Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Língua Afiada

Paradoxo da Vida – A Morte

Passamos a vida a fazer planos, a organiza-la para alcançar metas e sonhos, delineamos objetivos e traçamos o caminho para lá chegar.

Na esperança de cumprir um sonho ou de garantir o futuro adiamos muitas vezes a vida, porque sabemos que é melhor prevenir agora do que nos vermos remediados ou aflitos no futuro.

Temos imenso medo da morte, a morte pode ser até considerada assunto tabu, é difícil pensar na própria morte e no que isso significa.

 

Eu, penso desde cedo, penso no que aconteceria às pessoas que amo e me rodeiam se eu morresse, penso quem sentiria a minha falta e penso no que eu perderia do tempo com elas, é uma sensação agoniante pensar em tudo o que poderíamos perder.

Não fazemos ideia do que o futuro nos reserva, mas só a noção da falta de um futuro dá-nos um aperto no estômago, não saber, não estar, não viver, não é uma sensação que queiramos sentir.

 

Se sentimos tanto receio da morte, se não sabemos quando ela chegará, porque não aproveitamos nós o presente e pensamos tanto num futuro que não sabemos se existirá?

 

Se hoje alguém vos dissesse irás morrer daqui a um ano, o que fariam?

Continuariam a viver a vida exatamente da mesma forma?

Mudariam completamente a forma de ver o mundo?

Tentariam cumprir algum sonho?

Teriam desculpas a pedir?

Teriam algum perdão a conceder?

Olhariam para a vida com outros olhos?

 

É difícil calçarmos os sapatos de uma pessoa que sabe quando a sua vida terminará, temos a vaga ideia que tentará fazer as pazes com a vida e com o mundo, é o que é esperado, tentará cumprir promessas e sonhos e quem sabe até realizar aquele sonho que parecia impossível.

Se temos noção do que faríamos nessa posição, porque não o fazemos todos os dias?

Afinal não sabemos se amanhã estaremos vivos, quando adormecemos nunca sabemos se acordaremos no dia seguinte, todos os dias são uma dádiva, quantos deles aproveitamos como se fossem o último?

 

Este assunto tem-me assolado a mente diversas vezes nos últimos tempos, talvez porque por razões maiores, a minha vida esteja numa espécie de suspensão.

Acredito que a nossa passagem pela vida e por este mundo, havendo ou não outro, deve deixar uma marca positiva, não precisamos de descobrir a cura para uma doença rara para darmos sentido à vida, basta contribuir para que a vida de quem nos rodeia seja melhor.

 

Com este pensamento positivo e com esta visão otimista da vida, acredito que podemos ser felizes todos dos dias ao proporcionarmos felicidade aos outros, por isso proponho a mim própria começar cada dia como se fosse o último.

Não será preciso cometer nenhuma loucura, cumprir um sonho ou ser inconsequente, basta encarar a vida com otimismo, stressar menos, sorrir mais, cantar mais, conversar mais, partilhar mais, ajudar mais, amar mais, viver mais as coisas boas que a vida nos dá.

 

Todos os dias assistimos a pequenos milagres, só temos de nos deixar maravilhar por eles, como uma criança que vê o mar pela primeira vez, devemos olhar para a vida com espanto, surpresa, admiração, deslumbre e agradecimento.

Acabemos com o paradoxo da vida de temer a morte, mas desperdiçar a vida.

Inércia e Felicidade

Preguiça, indolência, irresponsabilidade, tudo palavras que me cruzam o pensamento quando penso nos últimos dias, tenho sido assolada por uma violenta vontade de estar quieta física e mentalmente, deixar-me absorver por nada, sossegada.

Não fossem os fins-de-semana de festa e agitação, estaria já em letargia.

Vou desempenhando as funções em modo automático, arrastando o tempo pelo tempo.

 

Esta semana disse basta!

Não nasci preguiçosa, não será agora que vou começar a ser.

Tenho consciência que não se trata de preguiça e que esta inércia tem motivos, mas isso não significa que me deixe arrastar por ela.

 

Contra a inércia movimento-me mesmo sem vontade, para isso tenho planeado melhor os meus dias e tenho-me obrigado a tratar das tarefas mais aborrecidas tanto no trabalho como em casa.

Tem sido um esforço contínuo, luto constantemente contra o cansaço e contra a falta de concentração.

 

Nunca na vida pensei fazer depender a minha vida de um objetivo, mas neste momento sinto que tenho a vida em suspenso, talvez um dia escreva sobre isso, talvez necessite escrever para me libertar, escrever sempre me ajudou a encontrar um equilíbrio.

Acredito que acima de tudo a felicidade é uma questão de atitude, não sei se ao escolhermos conscientemente a felicidade estamos realmente a ser felizes, mas tenho a certeza que devemos escolher a felicidade todos os dias, viver é todos os dias.

 

Parece contraditório, mas não é, é sempre melhor uma escolha consciente do que o acaso, mas o que é ser feliz todos os dias?

É prezar o que damos como garantido, certo, que não apreciamos devidamente e só quando nos falta é que valorizamos, aprender a valorizar as pequenas coisas todos os dias é o segredo da felicidade.

 

Vale a pena colocar toda a nossa vida em suspenso?

Não.

Independentemente do sonho, do desejo, do objetivo, não podemos fazer duas coisas:

- Concentrarmos todas as energias num só propósito.

- Deixarmos que um fracasso transforme toda a nossa vida numa derrota.

 

Se é fácil, nunca ninguém disse que a vida seria fácil, somos seres complexos nunca poderíamos viver sem complexidade.

O que torna a vida mais fácil? Estarmos rodeados das pessoas certas e termos saúde, costumamos atirar ao ar os ditos populares, mas a verdade é que a saúde é o bem mais importante que temos.

 

Como combater a inércia que se abate sobre nós?

Com movimento, caminhando em frente com a cabeça erguida, temos de escolher andar enquanto temos esse poder, parar é morrer, por isso ando, caminho, fisicamente e mentalmente até entrar no ritmo, na cadência normal dos meus dias agitados e dos pensamentos fervilhantes.

Há sempre algum lugar onde chegar, só que por vezes para lá chegarmos temos de percorrer o caminho mais longo e devagar para não tropeçar.

Se gostava de correr? Adorava, mas neste momento vou dando pequenos passos, um pé na frente do outro, com calma lá chegarei.

Até lá chegar existem um sem fim de dimensões na vida a serem vividas, exploradas e valorizadas, é só estar com atenção.

O sonho comanda a vida, mas o poema não diz que é só um sonho, podem ser todos os sonhos que sonhamos.

 

Depois do São João a segunda-feira é difícil

Depois de um grande fim-de-semana que foi de dois dias, mas parece que foi de três, a segunda-feira é difícil.

 

Na sexta saímos do trabalho e só deu tempo de trocar as sandálias pelas sapatilhas e rumar ao São João no Porto.

Escolhemos ir de comboio, a CP disponibilizou bilhetes pelo preço especial de 2€ ida e volta, infelizmente não fomos a tempo de apanhar a promoção, mas num dia em que o Porto é 100% confusão o melhor é mesmo optar pelos transportes públicos.

 

Não tínhamos marcado jantar, uma loucura, mas nós gostamos de arriscar tudo e apesar do São João pedir sardinhas nós optamos pela francesinha e um dos restaurantes mais complicados de jantar no Porto, estava com filas de espera bem mais pequenas que o normal, jantamos no Lado B – A melhor francesinha do mundo, não sei se será a melhor, mas é muito boa, apesar de na sexta estar um bocado mais picante do que o habitual.

 

Terminado o jantar era hora de escolher o melhor spot para ver o fogo-de-artifício, não foi fácil, eu quero sempre ir para o melhor local possível e fomos das Fontainhas para a Sé e da Sé começamos a descer as escadinhas à procura de uma varanda com boa vista, fomos descendo até chegarmos à Ribeira e a 30m da meia-noite conseguimos subir para a muralha e ter uma das melhores vistas para a ponde D. Luís e para o rio Douro.

Foi uma pena o atraso do fogo, numa total falta de respeito pelas autoridades e pelos milhares de pessoas que aguardam a sessão de fogo, alguns barcos cruzaram os limites de segurança. Mas valeu a pena a espera, mais uma vez o fogo não desiludiu, há vários anos que não tinha coragem de ir para a confusão da Baixa no São João, já tinha saudades do espírito que se vive nas da cidade, do som dos martelos, dos arraiais, do convívio e boa disposição contagiantes.

Do que eu não tinha saudades era das situações degradantes, pessoas em estado alcoolizado é normal, é frequente, mas estava longe de imaginar assistir a um cenário tão insólito, homens a urinar em todo lado, nem sequer era nos cantos era em todo lado e mulheres, mulheres que baixavam as calças e subiam as saias e ficavam ali com as partes íntimas expostas para se aliviarem no meio de dezenas de estranhos, todos eles na posse de telemóveis com câmara fotográfica.

Nem na Queima das Fitas vi isto a acontecer.

Existiam alguns WC’s portáteis espalhados pela cidade, mas claramente insuficientes para a multidão que invadiu as ruas, pois às 20h da noite já era impossível passar ao seu lado, tal era o cheiro que emanavam. Uma pena um Festa tão bonita ser estragada pela falta de condições de higiene.

 

Questões sanitárias à parte o São João continua a ser a noite mais longa do ano, onde a folia toma conta de nós e não há cansaço que nos assista, andam-se km, pula-se, canta-se, trocam-se palavras, sorrisos e gargalhadas com desconhecidos como se fossem amigos de infância.

É uma noite sem ímpar e a noite este ano esteve perfeita, amena, sem calor e sem frio, com céu estrelado como se quer, faltaram os balões, viram-se alguns à rebeldia, mas faltou a magia das centenas de balões a iluminar o céu, mas no meio de tanta festa, foi detalhe sem relevância.

 

No dia 24 decidimos ir conhecer o São João de Sobrado, conhecido pela guerra entre Bugios e Mouriscos, é uma festa diferente onde os coloridos trajes tracionais marcam a diferença, é uma festa um pouco arriscada, pois é fácil sermos sujos pelas personagens mascaradas e até deitados ao chão, há que manter uma distância razoável para assistir aos desfiles e às lutas.

Estivemos pouco tempo e não assistimos aos principiais cortejos e encenações, mas para o ano conto voltar para ver com mais detalhe o desenrolar da história que recria a guerra entre Mouros e Cristãos, podem saber mais sobre esta tradição aqui.

 

 

 

 

Bugios em descanso #sãojoão #sobrado #party #portugal 🇵🇹 #portugalcomefeitos #instaphoto #instagood #instagram #bestoftheday #tradicion

Uma publicação compartilhada por Língua Afiada (@linguafiadablog) em

No Domingo o dia foi passado em família e durou mais do que o desejado, estivemos o dia todo fora de casa e quando me deitei estava exausta, escusado será dizer que acordei igualmente exausta, agora tenho de recuperar as horas de sono e o cansaço durante a semana, porque o próximo fim-de-semana promete ter o mesmo nível de festa.