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Língua Afiada

Estou solidária com quem não gosta de festas (casamentos, batizados, etc.)

Esta semana finalmente tive tempo para organizar a contabilidade do mês de Agosto, qual não é o meu espanto?

A minha conta bancária foi de férias e eu não!

Lembram-se de ter tido que tinha uma amante de gostos requintados?

A destrambelhada* depenou-me a conta.

Eu gosto muito de festas, a sério que gosto, mas espaçadas por favor, com intervalos de tempo que nos permitam recuperar a linha e conta bancária.

Espero tão cedo não ter um mês assim, é que se juntou tudo, festas, aniversários, compras, arranjos do carro, seguros, despesas e mais despesas.

 

*Perdoem-me o sexismo, mas as amantes femininas é que têm fama de depenar os homens casados e este não é um post sério.

O que é stress madrinha?

O que é stress madrinha?

Perguntou-me uma vez o meu afilhado, deveria ter uns 4 anos na altura e eu pela primeira vez não tive uma resposta imediata, pois é difícil explicar um conceito tão vasto e tão complicado, mas lá lhe disse que era quando as pessoas estavam muito cansadas porque tinham muitas coisas para fazer, pouco tempo, muitas responsabilidades e que sentiam stressadas quando não conseguiam fazer tudo.

Não foi a melhor explicação mas ele percebeu e quando alguma coisa não corria como ele queria começou a dizer, ainda hoje diz – Que stress!

 

O stress dele é ligeiramente diferente do dos adultos, mas não deixa de ser stress, a sobrecarga que colocam nos miúdos é incrível, seja porque têm dias preenchidos numa rotina desenfreada, seja pela pressão pelo sucesso escolar e nas atividades extracurriculares.

Acredito que muito do stress das crianças lhes é transmitido pelos pais, o stress é contagioso, se estamos muito tempo num ambiente de stress acabamos por sentirmo-nos stressados, ansiosos, o contrário também é verdade, um ambiente descontraído e relaxante faz com que sejamos mais descontraídos.

Encontrar um ambiente relaxado com pessoas relaxadas nos dias de hoje é quase impossível, com a exceção dos períodos de férias, a maioria das pessoas vive em estado permanente de stress.

 

Porquê?

Porque a sociedade e nosso modo de vida fazem com que assim seja.

Trabalhamos demasiadas horas, muito mais do que as 8 horas previstas no contrato de trabalho, seja porque ficamos até mais tarde, seja porque levamos o trabalho para casa, estamos contactáveis 24h por dia, durante os 7 dias da semana, por telemóvel e por e-mail.

Alguém nos paga essa disponibilidade? Em 99% dos casos não, mas mesmo que nos pagassem, compensaria?

Não.

Se já é difícil fechar a porta do escritório e desligar do trabalho, daquela reunião que temos de preparar, daquele problema que temos de resolver, como conseguimos desligar se a qualquer momento podemos ser interrompidos por uma mensagem do trabalho, uma que nos faça sair da mesa de jantar a meio da refeição, colocando aquela emergência acima de tudo o resto.

Não é possível, quando estamos sempre ligados ao trabalho, não conseguimos desligar totalmente, é uma espécie de stand by, consome menos recursos, mas consome sempre alguns e basta carregar num botão, neste caso uma chamada ou e-mail, para ligarmos imediatamente a 100%, sem pré-aquecimento, sem compasso de espera.

Este estado de alerta permanente não nos deixa verdadeiramente desligar e isso faz com que não desfrutemos dos momentos de lazer, com que não consigamos relaxar e descontrair, pois há sempre uma possibilidade, mesmo que ínfima, de sermos contactados.

 

Vivemos apressados, sempre com pressa, urgência de chegar a um lugar, no trabalho, a maioria das pessoas trabalha sob pressão de prazos, objetivos, com margens mínimas para erro e sem perdão para derrapagens nas datas-limite.

O chamado “deadline” porque prazo limite não é suficiente, importamos um termo que carrega em si a palavra morte, bem sabemos que é uma morte figurada, mas que representa muitas vezes a morte de emprego ou até de uma carreira.

Fala-se muito de qualidade de vida, trabalha-se para ter uma vida melhor, dar uma vida melhor aos filhos, entenda-se ter mais bens e mais objetos de luxo, permitir dar tudo o que os filhos necessitem e queiram, de preferência colégios e universidades reputadas e muitas atividades extra.

 

Mas será isso ter qualidade de vida?

Valerá o esforço de não ter vida própria?

Temos cada vez mais luxos e confortos, mas temos cada vez menos o conforto básico de termos tempo para nós, para fazermos o que bem entendemos sem dar satisfações a ninguém, o luxo de desligarmos do mundo sem tentativas de interrupções e pedidos de satisfações.

Até a qualidade do sono diminui, os avanços da medicina permitem-nos tratar doenças e outrora impensáveis, para quê? Para chegarmos à velhice acabados e desgastados de tanto stress, de tanta pressa, para dizermos aos mais novos – vive devagar se viveres depressa a vida também passará depressa.

 

Hoje temos 20 anos, um dia acordamos com 30 e quando menos esperamos estamos nos 60, cansados, fartos de uma vida de trabalho, mas a fazer um esforço para cumprir os anos mínimos para reforma, uma reforma que de dourado só terá o nome, porque as diversas maleitas causadas por anos a fio de noites mal dormidas, refeições rápidas e pouco saudáveis, rotinas impensáveis e stress diário tirarão qualquer brilho aos anos merecidos de descanso.

 

O que é stress madrinha?

Hoje responderia simplesmente:

- É a vida meu amor, é a vida.

A surpreendente boa disposição de sexta-feira

Não há grandes planos para este fim-de-semana, reconfortante saber que não existirão correrias para chegar a algum local a tempo.

A casa esta organizada, finalmente, haverá sempre algo a tratar, há sempre, mas nada de extraordinário.

A semana serviu para reorganizar algumas ideias, direcionar o foco para o que é importante e estabelecer a agenda até ao final do ano.

 

Na quarta-feira à noite tive uma espécie de colapso durou apenas alguns minutos, o tempo suficiente para me recordar que tristezas não pagam dívidas, azares toda a gente os tem, a minha espinha dorsal não me permite vitimizar-me por muito tempo, não fui feita para lamúrias.

As lágrimas limpam a alma, lavam as angústias e dão lugar a uma reconfortante esperança, afinal na vida nem tudo é mau, nem tudo é bom, é sempre uma mistura dos dois, quando a balança tende para o negativo, faz-se um esforço para a equilibrar.

 

Não me tenho sentido na minha pele, mas hoje surpreendentemente acordei com mais energia, nem o tempo mais cinzento encobre a centelha que me brilha nos olhos.

Não ficou magicamente tudo bem, a vida não se resolve num dia, mas as ideias arrumaram-se e renovei a crença que o que não se pode mudar aceita-se, convive-se com isso, temos de nos adaptar, afinal adaptação é sinal de inteligência.

 

Um eco profundo tenta dizer-me que esta súbita boa disposição e força podem ser enganadoras, não lhe dou ouvidos, a energia chegou e veio para ficar porque quero que fique.

Para esta mudança contribuiu sem dúvida a capacidade de rir da desgraça, peripécias que deixarei para contar mais tarde, as gargalhadas têm um incrível poder revigorante.

 

Tudo o que preciso agora é de encontrar um equilíbrio entre trabalho e descanso, necessito organizar melhor o meu tempo, ter momentos para desligar e aproveitar as horas de lazer intensamente.

Uma mudança não se dá com o virar do dia, é um processo que começou lentamente esta semana, mas que tem tudo para acelerar até que tudo esteja no seu devido lugar.

 

É sexta-feira, é dia de sorrir, pois o fim-de-semana está à porta, aproveitem, para passear, para descansar, para sorrir, para gargalhar, para viver intensamente.

 

Bom fim-de-semana.