretudo de lã preto

- Um blusão de pele preto

- Uma gabardina creme

- Uma carteira preta de pele

- Um cardigan de caxemira

- Duas ou três blusas de musselina

- Umas calças de ganga escura que não desbotem

- Umas calças pretas de tecido com corte clássico

- Uma saia lápis

 

Parece pouca coisa, mas como quero peças de qualidade e com cortes específicos não tem sido fácil encontra-las, ainda não fui às lojas, só andei pelos sites, mas pelo que vi, só encontrarei mesmo as duas primeiras opções, que são precisamente as que menos falta me fazem.

Se tiverem sugestões de lojas é favor de enviar links que ou ando muito distraída ou a moda anda muito fora de moda.

Estou solidária com quem não gosta de festas (casamentos, batizados, etc.)

Esta semana finalmente tive tempo para organizar a contabilidade do mês de Agosto, qual não é o meu espanto?

A minha conta bancária foi de férias e eu não!

Lembram-se de ter tido que tinha uma amante de gostos requintados?

A destrambelhada* depenou-me a conta.

Eu gosto muito de festas, a sério que gosto, mas espaçadas por favor, com intervalos de tempo que nos permitam recuperar a linha e conta bancária.

Espero tão cedo não ter um mês assim, é que se juntou tudo, festas, aniversários, compras, arranjos do carro, seguros, despesas e mais despesas.

 

*Perdoem-me o sexismo, mas as amantes femininas é que têm fama de depenar os homens casados e este não é um post sério.

Todos percebem de design

Se há assunto em que toda a gente tem um palpite a dar é no design gráfico, seja num catálogo, num folheto, até no webdesign, não há alminha ou cliente que não ache que pode opinar.

Nada contra opiniões, são todas bem-vindas e muitas vezes um olhar isento de uma pessoa fora da área pode acrescentar muito ao trabalho, mas quando alguém que não entende nada do assunto teima em fazer da sua opinião pessoal o que é certo, está só a ser egocêntrica.

O gosto pessoal deve ser levado em consideração, mas não deve ditar o trabalho, porquê? Porque o design tal como todas as outras coisas tem regras, independentemente da linguagem utilizada, da mensagem que se quer transmitir, do objetivo, existem regras e para um trabalho ficar bem feito elas têm de ser cumpridas.

As regras são simples e claras, imaginem-se a formatar um texto no Word, existem regras básicas, como respeitar margens, alinhamentos, tipos, cores, tamanhos e tipos de letras, no design gráfico essas regras também existem, algumas são tão automáticas para quem trabalha diariamente que nem sequer se colocam em causa, simplesmente é assim que se faz.

O que é que se faz quando alguém quer mexer com essas regras? Tenta-se explicar que não pode ser assim, porque tudo tem uma lógica.

Uma coisa que aprendi é que quanto mais teimoso e mais persistente é o cliente, mais difícil será explicar-lhe alguma coisa, ele parece entender, mas no fim simplesmente diz, mas eu quero, ou gosto mais assim.

O que fazer neste caso?

Usar de toda a paciência que temos e tentar explicar que não pode ser, que não fica bem, em trabalhos muito importantes perder o trabalho já feito e apresentar uma proposta completamente diferente, e em último caso abandonar completamente o trabalho.

Se mais designers fizessem isso, talvez a profissão fosse mais respeitada, nunca vi ninguém ter a mesma atitude em relação aos arquitetos, talvez porque eles sabem colocar as pessoas no seu devido lugar.

Começo a acreditar que a altivez de algumas pessoas não é feitio ou personalidade, é mesmo uma necessidade de manter o respeito, pois as pessoas perderam completamente a noção do ridículo e não entendem que algumas afirmações, sugestões e acima de tudo intransigências são uma completa falta de respeito pelo profissional e até má-educação.

Se é difícil lidar com clientes que pagam, com clientes que não pagam é ainda muito mais difícil, um favor é facilmente encarado como uma obrigação e pior é muitas vezes tido como uma coisa fácil, desvalorizam completamente o nosso trabalho só porque num gesto de boa vontade decidimos perder o nosso valioso tempo a ajudar.

É por isso que dá vontade de lhes passar uma fatura, talvez assim tivessem mais respeito e guardassem as suas opiniões estapafúrdias para o que realmente sabem fazer.

Se me querem deixar a deitar a fumo pelos olhos é perguntar opinião a todos os amigos e conhecidos, todos tão experts na matéria quanto eles… Havia necesdidade?

Não entendo porque é que pessoas inseguras que não sabem o que querem em vez de confiarem no trabalho de um profissional, decidem validar as suas opiniões com quem não entende nada do assunto.

Só podem ser estúpidas, não vejo outra explicação.