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Língua Afiada

Nostalgia ou alegria?

Num momento de melancolia dei por mim a revisitar fotos antigas, o benefício das redes sociais é levarmos as nossas memórias para todo o lado e a qualquer momento podermos fazer uma viagem ao passado.

É interessante perceber como mudamos, mudanças físicas que acompanham o amadurecimento interior, percecionar como o tempo nos molda os pensamentos e nos esculpe o corpo e o rosto.

Adoro fotografar e ver o resultado, uma das maravilhas das novas tecnologias é conseguirmos tirar fotos a qualquer hora a todos os instantes, mas a facilidade retira encanto e paixão, é tão fácil tirar fotos que até nos esquecemos de as tirar, enquanto se perdem momentos na lente, retêm-se na retina da memória, os melhores não precisam de registo, ficam registados no coração.

Mas os registos fotográficos podem ser fantásticos, ao ver hoje algumas fotos tive desejo de entrar dentro delas e revive-las de novo, uma sensação incrivelmente boa e avassaladora, como se as fotos me atraíssem para elas como os espelhos mágicos dos contos.

Seria tão bom ter a capacidade de revisitar os melhores momentos das nossas vidas, vivê-los novamente, sentir todas as sensações de novo, deslumbrar-nos com a paisagem, sentir os aromas, ouvir os ruídos, sentir todas as emoções.

As fotos transportam-nos à felicidade do passado, fazem-nos recordar momentos com um sorriso nos lábios, esta sensação não é nostalgia, pode até ser saudade, mas acima de tudo pura alegria.

 

 

A beleza real no Calendário Pirelli

O fotógrafo alemão Peter Lindbergh foi o escolhido para realizar a 44ª edição do lendário calendário da marca Pirelli.

As protagonistas são 14 atrizes bem conhecidas: Jessica Chastain, Penélope Cruz, Nicole Kidman, Rooney Mara, Helen Mirren, Julianne Moore, Lupita Nyong'o, Charlotte Rampling, Lea Seydoux, Uma Thurman, Alicia Vikander, Kate Winslet, Robin Wright e Zhang Ziyi.

 

O título escolhido foi "Emocional" e Lindbergh garante que não é um calendário "sobre corpos perfeitos, mas sobre a sensibilidade e a emoção, desnudando a alma das protagonistas, que ficam mais nuas do que o nu” e diz que o objetivo é “lembrar a todos que existe uma beleza diferente, mais real e autêntica, e não manipulada pela propaganda ou outra coisa qualquer. Uma beleza que fala da individualidade, da coragem de ser quem se é e da sensibilidade”.

 

Na minha opinião, este é um dos mais belos calendários da marca porque se centra na pessoa e não na sua imagem, pelas imagens de divulgação percebe-se que o fotógrafo quis realmente fotografar a alma das protagonistas e é possível ver o seu carisma nas fotos.

Isto sim é beleza real de mulheres reais, totalmente diferente das parvoíces que nos têm andado a impingir, desde as campanhas de uma marca de beleza até aos modelos XLL, a beleza real vem de dentro e espelha-se no rosto.

Fotografias cruas, autênticas, despretensiosas, onde as formas são relegadas para segundo plano dando lugar à mensagem, à aura, à sensibilidade e à singularidade de cada uma das protagonistas.

 

A edição de 2016 já quebrou com a tendência, pessoalmente acho que este ano o calendário fica a ganhar pela elegância e pela demonstração de que não é preciso chocar para passar a mensagem.

 

Ações como esta fazem realmente diferença na mudança de mentalidades, há um longo caminho a percorrer contra a objetificação da mulher, sem dúvida que a Pirelli ao abdicar do seu calendário mundialmente famoso e reconhecido pela beleza e sensualidade das intervenientes é um passo gigantesco.

 

Parabéns Peter Lindbergh é preciso muita sensibilidade para captar a sensibilidade os outros.

 

Algumas das fotos:

 

 O vídeo do backstage: