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Língua Afiada

Nostalgia ou alegria?

Num momento de melancolia dei por mim a revisitar fotos antigas, o benefício das redes sociais é levarmos as nossas memórias para todo o lado e a qualquer momento podermos fazer uma viagem ao passado.

É interessante perceber como mudamos, mudanças físicas que acompanham o amadurecimento interior, percecionar como o tempo nos molda os pensamentos e nos esculpe o corpo e o rosto.

Adoro fotografar e ver o resultado, uma das maravilhas das novas tecnologias é conseguirmos tirar fotos a qualquer hora a todos os instantes, mas a facilidade retira encanto e paixão, é tão fácil tirar fotos que até nos esquecemos de as tirar, enquanto se perdem momentos na lente, retêm-se na retina da memória, os melhores não precisam de registo, ficam registados no coração.

Mas os registos fotográficos podem ser fantásticos, ao ver hoje algumas fotos tive desejo de entrar dentro delas e revive-las de novo, uma sensação incrivelmente boa e avassaladora, como se as fotos me atraíssem para elas como os espelhos mágicos dos contos.

Seria tão bom ter a capacidade de revisitar os melhores momentos das nossas vidas, vivê-los novamente, sentir todas as sensações de novo, deslumbrar-nos com a paisagem, sentir os aromas, ouvir os ruídos, sentir todas as emoções.

As fotos transportam-nos à felicidade do passado, fazem-nos recordar momentos com um sorriso nos lábios, esta sensação não é nostalgia, pode até ser saudade, mas acima de tudo pura alegria.

 

 

Também quero Exoneração

Exoneração será provavelmente a palavra-chave do mês de Julho, ouviremos e leremos muitas vezes esta palavra nos próximos dias.

E-xo-ne-ra-ção

  1. Libertar ou libertar-se de uma obrigação ou de um dever. = DESCARREGAR, DESOBRIGAR, EXIMIR
  2. Retirar ou retirar-se de uma função ou de um cargo. = DEMITIR, DESTITUIR


Neste texto iremos focar-nos na primeira definição - Libertar-se de uma obrigação ou de um dever.

 

Exijo exoneração sob pena de prejudicar os outros, não o Governo ou investigações, mas sob pena de prejudicar quem me rodeia.

 

Assim sendo peço exoneração das seguintes obrigações:

 

- De trabalhar à segunda-feira.

Trabalhar à segunda-feira não faz bem a ninguém, estamos muito cansados do fim-de-semana, precisamos de um dia para recuperar, só assim seremos produtivos, matam-se logo dois coelhos de uma só cajadada, deixámos de estar remelados no trabalho e aumentamos a produtividade do país.

 

- De pagar impostos

É desanimador todos os meses ver uma boa fatia do meu rendimento sair assim sem autorização para os cofres do Estado, mais desolador é ainda verificar que os meus impostos são encarados com total leviandade, é que parece que o Estado não sabe bem o que fazer com eles. A minha proposta passa por ser eu a gerir os meus impostos, prometo que não serei soberba e darei uma pequena percentagem para pagar os ordenados dos políticos, mas nada de luxos, assim tiro esse peso avassalador do das costas do Estado.

 

- De aturar pessoas parvas

Faz-me mal e faz-lhe mal a elas, por isso exonero-me de as aturar, isto funcionaria de uma forma muito simples sempre que alguém parvo tivesse a ideia peregrina de me chagar a cabeça eu diria as palavras mágicas – exonero-me de te ouvir e elas iriam à sua vidinha e seríamos todos felizes.

 

- De conduzir no trânsito

O trânsito deve ser provavelmente o motivo maior para elevar os meus níveis de stress, não deveria existir trânsito, ponto, agora que falo nisso também não deveriam existir pessoas parvas e quase que uma coisa resolvia a outra, resolvido o mistério da parvoíce, acabem com o trânsito, a parvoíce diminuirá a pique, as pessoas parvas perderiam a oportunidade de ser parvas e o trânsito seria extinto.

 

- Das tarefas domésticas

São aquelas coisas que só servem para ocupar tempo por isso exonero-me de limpar e arrumar a casa, de tratar da roupa, especialmente passar a ferro, de planear as refeições, de fazer compras. Não me importo de cozinhar desde que os ingredientes estejam todos na dispensa e que alguém me diga qual é a ementa.

 

Existiriam muito mais coisas para pedir exoneração, mas não quero abusar, estas para já seriam suficientes.

 

E vocês de que pediriam exoneração?

Sei que é segunda-feira, mas sejam criativos.

Até 2017

Se 2015 foi um ano de colapso, onde muitos dogmas, verdades instituídas e certezas se desmoronaram, um ano de desilusões e de abandonos, 2016 foi um ano de confirmações, de questões, dúvidas e incertezas.

Em dois anos a minha vida passou de serena, planeada e feliz a uma vida perdida, incerta, sem direção, nestes dois anos questionei tudo, família, amigos, emprego, planos, prioridades, tudo acompanhado de uma avalanche de emoções e muito, demasiado, descontrole emocional.

 

Não é fácil perceber que até as coisas mais simples, que parecem acontecer sem esforço a toda as pessoas nos são vedadas, parecem inatingíveis e cada vez mais distantes. Quando algo que queremos e desejamos que é tido como um dado adquirido não acontece, a frustração, a revolta, a tristeza leva-nos a questionar tudo, até a nós próprios.

 

Se existe travessia no deserto estes dois anos foram parte da minha, digo parte porque não acredito que as coisas mudem só porque transitamos para 2017, afinal 2017 é apenas um número. Acredito que a minha vida entrará nos eixos à mesma velocidade que descarrilou, uma coisa de cada vez, lentamente até ganhar velocidade de cruzeiro e estabilizar.

2016 foi um ano complicado, disso não existem dúvidas, mas também foi o ano onde muitas coisas se descomplicaram e muitas coisas se desvendaram.

 

Depois de a vida me ter proporcionado um portão que consegui não ver, fiquei satisfeita por me ter deixado entrar pela frincha da porta, mas a satisfação não durou muito tempo, porque há pessoas que têm como missão na vida complicar a vida dos outros e aprendi a não festejar antes do tempo, mas há males que vêm por bem e quando menos esperava a situação reverteu-se.

 

Não festejei, não contei a ninguém, a única pessoa que sabe é o Moralez, só falei do projeto com quem está envolvido e por razões profissionais e pessoais continuará a ser segredo.

 

2017 arranca com um projeto novo, um projeto que ajudei a criar, que tem muito de mim, a começar pelo nome, um projeto que tenho a certeza me dará muitas alegrias e muitas dores de cabeça, só hoje falo dele porque só hoje se efetivou e só agora acredito que é verdade.

Não festejei, não festejarei, mas tenciono desfrutar deste privilégio, é gratificante ver nascer algo nosso.

 

Depois de algumas complicações a nível laboral quer da minha parte, quer da parte do meu marido, as coisas resolveram-se porque afinal a competência, a idoneidade e a dedicação compensam e dão frutos.

Este projeto tomar-me-á muito tempo, tempo que inevitavelmente irá afetar a gestão do blog, é provável que nos primeiros meses de 2017 a minha presença aqui seja menos assídua, mas estarei sempre por perto.

O blog é em si um projeto, que para mim teve um objetivo específico, mostrar-me que consigo manter-me num projeto, com princípio, meio e fim, que consigo resistir, persistir, é a prova que a resiliência faz parte de mim.

Ao longo da minha vida iniciei diversos projetos pessoais e profissionais que abandonei sem explicação, o blog é a prova escrita que consigo manter-me focada, decidida e constante num projeto.

 

Muito obrigada a todos os que por aqui passam, vocês foram cruciais para que este projeto fosse a bom porto, dando-me sempre apoio, incentivo e ideias, sem vocês nada disto faria sentido. Não imaginam vocês o quão crucial foi o blog e a vossa presença para a minha sanidade mental.

 

Obrigada à Equipa do Sapo Blogs pela gestão da blogosfera, nem sempre concordamos, mas se concordássemos isto não teria a mesma piada e um obrigada à Equipa da Homepage do Sapo que me concedeu diversas vezes o privilégio de constar na Homepage do portal Sapo.

 

Um obrigada muito especial ao meu marido que me tem acompanhado nesta aventura e que torna tudo isto mais engraçado e mais intenso, pois quando somos dois a ter um blog a boguisse é a dobrar.

2016 termina assim com uma notícia positiva, espero que seja este o tom para 2017.

 

Reitero os meus votos de um excelente 2017 a todos.

Beijinhos e até para o ano.