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Língua Afiada

É preciso mais coragem para ir ou para ficar?

De um lado o sonho, do outro a realidade.

De um lado o desconhecido, do outro os factos.

De um lado a ilusão, do outro a consciência.

Ficar com o que conhecemos ou partir à descoberta do desconhecido?

Ter a coragem de recomeçar de novo…

Ou ter coragem de ficar e reinventar a realidade?

Entregar a saudade à adrenalina ou despedaçar o desânimo pela proximidade?

Dar uma oportunidade à sorte ou mudar a sorte à sorte dos dias?

É preciso coragem para ir.

É preciso coragem para ficar.

Aconteça o que acontecer podemos sempre voltar.

Aconteça o que acontecer podemos sempre partir.

Não são mais corajosos os que partem, não são mais corajosos os que ficam.

São corajosos todos os que cá ou lá lutam pela vida.

Nem todos os que partem são aventureiros, nem todos os que ficam são comodistas.

Não há vencedores, não há derrotados.

Não há heróis, não há vilões.

Há os que escolhem ir, há os que escolhem ficar.

É preciso coragem para ir.

É preciso coragem para ficar.

Agradecimento e nota para os emigrantes

O apoio dos emigrantes portugueses à seleção foi maravilhoso, milhares de adeptos com presença constante em todos os pontos por onde a seleção passava.

Milhares de apoiantes nas bancadas, embora tenha sido necessário o patrocínio de claques de clubes portugueses para que se pudessem ouvir nas bancadas os gritos e o clamor pela equipa portuguesa, é certo que dado o mote os adeptos seguiram-no e fizeram-se ouvir bem alto.

Jogar em França foi quase como jogar em casa tal foi apoio que a seleção recebeu, foi um apoio espontâneo, se planeado poderia ter sido bem maior, mas não houve coordenação entre a comunidade e as autoridades portuguesas, Hermano Sanches, vereador da Câmara de Paris é quem o afirma.

Fomos sem dúvida a seleção que fora de casa teve mais adeptos, uma grande claque que fez vibrar as bancadas, o orgulho e apoio dos emigrantes deixou orgulhosos todos portugueses.

A verdade é que os emigrantes portugueses aproveitaram a oportunidade para mostrarem aos franceses que são muitos, estão unidos e que apesar da sua natureza pacata e recatada são importantes em França, até outros emigrantes se juntaram à festa, as bandeiras da Argélia e da Tunísia andavam de par em par com a bandeira portuguesa nos festejos, numa clara afirmação da comunidade emigrante.

É sem dúvida emocionante ver os portugueses a afirmarem a sua cultura, a glorificarem as suas raízes, a não terem vergonha de se assumirem como portugueses e sentirem orgulho nisso.

Obrigada por todo o apoio que deram à nossa seleção, sem vocês não seria a mesma coisa, a festa não seria tão grande, a vitória não teria a mesma magia e não seria tão poética.

Mas agora peço-vos mantenham esse orgulho e esse espírito, especialmente quando regressarem a Portugal para passar férias, tragam esse orgulho português na bagagem.

Não se ridicularizam a falar francês aportuguesado, como se ninguém vos percebesse, não sejam mal-educados com a própria família e amigos, falem português em Portugal.

Não cometam a parvoíce de estarem a falar francês uns com os outros para depois berraram aos quatros ventos um calão carregado de palavrões quando o Jean ou Pierre estiverem a fazer asneiras. É ridículo. Ensinem a língua portuguesa aos vossos filhos e não só a parte da língua que não interessa a ninguém.

Se têm tanto orgulho em ser portugueses demonstrem-no quando estão em Portugal e parem de ser hipócritas.

Quem tem orgulho de ser português tem orgulho sempre e não só quando dá jeito.