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Língua Afiada

Marcelo fica em terceiro lugar nas eleições! Tino de Rans vence.

Não nos faltam exemplos internacionais de falhas redondas nas estatísticas, prognósticos, diagnósticos e veredictos quase finais e que à última da hora não se concretizam. O motivo? p habitual, as pessoas dão a vitória como certa e não se dão ao trabalho de saírem de casa para votar?

Não virão a Narcos México? Vejam e perceberão como é fácil isso acontecer.

Como é que o Marcelo fica em terceiro lugar?

Todos os portuguese sabem que Marcelo Rebelo de Sousa ganhará as eleições à primeira volta e por isso não sairão de casa para votar, em plena pandemia, em pleno confinamento, as pessoas arranjam todas as desculpas para saírem de casa, mas votar pode ser desculpa, mas não significa que seja efetivamente isso que façam.

Agente de autoridade – Qual o motivo da deslocação?

Cidadão – Vou votar Sr. Agente.

Na verdade o cidadão vai dar uma voltinha de carro até um parque ou outro local jeitoso para se encontrar com os amigos e apanhar solinho, que o sol até mata o vírus.

O que acontece é que os simpatizantes do Marcelo acham que o seu voto é só mais um e por isso nem se dão ao trabalho de ir às urnas, já não poderemos dizer o mesmo dos apoiantes dos restantes candidatos, porque estas eleições não são para disputar o primeiro lugar, mas sim o segundo, o que conta aqui é quem ficará em segundo lugar.

Resultados das eleições presidenciais 2021:

Em último lugar, sétimo, fica João Ferreira com votos dos poucos militantes que ainda se revêm no partido.

Em sexto fica Tiago Mayan Gonçalves com os votos dos liberais, aqueles que são assumidamente liberais e aqueles que por falta de alternativa, votam em Tiago Mayan Gonçalves, o candidato antissistema mais certinho.

Em quinto fica Marisa Matias com os votos dos bloquistas e comunistas descontentes.

Em quarto fica André Ventura com os votos dos iluminados e de uma fatia de indignados e descontentes com o sistema que acham que um narcisista mal-educado pode ser a solução para Portugal.

Em terceiro fica Marcelo Rebelo de Sousa com os votos dos politicamente corretos, amigos e familiares.

Em segundo fica Ana Gomes com os votos dos descontentes do PS e do PSD, com os votos dos que desiludidos com Marcelo alteram o sentido de voto à última da hora, com alguns votos de protesto contra o sistema e com os votos dos fãs do Rui Pinto.

Em primeiro lugar fica Vitorino Silva, mais conhecido como Tino de Rans, com os votos de protesto, com os votos daqueles que indecisos votam no candidato que parece mais inofensivo, com os votos dos inimigos de Miguel Sousa Tavares e com os votos dos adeptos dos vídeos virais e de metáforas.

As pessoas pensam assim, não gosto de nenhum candidato, este não ganha de certeza, não faz mal a ninguém, tem ar simpático, é humilde, vou votar nele! E assim se elege um presidente.

Sabem qual é o problema desta teoria? É se em vez de Vitorino Silva é André Ventura a ganhar!?

Votem, não fiquem em casa, escolham o rumo deste país, não está só em causa a escolha do Presidente, está em causa passar uma mensagem clara e inequívoca do futuro que queremos para Portugal.

 

 

 

A última introspeção do ano. Que 2021 seja um ano bom.

Sinto um aperto inexplicável no peito, ou será no coração? Dizem que o coração não dói, é mentira já senti o meu doer muitas vezes, demasiadas vezes para saber que dói mais do que qualquer outro órgão, é uma dor diferente, é talvez a pior das dores.

Impossível de compreender esta culpa, sem culpa, conscientemente, racionalmente não posso ser culpada de me sentir magoada, injustiçada e renegada, são sentimentos demasiado fortes, demasiado avassaladores para serem ignorados ou arrumados numa gaveta recôndita do meu cérebro, a mágoa é maior do que qualquer outro sentimento e é impossível de esquecer.

Durante as alegrias da vida é fácil ignorar as ações que nos prejudicam, desvalorizamos, justificamos até o injustificável para acalentar a mentira confortável que está tudo bem, vamos vivendo em banho-maria, no morninho para que tudo passe sem grandes percalços, sem questões, sem cobranças, afinal as coisas são como são, as pessoas são assim e não mudam, frases feitas que repetimos em surdina para suportarmos comportamentos e atitudes que nos ferem a alma e nos dilaceram o coração.

É nos momentos de fragilidade, de necessidade de apoio e de carinho que percebemos que a realidade paralela que construímos para conseguirmos lidar com a verdade se desfaz como um castelo de cartas, o que é assente em mentiras, meias-verdades e desculpas incoerentes não resiste a uma tempestade, o vento passa e as cartas espalham-se pelo chão, rasgadas, mutiladas, húmidas, desfeitas colocam a nu a sua fraqueza e inconsistência.

A nossa idealização termina abruptamente, já conhecíamos os factos, já sabíamos que tudo era uma frágil mentira assente nos nossos ideais e sonhos, mas não é por isso que é menos sofrido ou doloroso para nós.

Martelam-nos novamente as frases feitas, o importante é sermos fiéis a nós próprios, devemos afastar-nos do que nos faz mal, é preciso aceitar e seguir em frente, estas frases e outras são verdade, mas desfazem-se na nossa boca como areia seca, estéril e enxabida, em nada reconfortam, apenas nos fazem sentir mais impotentes e incapazes.

O Natal, o final do ano, fazem-nos fazer balanços, planos, análises e projetos, num ano tão diferente, tão mau, tão cruel e tão atípico, os balanços são ainda mais profundos, mais introspetivos e mais penosos.

Afinal este vírus não mostrou o melhor de nós, deu visibilidade ao pior da sociedade, das pessoas, do mundo, agravou as desigualdades, demonstrou a nossa incapacidade de fazer sacrifícios em prole dos mais frágeis, mostrou quão egoístas somos e quão invertidas estão as prioridades do mundo.

Permanece para mim um mistério como o ser humano convive tão pacificamente com todas as desgraças e injustiças que se vivem no mundo, mas se dúvidas existissem que o Homem é um ser completamente egoísta, o Covid-19 todas dissipou.

E é assim que me descentro de mim, dos meus problemas, dos meus conflitos internos, olho à volta e percebo que não tenho tudo, mas o que o que tenho é tanto, tão bom, tão maravilhoso, a minha vida não é perfeita, longe disso, não sou perfeita, sou o somatório de todas as falhas, decisões erradas, más escolhas com qualidades, decisões acertadas e caminhos certos.

A felicidade é uma escolha e escolho ser feliz, mas o dilema persiste, ser fiel a mim mesma e aos meus valores ou, mais uma vez, dar a outra face, fazer um esforço, construir castelos de cartas porque é isso que esperam de mim, que recue e que seja mais uma carta no baralho que por mais que se baralhe, corte, baralhe e corte quando chega ao momento de dar as cartas, o jogo é e será sempre o mesmo e sou sempre eu quem perde, não há como ganhar.

A todos desejo um Feliz Natal em segurança e com consciência.

Espero que 2021 seja um ano melhor, que o mundo se torne um lugar melhor, mais igualitário, mais humano e mais verde, parece um desejo de Miss, mas é a verdade, sonho com um mundo melhor, mas para isso as pessoas têm de ser melhores, por isso que em 2021 saibamos ser todos melhores pessoas.

Boas Festas

 

A ti meu amor, meu companheiro, meu amigo, meu suporte, meu chão, meu teto, meu mundo, desejo-te o melhor e que a garra e o amor que nos une seja cada vez mais forte.

Quando o Covid-19 nos bate à porta – Não, não é uma gripezinha

Começou com dores de cabeça, embora não seja habitual ter dores de cabeça, associei ao cansaço do trabalho acumulado com consecutivas noites mal dormidas. Ao terceiro dia acordo com uma espécie de ardor na garganta e uma dor intercostal, nevrítica, desconfiei que pudesse ser Covid-19 por causa da garganta, mas a dor parecia derivada de outra coisa, tomei um benurum e aguardei, como era sábado fiquei em casa, os sintomas amenizaram só para piorar no dia no seguinte.

No Domingo a este quadro juntou-se uma tosse seca, embora muito espaçada e uma pressão no peito, o nosso corpo não mente, percebi que algo de muito errado se passava no meu organismo, quase que sentia algo maligno a tecer uma rede dentro de mim, senti prostração, uma vontade inexplicável de vegetar, estar quieta, sossegada.

Não haviam muitas dúvidas do que se tratava, pelo que na Saúde 24 mandaram-me imediatamente realizar teste, era Domingo, só consegui realizar o teste na segunda-feira e o resultado só chegaria na quarta-feira, mas o diagnóstico estava mais que dado, estava com Covid-19.

Quando às 7:30h da manhã a mensagem chegou nem me dei ao trabalho de alcançar o telemóvel, foi o meu marido que leu o resultado, eu não precisava da mensagem, sabia bem o que sentia e a minha única preocupação era não piorar ao ponto de precisar de oxigénio.

O Moralez estava com esperança que pudesse não ser Covid-19, não sei se era esperança ou querer que não fosse, mas a nossa vontade não comanda a nossa saúde. O próximo passo foi testar a ele e à nossa filha, ele mesmo com sintomas idênticos aos meus, embora um pouco mais ligeiros, testou negativo, a nossa filha sem sintomas testou positivo.

Confinamento, isolamento e esperar que o organismo combata o vírus sem consequências.

Os últimos sintomas a aparecerem foram o nariz congestionado e a perda de olfato e paladar, uma sensação muito estranha não conseguir cheirar absolutamente nada, rigorosamente nada, não é a maior desgraça do mundo, nem sequer é o sentido mais importante, mas a vida é muito diferente sem olfato, felizmente o meu foi recuperado poucos dias depois, voltou gradualmente.

O Covid-19 não é uma gripe, nem nada que se pareça, já tive gripes daquelas bravas que me atiraram à cama durante três dias, com dores no corpo e febre alta, tudo combatível com benurum ou griponal, passando a publicidade, é uma bomba mas uma bomba que resulta e quando necessário um anti-histamínico, com o Covid-19 a experiência é bem diferente.

Àqueles que dizem que isto se cura com benurum posso dizer-vos que o paracetamol às dores do Covid-19 faz cócegas, ajuda, mas não cura e não tira as dores e o mal-estar, para a pressão e dor no peito, respiração ofegante, fadiga constante e necessidade constante de respirar fundo para compensar a falta de oxigénio não há medicamento, há quando a situação complica o internamento para fazer oxigénio e nos piores cenários a ventilação.

Houve uma noite que senti que as coisas poderiam correr muito mal, como sempre que a minha filha chora levantei-me rapidamente e acorri ao quarto dela, estava inquieta, peguei-lhe ao colo e enquanto ela sossegava eu estava a acelerar, o meu batimento cardíaco estava acelerado, comecei a sentir suores frios, a sentir-me enjoada, fraca, impotente, pois por mais que pensasse que tudo correria bem, não sossegava, estava ali naquele limbo que se sente quando se está prestes a ter um ataque de ansiedade, mas não era ansiedade, era Covid-19.

A bebé sossegou, eu regressei à cama inquieta decidida que no dia seguinte acordaria melhor, esta situação repetiu-se novamente na noite seguinte, mas com menos intensidade, aos poucos a dor intercostal foi melhorando e a pressão no peito foi diminuindo e o alívio que é perceber que já não nos dói o peito quando respiramos fundo.

Como é possível termos necessidade de respirar fundo para compensar a nossa respiração e esse simples ato de respirar ser doloroso? É mau, muito mau, o segredo é manter a calma, mas ter consciência que há um ponto em que é preciso contactar o 112.

Tive um acompanhamento espetacular da minha médica de família e da minha enfermeira, sempre presentes, sempre muito atentas e preocupadas e sempre vigilantes, se sentires dificuldade em respirar tens de ligar o 112, não podes deixar uma situação dessas evoluir.

Felizmente não chegou a esse ponto, mas tive receio que pudesse chegar, sou saudável, não tenho qualquer doença diagnosticada, mas tive sintomas, sintomas dolorosos e assustadores.

Ninguém sabe o motivo de umas pessoas terem mais sintomas que outras, talvez um dia consigam entender o funcionamento deste vírus, o que sabem é que este vírus é altamente invasivo e contagioso e que se todos formos contagiados ao mesmo tempo viveremos um caos.

A pressão no SNS já é imensa, os números não param de aumentar, mas há quem prefira focar-se nos erros dos outros para se escusar de seguir as regras e as recomendações, perdoem-me mas só consigo apelidar essas pessoas de ignorantes e estúpidas.

Não se trata de concordar com tudo, não se trata de achar que as autoridades procederam bem e atempadamente, trata-se de fazer a única coisa que podemos fazer proteger-nos a nós e aos nossos o máximo que conseguirmos.

Podemos e devermos reclamar de como esta pandemia tem sido tratada, mas não é inteligente, nem prudente realizar manifestações e a acreditar em teorias negacionistas (convenientes) e de conspiração, neste momento a pandemia existe, é real e pode ser muito dolorosa, pode tirar vidas, a economia é importante, mas de nada nos servirá ter economia se não estivermos cá ou se tivermos de viver com a saudade dos nossos.

Para mim não importa a idade de quem morre, todos podemos morrer a qualquer momento por milhentos motivos, por milhares de doenças ou azares, será que só a mim me faz confusão que uma pessoa, mesmo que idosa, se vá devido ao Covid-19 por falta de cuidados?

Acham justo que se viva uma vida longa e se vá morrer de um vírus porque as pessoas escolheram que a sua vida vale menos do que a de uma pessoa jovem?

Custa assim tanto manter a máscara na cara e manter o distanciamento social? É assim tão importante fazer tudo hoje e agora colocando em risco o futuro?

 

 

P.S. Não foi confirmada a minha fonte (pessoa) de contágio, mas terá sido em contexto laboral.