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Língua Afiada

Os 2700€ da polémica

A mais recente polémica é a situação hipotética que Miguel Sousa Tavares colocou ao Primeiro Ministro António Costa, MST procurou explicar que um jovem mesmo que ganhasse 2700€ num primeiro emprego ganharia na realiade apenas 1400€ e que se a esse valor retirasse o valor da renda, 1000€ para um apartamento em Lisboa, seria forçado a viver com 400€.

O que é que uma grande parte dos portugueses retiraram desta situação hipotética?

- Que MST é uma alienado que não faz ideia de quanto ganham os portugueses.

- Que ninguém ganha esse valor em ínicio de carreira e para muitos ainda bem que não ganham, porque mesmo sendo altamente qualificados não merecem.

- Que as rendas no resto do país não são tão altas como em Lisboa e que existe mais Portugal para além da capital.

 

Infelizmente ninguém percebeu que:

- Mesmo com um ordenado irreal de 2700€ é impossível uam pessoa viver sozinha em Lisboa e esta realidade começa a alargar-se a outras cidades.

- Que a carga de fiscal sobre os ordenados é absurda.

- Que os portugueses não ganham o suficiente para terem qualidade de vida.

Estas conclusões não em surpreendem, somos peritos a nivelar por baixo, talvez por termos o socialismo entranhado no nosso sistema mesmo sem nos apercebermos, um peso cultural que nos puxa para baixo, desdenhamos de quem tem, em vez que admirarmos as conquistas e procurarmos seguir os exemplos, é sempre melhor invejar, menosprezar, relativizar e encontrar motivos pouco dignos para justificar o sucesso dos outros.

Mentalidade pequena e míope, a mesma que acha que devemos retirar direitos aos funcionarios públicos, em vez de os estendermos a todos, sou a primeira a apontar as desigualdades, mas o caminho não é retorceder nas regalias de quem tem mais, mas sim alarga-las todos.

O MST Tavares até poderia ter dado um exemplo com um ordenado mais pequeno, o jovem continuaria a não conseguir viver sozinho, o exemplo de um ordenado desfasado da realidade foi precisamente para as pessoas perceberem que não é só uma questão de ordenados, é uma questão de impostos e de sistema.

António Costa fugiu à questão, refugiou-se no exemplo irreal e os portugueses seguiram o mote, em vez de perceberem a ironia.

António Costa ri-se de nós, em horário nobre e nós ainda concordamos com ele.

Surpresa! Portugal tem um problema de natalidade! Deixem-me rir

E porque é que só se preocupam com isso agora quando já receberam sucessivos avisos sobre esta problemática? Há décadas que andam a ser alertados.

Os diversos partidos políticos em vez de fazerem política porque é que não fazem alguma coisa de útil e se unem para realmente mudar este panorama?

Não são precisos estudos para perceber porque é que em Portugal não existem mais nascimentos, nem sequer é preciso pensar muito, basta ter dois dedos de testa e apesar de esta realidade ser avassaladoramente triste revela algo positivo, que os portugueses têm cada vez mais consciência do que é e o que custa ter um filho.

Não é preciso estudar medidas, é preciso implementa-las urgentemente.

-Alargamento da licença de paternidade, a ambos os pais, chega de discriminação, só assim as mulheres não sentirão que estarão sempre a optar pela carreira ou pelos filhos, primeiro mês dois progenitores, mãe até aos 7 meses, pai dos 7 meses aos 12 meses, redução de horário laboral de 2h para ambos até aos 2 anos de idade, não estou a exigir muito o ideal seria acompanhar a criança a tempo inteiro no mínimo até aos 2 anos.

- Redução do horário laboral para 7h a todos os empregos públicos e privados para garantir uma melhor conciliação entre vida profissional e familiar.

- Creches e infantários gratuitos com horários compatíveis com os horários laborais, não adianta o infantário ser gratuito se depois é necessário pagar prolongamento.

- Subsídio mensal, abono, de acordo com as despesas reais dos pais, os valores que usam para os cálculos são absurdos e estão completamente desalinhados com o custo de vida real.

- Reforma do sistema educativo, não estamos a formar máquinas estamos a formar pessoas, é imperativo acabar com os diplomas de mérito e com a corrida às explicações particulares que só causam desigualdades, estas devem ser substituídas por aulas de apoio a alunos que apresentem dificuldades.

- Incorporar no sistema de ensino mais atividades que estimulem competências sociais e criativas, desportos diversos, música, teatro, artes-plásticas, escrita criativa, experiências científicas.

- Sistema de ensino adequado às necessidades do aluno e não a atual forçosa adaptação do aluno ao sistema.

- Alterações no sistema laboral, fim dos estágios não remunerados e limitação dos estágios profissionais, há empresas que usam e abusam deste sistema para terem a custo reduzido mão-de-obra altamente qualificada que nunca é integrada nas empresas.

- Sistemas de incentivos às empresas que promovam melhores condições de trabalho, que tenham planos de carreira para os seus colaboradores e que promovam uma relação saudável entre trabalho e lazer.

- Incentivos fiscais relevantes para famílias com filhos, proporcionais ao número de filhos.

 

Existe ainda o problema dos salários em Portugal, mas aqui a questão é mais complexa, pois o simples aumento do salário mínimo agrava mais do que resolve, viu-se no último aumento que só serviu para retirar dinheiro às empresas para pagarem mais impostos, sendo o rendimento líquido impercetível, quando a medida gerou um aumento significativo do custo de vida.

Aqui é preciso traçar uma estratégia a longo prazo, temos de modificar o nosso tecido empresarial, não podemos ser um aglomerado de micro, pequenas e médias empresas que se limitam a produzir sem pouco valor acrescentarem, é necessário apostar em tecnologia e produtividade parar sermos competitivos e para conseguirmos crescer sem basear o crescimento numa política de baixos salários.

É preciso criar pontes entre o ensino e as empresas, é preciso dar formação aos patrões para uma visão orientada para a gestão.

É imperativo controlar e fiscalizar os investimentos dos fundos europeus e aloca-los ao que realmente importa e a projetos que acrescentam valor, investir em marcas e em marketing.

Como arranjar fundos para as medidas propostas? Acabem com a corrupção, com o compadrio e executem as dívidas a quem deve milhões e deixem de salvar empresas privadas que estão para além de salvação.

Talvez num país mais justo, menos corrupto e que valorize a família, as pessoas tenham mais vontade de ter filhos.

Misoginia – Não é um fantasma inventado pelas feministas

Sinto-me uma preocupada no meio da despreocupação, a minha preocupação prende-se com o avançar inacreditável de ideias extremistas de direita, fascismo, racismo, misoginia e xenofobia.

Ideais que tiverem uma injeção de combustível dada pela pandemia, que só agora começou a ser gasto, nos próximos anos viveremos uma época de euforia e descontrolo que provavelmente culminará com uma crise financeira que será a cereja no topo do bolo para o fascismo se impor.

Enquanto não estão criadas todas as condições para que isso aconteça, chegam-nos notícias de todo lado sobre abusos e discriminação.

As mulheres são vítimas da sua própria falsa moralidade, quando são as primeiras a defenderem os agressores e a culpabilizarem as vítimas.

Dois casos em que os comentários me enojam e assuntam:

"Humilhação". Mulheres-soldado a marchar de saltos-altos causam fúria na Ucrânia

Colocar mulheres a marchar de saltos é uma afronta, é uma total discriminação e é uma estupidez, nem sei como é possível isto estar a acontecer num país supostamente democrático.

Aluna impedida de realizar exame por estar "muito destapada"

Os comentários são brejeiros e machistas, sendo que muitos são provenientes de mulheres, mulheres que possivelmente ainda acham que estarem tapadas as salvará de predadores sexuais, se assim fosse as mulheres que usam burkas estariam a salvo e o que se verifica é precisamente o contrário.

Não sei como estaria vestida a aluna, mas de certeza que não estaria em biquíni ou trajes menores, e se estivesse? Isso faria dela pior aluna? Pior pessoa?

É claro que devemos adaptar a nossa indumentária ao local onde estamos, mas uma sala de exame de uma faculdade não é um santuário, a instituição tem dress code? O dress code foi comunicado aos alunos?

Recordo-me perfeitamente que na época de exames de Junho/Julho, alunos e alunas compareciam nos exames com roupas mais leves e com mais pele à vista, se existiu algum problema por causa disso? Não, nunca.

Somos ainda muito retrógradas, muito tacanhos e muito mesquinhos, que os homens se escudem neste discurso para dominar as mulheres e fazerem delas as culpadas pelas suas faltas de respeito e  falta de valores, apesar de discordar veemente, entendo a perspetiva, agora que mulheres propaguem esse discurso não é passível de compreensão, é só pura ignorância ou maldade.

Continuem a dar aos homens motivos para nos aprisionarem em “bons costumes”, continuem a dar-lhes desculpas para comportamentos impróprios, façam-se de sonsas e alcoviteiras e depois leiam livros como as Cinquenta Sombras de Grey ou vejam séries como a Sex Life enquanto lamentam a vida miserável que levam.

Queixem-se da vida, da falta de tempo, mas depois tratem os homens como reis e senhores, seres especiais que não mexem uma palha, não lhe vá afetar a virilidade, encarreguem-se da gestão da casa, das tarefas domésticas, dos filhos e conciliem isso com um trabalho a tempo inteiro, vivam e sintam-se miseráveis enquanto criticam as mulheres que não têm medo dos homens e do que eles e outras mulheres pensam delas.

E depois as feministas é que estão erradas, são as feministas as frustradas...

Até vos dizia para arranjarem uma vida, mas já que são tão castas e tão bem comportadas, arranjem louça para lavar e roupa para passar, de preferência uma pilha de camisas do marido/namorado.