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Língua Afiada

Uma manhã de sexta e planos para o fim-de-semana.

Acordo a pensar nas prioridades do dia, se ligo primeiro para o fornecedor X ou se encomendo a peça do fornecedor Y, oriento o dia com o cérebro ainda a meio vapor, por entre a névoa do olhar ensonado percebo que tenho de passar a blusa a ferro, poderia escolher outra, mas tenho uma reunião e não tenho tempo para escolher outro coordenado e não posso vestir propriamente a primeira peça que encontro.

Oriento-me para esticar os minutos cronometrados que tenho para me arranjar, tenho uma borbulha daquelas impossíveis na face, sei que não devia, mas rebento-a na esperança que desvaneça, reduziu tapo-o com maquilhagem.

Maquilho-me, ao calçar-me percebo que os botins não ficam bem, busco outros, martirizo-me por não ainda não ter substituído o calçado de verão pelo de inverno, calço outro par, corro apressada para o casaco, qual?

Impossível tantos casacos e falta-me sempre o que preciso, o vermelho pisca-me o olho, ainda não me sinto totalmente confortável de vermelho, mas acabo por o vestir, preparo o lanche e o almoço e voo para o carro.

 

Na viagem revejo novamente o dia e preparo até o dia seguinte, tento encontrar nos espaços das tarefas obrigatórias espaço para as facultativas, desdobro-me em ideias e saltito de uma para outra sem terminar nenhuma.

A preocupação deu lugar à imaginação e a ansiedade deu lugar é euforia, regozijo-me está tudo encaminhado e é essa certeza que me faz vibrar e apaixonar de novo pelo projeto.

E os outros projetos? É uma identidade gráfica é uma estratégia comercial, tudo para tratar durante o fim-de-semana.

 

Está sol e sorrio, será de ser sexta?

Será da energia do casaco vermelho? As cores fortes alegram-me.

 

Canto, pela primeira vez emociono-me com uma música nova, que aproveito para dedicar a ti, que por entre os meus impulsos e devaneios és a minha âncora, o meu porto seguro.

É sexta, tenho trabalho para o fim-de-semana, mas o plano principal é passear e namorar sob a paisagem de outono ao som de:

 

PavorWikipedia: Pavor is a German technical death metal band, formed in 1987. The band has released two albums in a twenty-year career and have chosen to be independent all that time.

Estar a 50% quando se precisa de 100%

Há uma semana que ando constipada, sempre a fungar, com o nariz vermelho, nos primeiros dias senti também dores no corpo, mas passaram e fiquei feliz por ser apenas uma constipação.

Com as poeiras que existem no ar, mais uma consequência nefasta dos incêndios, é muito mais difícil curar a constipação quando se aliam sintomas alérgicos.

Achava que estava melhor, mas hoje acordei a espirrar e durante o dia tenho-me sentido estranhamente quente e com a garganta muito seca.

Isto pode ser tudo sugestão por ter estado a conversar sobre a virose que tem assolado família e amigos, a conversa é bem capaz de ter influência no facto de eu achar que piorarei antes de melhorar, mas a verdade é que sempre que é necessário eu estar a 100% é quando adoeço, não é a primeira, nem a segunda vez, aliás é mais frequente do que é normal, já que nem fico doente muitas vezes.

Ontem cheguei a casa estafada, a confeção de uma simples refeição exigiu um esforço de coordenação muito maior do que o habitual, hoje sinto-me igualmente cansada e há ainda tanto que queria fazer hoje.

Tenho-me socorrido de listas, estabelecido prioridades e tentado organizar para rentabilizar o tempo, mas vejo o tempo escapar-me pelos dedos, como o que estou a “perder” a escrever este desabafo.

Isto já não é acumular de cansaço e de trabalho, é mesmo sentir-me em baixo de forma e ter necessidade de descansar e dormir mais, quando precisava de estar no máximo o organismo resolveu constipar-se, ninguém merece.

Ninguém deveria nunca adoecer, mas a ter de adoecer nunca deveria acontecer quando precisamos de estar no nosso melhor e a operar a 1000%.

Para ajudar? O Moralez também esta adoentado, porque lá em casa anda sempre tudo aos pares.

Oh vida que tal uma trégua?

Uma pausa? Só assim vá, 2 meses sem problemas de maior que permitam respirar, descontrair e organizar.

Resolver um problema depois de já ter outro para resolver é irritante.

Quero uma pausa.

O dilema de perder peso

Há poucas mulheres que conheço que não gostavam de perder uns quilogramas, mesmo que fosse em locais específicos, quase todas gostavam de tirar daqui e colocar ali, isto nada tem a ver com aceitar ou conviver com o seu corpo, é mais uma questão de querer estar na forma que julgamos ser a melhor para nós, que muitas vezes é utópica, mas nós somos sonhadoras e não há nada de mal com isso.

Quando a balança desce é toda uma alegria que muitas vezes é mesmo exteriorizada com pulos, gritos ou apenas com um sorriso de orelha a orelha, mas, salvo raras exceções, sentimo-nos felizes quando o número da balança diminui.

 

A felicidade é proporcional ao número de kg perdidos e a desilusão seguinte também.

Perdemos 2,3, 4, 10 kg que maravilha, sentimo-nos literalmente mais leves até olharmos para o roupeiro.

A nossa roupa teima em fazer o oposto de nós, encolhe quando esticamos e estica quando encolhemos e de repente não há uma única peça no roupeiro que nos assente bem.

Até aquele conjunto infalível que usamos quando não sabemos o que vestir nos fica mal.

 

Dilema seguinte correr a renovar o guarda-roupa ou esperar para estabilizar o peso?

E se compramos roupa nova e depois regressamos ao peso anterior?

Vale a pena gastar uma fortuna em roupa nova e gira que depois ficará a ganhar pó?

Manter o peso e a silhueta ao longo dos anos é o melhor caminho para poupar dinheiro e ter um guarda-roupa de qualidade, pois se o nosso peso é estável podemos investir em peças mais dispendiosas.

 

No meu caso fui ganhando uns kg com os anos e quando dei conta tinha mais 10kg do que devia, se nas partes de cima fui conseguindo manter quase todas as peças, o mesmo já não se passa com as partes de baixo que tenho de ir comprando conforme o peso.

Ao longo deste ano perdi 4kg e parece-me que nestas últimas semanas devo ter perdido mais 1 ou 2 ainda não me pesei, mas não preciso, não tenho um único par de calças de ganga que não me fique a nadar.

Se estou feliz?

Muito.

O problema?

Preciso de comprar roupa, especialmente calças e não sei o que fazer já que por um lado tenho receio de recuperar peso e por outro tenho receio de continuar a emagrecer.

 

Isto tudo acontece quando decidi de uma vez por todas comprar apenas peças de qualidade, tem sido uma luta, mas tenho conseguido, quase sempre, comprar apenas peças que preciso e com bons tecidos e acabamentos.

Enquanto o meu organismo decide se encolhe, estica ou estabiliza acho que terei de fazer a vontade ao marido e usar e abusar dos vestidos que sempre se adaptam melhor às flutuações de peso.

Devíamos todas ter um peso estabelecido, saudável, que nos fizesse felizes ao longo de toda a vida e não se falava mais nisso, seria tudo muito, mas mesmo muito mais fácil.