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Língua Afiada

Primeiro dia de escola

Não, não tenho fotos do primeiro dia de escola de filhos (até porque não tenho), sobrinhos ou afilhados!

Tenho 5m de atraso no trabalho por causa do trânsito!

E volto a escrever o que escrevi no ano passado por esta altura:

 

Mais uma foto do primeiro dia de aulas e corto os pulsos!

Ainda se tolera quando é efetivamente o primeiro dia na primária, mas se o vosso bebé vai para a quarta classe por favor toda a gente já sabe que a escola começa hoje, além disso que tal passarem o telemóvel ao miúdo ele é capaz de conseguir tirar uma foto mais focada.

Até parece que existe algum concurso especial de acesso à escola, como se a escola não fosse obrigatória e para todas as crianças.

Não me digam que há algum concurso de mochilas! Há?

É que se há perdem todos pela falta de criatividade, são todas basicamente iguais e servem todas para o mesmo, a diferença entre a mochila da Barbie e da Hello Kitty é apenas no tom de cor-de-rosa.

Seria de divulgar se o fosse filho tivesse com 6 anos entrado no ensino secundário ou que com 12 tivesse entrado no ensino superior, pois mas essas notícias chegam-nos normalmente da Índia.

Aguardam-se as fotos dos cadernos e do estojo na hora dos primeiros deveres de casa, não vale a pena perderem muito tempo também são todos iguais.

Não faltará muito para que publiquem fotos do primeiro cocó de um bebé.

Desconfio que algumas mães andem até a espiar os filhos para lhes gravarem o primeiro beijo na boca e restantes desenvolvimentos, é coisa para ficar catita no vídeo do casamento uns anos mais tarde.

 

Acrescento ainda este ano:

Vocês estão é todos felizes por os putos vos irem desamparar a loja não é?

Digam lá a verdade?

Aposto que alguns pais até vão almoçar a casa hoje.

 

O circo político, a moeda Sancho e a piada seca.

As promessas eleitorais são sempre um deleite, a par com os cartazes que fazem corar as pedras mais imundas e esburacadas da calçada são tão ridículas, tão megalómanas que são hilariantes.

 

A proposta do candidato do PS à Câmara Municipal da Guarda inclui no âmbito do conceito de Guarda cidade inteligente a criação de uma moeda local, que denominou por Sancho, que só circulará na Guarda.

"Uma moeda que todos nós vamos ter e que nos permite gastar [dinheiro] aqui e não gastar lá fora", explicou.

 

Como lá fora? Mas agora a Guarda é um país independente ou será um condado ou principado encabeçado por Dom Sancho?

Será o Dom Sancho Pança? Quem sabe o candidato seja uma espécie de Dom Quixote.

Se tivesse de criar uma moeda para essa grande nação que é o Porto, haveria de lhe chamar Sebastião, em honra daquele que despereceu no nevoeiro e nunca mais regressou, tal e qual as ideias utópicas que se dispersam sem se saber bem como e nunca, jamais, se implementam.

 

Na sede pelo poder pode-se ver um pouco de tudo, mas nestas eleições em particular os candidatos conseguiram fazer o que se julgava já impossível, fazer da política um circo ainda maior, números dignos de se apresentarem em Monte Carlo.

Como querem os partidos políticos restaurar a fé dos portugueses no sistema se permitem este circo? Onde nem os líderes políticos conseguem manter uma linha de pensamento por mais de dois anos seguidos? Para mudar de opinião basta saltar da cadeira e qual equilibrista rodar 180 graus numa inversão de pareceres, defendo com unhas e dentes o oposto do que defendiam antes.

 

Já somos governados por uma geringonça, não demora muito seremos governados por um empresário circense, já chamaram a António Costa ilusionista, diria que Sócrates é também ele uma espécie de mágico e Pedro Passos Coelho está mais para coelho que sai da cartola do que outra coisa, já que parece ter aparecido no palco sem saber para onde se virar, Catarina Portas é uma versão moderna da mulher de barba, Assunção Cristas é a malabarista que tenta estar em todas as frentes usando apenas as duas mãos para agarrar todos as maracas que consegue, Jerónimo de Sousa é o domador de unicórnios, tudo isto dirigido com mestria pelo grande intertainer Marcelo Rebelo de Sousa.

 

Pobres dos circos que em breve não terão expectadores, para quê pagar bilhete quando é possível assistir a um espetáculo circense de alta qualidade todos os dias e a qualquer hora, basta para isso procurar programas eleitorais, assistir a um debate ou discurso ou até ler notícias nos jornais, para os que gostam mais de imagens é procurar fotografias dos cartazes eleitorais, é um fartote de gargalhadas, melhor do que as charadas dos palhaços.

 

Só há um grande problema, no fim do espetáculo, a conclusão é sempre a mesma, a piada somos nós.

Portugal e o Mundo – A culpa é das Vaxxnas

O Governo quer-nos fazer acreditar que a dívida portuguesa diminui quanto efetivamente está a aumentar, entendo que os números se tenham de apresentar em percentagem do PIB, mas uma contextualização seria adequada.

O que irá acontecer quando as dívidas se tornarem incobráveis? O passado recente já tem a fórmula, o povo pagará.

Mas o otimismo faz bem, as pessoas andam felizes, vamos deixa-las felizes que estamos em campanha eleitoral e depois logo se verá.

 

O PCP condenou o Governo por não reconhecer a Assembleia Nacional Constituinte da Venezuela.

É uma "atitude de respeito pela soberania da Venezuela e da sua ordem constitucional e não a contribuição para alimentar atos de ingerência que, indisfarçadamente a administração norte-americana e a própria União Europeia prosseguem", que ajudará a "assegurar a normalização da situação" no país, lê-se no comunicado.

Este é o problema dos partidos nos extremos a incapacidade de uma leitura isenta da realidade, para o PCP parece valer tudo para que um regime da sua ideologia não caia, mesmo quando esse regime não cumpra minimamente os preceitos da ideologia e que ameace constantemente a democracia.

 

Portugal foi assolado por mais uma tragédia, duas mortes por via de uma aterragem forçada na praia, não consigo sequer imaginar a dor e o desespero das famílias das vítimas, especialmente da menina de oito anos, uma dor pela qual nenhum pai deveria passar.

Os portugueses são rápidos a julgar, primeiro alvo da fúria - o piloto, segundo alvo da fúria? O pai da menina.

Gostava muito de ser como estas pessoas que se conhecem tao bem que até sabem como iriam reagir numa situação similar, mais do que saberem como reagiriam ainda têm autoridade para dizer como os outros se devem sentir e exprimir.

Devem ser um poço de sapiência e tranquilidade estas pessoas que sabem sempre o que fazer e o que dizer, mas Deus nos livre de ouvirem a palavra vagina, saltam-lhe os olhos e desatam a escrever disparates nas redes sociais, a culpa não é delas é da vagina.

 

E analisando bem as culpadas disto tudo são as vaginas*, não irei elaborar, mas pensem em Sigmund Freud e já terão uma ideia.

 

*Vaginas não é sinónimo de mulheres, só para esclarecer.