Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Língua Afiada

O dilema de perder peso

Há poucas mulheres que conheço que não gostavam de perder uns quilogramas, mesmo que fosse em locais específicos, quase todas gostavam de tirar daqui e colocar ali, isto nada tem a ver com aceitar ou conviver com o seu corpo, é mais uma questão de querer estar na forma que julgamos ser a melhor para nós, que muitas vezes é utópica, mas nós somos sonhadoras e não há nada de mal com isso.

Quando a balança desce é toda uma alegria que muitas vezes é mesmo exteriorizada com pulos, gritos ou apenas com um sorriso de orelha a orelha, mas, salvo raras exceções, sentimo-nos felizes quando o número da balança diminui.

 

A felicidade é proporcional ao número de kg perdidos e a desilusão seguinte também.

Perdemos 2,3, 4, 10 kg que maravilha, sentimo-nos literalmente mais leves até olharmos para o roupeiro.

A nossa roupa teima em fazer o oposto de nós, encolhe quando esticamos e estica quando encolhemos e de repente não há uma única peça no roupeiro que nos assente bem.

Até aquele conjunto infalível que usamos quando não sabemos o que vestir nos fica mal.

 

Dilema seguinte correr a renovar o guarda-roupa ou esperar para estabilizar o peso?

E se compramos roupa nova e depois regressamos ao peso anterior?

Vale a pena gastar uma fortuna em roupa nova e gira que depois ficará a ganhar pó?

Manter o peso e a silhueta ao longo dos anos é o melhor caminho para poupar dinheiro e ter um guarda-roupa de qualidade, pois se o nosso peso é estável podemos investir em peças mais dispendiosas.

 

No meu caso fui ganhando uns kg com os anos e quando dei conta tinha mais 10kg do que devia, se nas partes de cima fui conseguindo manter quase todas as peças, o mesmo já não se passa com as partes de baixo que tenho de ir comprando conforme o peso.

Ao longo deste ano perdi 4kg e parece-me que nestas últimas semanas devo ter perdido mais 1 ou 2 ainda não me pesei, mas não preciso, não tenho um único par de calças de ganga que não me fique a nadar.

Se estou feliz?

Muito.

O problema?

Preciso de comprar roupa, especialmente calças e não sei o que fazer já que por um lado tenho receio de recuperar peso e por outro tenho receio de continuar a emagrecer.

 

Isto tudo acontece quando decidi de uma vez por todas comprar apenas peças de qualidade, tem sido uma luta, mas tenho conseguido, quase sempre, comprar apenas peças que preciso e com bons tecidos e acabamentos.

Enquanto o meu organismo decide se encolhe, estica ou estabiliza acho que terei de fazer a vontade ao marido e usar e abusar dos vestidos que sempre se adaptam melhor às flutuações de peso.

Devíamos todas ter um peso estabelecido, saudável, que nos fizesse felizes ao longo de toda a vida e não se falava mais nisso, seria tudo muito, mas mesmo muito mais fácil.

É preciso mais coragem para ir ou para ficar?

De um lado o sonho, do outro a realidade.

De um lado o desconhecido, do outro os factos.

De um lado a ilusão, do outro a consciência.

Ficar com o que conhecemos ou partir à descoberta do desconhecido?

Ter a coragem de recomeçar de novo…

Ou ter coragem de ficar e reinventar a realidade?

Entregar a saudade à adrenalina ou despedaçar o desânimo pela proximidade?

Dar uma oportunidade à sorte ou mudar a sorte à sorte dos dias?

É preciso coragem para ir.

É preciso coragem para ficar.

Aconteça o que acontecer podemos sempre voltar.

Aconteça o que acontecer podemos sempre partir.

Não são mais corajosos os que partem, não são mais corajosos os que ficam.

São corajosos todos os que cá ou lá lutam pela vida.

Nem todos os que partem são aventureiros, nem todos os que ficam são comodistas.

Não há vencedores, não há derrotados.

Não há heróis, não há vilões.

Há os que escolhem ir, há os que escolhem ficar.

É preciso coragem para ir.

É preciso coragem para ficar.

Blog a meio de uma crise existencial

Quando abri esta página em branco pensei que iria escrever sobre a minha falta de inspiração, mas será falta de inspiração? Poderia dizer que tenho escrito menos por falta de tempo, não estaria a mentir, é verdade que não tenho tido tempo para o blogue.

No entanto, falta de tempo nunca foi motivo, costumo delinear a maioria dos textos mentalmente e quando os escrevo, escreve-os num ápice, por isso tempo nunca foi grande problema.

 

Então qual é o problema?

O problema é que tenho vontade de escrever sobre coisas que não tenho desejo de partilhar aqui, pelo menos neste momento, tenho dois textos intensos, pessoais, íntimos no pensamento e enquanto esses dois temas não voarem para longe do meu pensamento não haverá grande espaço para pensar noutros.

Enquanto esses dois capítulos da minha vida não estiverem encerrados numa gaveta na minha mente, não há espaço para abrir outras gavetas.

Escrevo este texto não para me justificar, mas para me organizar, na esperança que escrevendo sobre o assunto ele se esgote.

Já várias vezes afirmei que escrevo este blog para mim, não para os outros, mas sendo ele público tenho de estar preparada para que seja lido e há coisas que ainda não estou disposta a partilhar com o mundo, por mais pequeno que o meu universo de leitores seja, o que está público, público está.

Começar um blog é fácil, dar-lhe continuidade é relativamente simples, saber que rumo, cunho e tom dar-lhe é bem mais difícil.

Poderia alimentar o blogue com breves pensamentos, com conteúdos interessantes colhidos em pesquisas em sites igualmente interessantes, poderia escrever sobre imensos temas práticos, sobre temas que recolhem aprovação junto do público, mas não foi para isso que criei este blog.

Criei este blog para escrever sobre o que me apetece, sobre o que me vai na mente, se isso interessa a quem está desse lado é apenas coincidência.

 

Sem inspiração ou sem vontade de partilhar?

Este blog atravessa uma crise existencial, não é de agora, há vários meses que não sei que rumo dar-lhe, vou escrevendo ao sabor do vento sem grande planeamento ou direção e isso irrita-me.

Porquê? Se é esse o seu propósito?

Porque quando não quero expor os meus pensamentos mais íntimos, não sei sobre o que escrever.

Tivesse o blog um rumo, um tema, um objetivo mais concreto seria bem mais fácil.

 

Para a próxima crio um blog de viagens ou de culinária para não ter dúvidas no alinhamento.