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Língua Afiada

Pensamentos que merecem ficar para a posteridade.

Tenho um humor assim um bocadinho para o sarcástico, tenho mesmo um lado negro que normalmente apenas revelo às pessoas mais próximas.
Certas pessoas se ouvissem os meus pensamentos nunca mais teriam coragem de me olhar nos olhos.
Não é covardia é saber viver, dizer tudo o que nos vai no pensamento pode ser altamente prejudicial e todos temos de viver em sociedade.
Estas frases fora do contexto podem não ter grande significado mas para mim são autênticas pérolas.

 

 

 

Os indignados que não ficam contentes com nada.


Ontem por todo lado se comentavam nos meios noticiosos o desaparecimento de um surfista do Porto, o apelo da companheira para o encontrarem fez com que fosse criado um grupo no Facebook que chegou aos 24.000 membros.

As notícias sobre o caso eram logo alarmantes pois pareciam centrar-se mais no facto de se terem mobilizado 24.000 pessoas num grupo do Facebook em apenas 18h do que no desaparecimento do homem.

 

O homem foi encontrado e em vez de as 24.000 pessoas ficarem contentes com o seu aparecimento o que acontece? Ficam indignadas porque não lhe transmitem detalhes sórdidos da história.

Há mesmo alguém que diz que ele tem obrigação de prestar esclarecimentos aos “internautas e leitores e fãs”. Fãs? Mas agora o homem tem fãs?

Não é de estranhar esta sede de notícias, de detalhes e exigências sobre o que afinal terá acontecido, porque afinal ele tem de saciar a curiosidade dos fãs sob pena de os perder.

A quantidade de teorias sobre o sucedido é incrível, mas o que me choca mesmo é o fato de as pessoas sem saberem de detalhe nenhum acusarem-no de irresponsável, inventarem problemas conjugais, suporem uma depressão, uma fuga com um homossexual e um sem fim de outros motivos para o seu desaparecimento.

Os comentários às notícias têm tanto de cómico como de triste.

Não entendo esta sede de escárnio e morbidez, aposto que se fosse encontrado morto ou moribundo já ninguém queria saber dos motivos do desaparecimento.

Campanhas com mulheres com reais (WTF)

 

 

Quando leio notícias com pérolas como estas: “As marcas estão a ter cada vez mais a preocupação de aproximar as campanhas das mulheres reais”

revolta-me o estômago.

A culpada é a Dove desde que teve a infeliz ideia de falar de beleza para mulheres reais.

As modelos de profissão não são reais, são um produto da nossa imaginação, elas não existem são hologramas projetados por computadores e desenhadas por homens em 3D.

Aliás mulheres magras, bonitas, altas e tonificadas não existem, ou vá lá, são um espécimen em extinção.

 

Sim, eu sei que as modelos têm maquilhagens e cabeleireiros a pô-las mais bonitas e depois existe o Photoshop que coloca tudo bem direitinho e no sítio, mas as campanhas com as modelos reais não usam os mesmos artifícios?

O que eu gostava mesmo de ver era campanhas com modelos com pelos encravados, borbulhas visíveis, cicatrizes, cabelos com pontas descoloradas, estrias, celulite de último grau.

Sim porque elas têm excesso de peso, sim excesso de peso, mas têm um corpo harmonioso, kg de maquilhagem, zero celulite, cabelos fantásticos, sobrancelhas perfeitamente alinhadas e aquele ar prefeito.

Para cúmulo o anúncio em questão ainda mostra uma mulher bem-sucedida, que tem tempo para praticar desporto, vestir lindos vestidos e com cara de quem acabou de sair do SPA.

Uma pessoa aguenta ver anúncios de gajas boas, elegantes e sem falhas porque pensa que essa perfeição está apenas ao alcance de uma minoria privilegiada com uns genes de ouro.

Mas não dá para aguentar quererem tornar todas as mulheres nesse ideal perfeito e harmonioso.

E o que o mulherio faz? Bate palminhas de contente.

Não percebe que mais uma vez as querem manipular. O que eles vos estão a dizer é que podem ser cheiinhas mas mesmo assim têm de estar sempre lindas e perfeitas nem que para isso usem mil e um artifícios como cintas e soutiens.

Nem pensar em ter um aspeto menos polido nem que para isso tenham de ter dotes de esteticista, cabeleireira e modista, porque quando o dinheiro não chega para isso há que resolver o problema em casa.

 

Acho muito bem que se tenha a atenção e se tomem medidas para que as modelos não sejam extremamente magras, mas o que é demais é exagero.

As pessoas magras e muito magras já são vítimas de gozo e de humilhação, será que não percebem que com isto que ainda as fragilizam mais e ainda dão mais motivos às pessoas para gozarem com elas?

 

As mulheres gostam de ser manipuladas e no fim de contas ainda acham que são elas as manipuladoras.

The joke was on you.