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Língua Afiada

Carnaval – Nem é carne, nem é peixe, é tolerância (desigualdade)

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O dia de Carnaval poderia perfeitamente ser declarado o dia de Portugal, não há outro dia no calendário que espelhe melhor as discrepâncias deste país e a suas gentes.

Espelho dos privilégios de uns e deveres de outros.

Estou em casa ao abrigo do contrato coletivo de trabalho, tive sorte. O marido está a trabalhar e liga-me a dizer que não faz ideia onde irá almoçar, está tudo encerrado.

Uma amiga diz-me que teve de coordenar com o marido as férias, para ficarem em casa a tomar conta dos filhos alternadamente.

Um Estado, que se autoproclama Laico, negoceia com a Igreja Católica a celebração de mais 2 Dias Santos, mas não oficializa o feriado de Carnaval. A celebração que a seguir ao Natal movimenta mais a economia do país, o dia que fez Câmaras Municipais desafiaram o antigo Governo, podem tirar-nos tudo menos o Carnaval e o desfile de gentes pelas ruas.

O dia que é sempre à Terça-feira e por isso propício a fim-de-semana prolongado, as famílias aproveitam as férias escolares e saem para fora cá dentro. Hoje algumas repartem-se, uns em casa, outros a trabalhar.

Pode estar tudo mal, não haver dinheiro, mas os foliões saem para a rua, desfila-se em alguns locais no bom e tradicional Carnaval português noutros samba-se, não interessa o importante é que o povo se divirta e que as crianças se sintam felizes.

Há muita gente que não gosta de Carnaval, eu gosto, é das poucas ocasiões em que as pessoas podem extravasar sem olhares reprovadores, o dia em que adultos se podem fantasiar das suas personagens favoritas e serem crianças novamente sem que achem que enlouqueceram.

Gosto das tradições de Carnaval, da Queima do Velho que simboliza a queima do ano que passou e a renovação do ano novo, simboliza a passagem das festas para o tempo de reflexão.

Gosto das fantasias com roupas velhas, dos cortejos onde não se conhece ninguém, dos carros construídos artesanalmente pejados de sátira.

Gosto do Carnaval tradicional, aquele que comemoro desde criança e que agora me vejo privada de festejar plenamente porque alguém achou um dia que Carnaval não deveria ser feriado. Mas o Entrudo está-nos entranhado, pelo menos a mim, é tempo de transição, de deixar as festas mas também as mágoas, entrar em reflexão e começar um ano novo renovado sem roupas velhas, que essas foram queimadas no velho que se edifica em cada largo.

Feriado ou não, logo ao cair da noite, muitos velhos queimarão, sem identidade, sem descriminação, como símbolo de todos pobres ou ricos, privilegiados ou prejudicados.

O tempo e o verniz

Dizem que está na moda o verniz com brilho gloss, verniz gel ou gelinho com um brilho intenso e duradouro...

Ora este fim-de-semana quando decidir pintar as unhas olhei para a caixa dos vernizes e encontrei um burgundy mate lá esquecido, da altura em que o verniz mate estava na moda, para aí há uns 3 anos.

E pensei está mesmo a condizer com o tempo fosco, em que as nuvens tapam o brilho do sol.

Por isso tenho as unhas na cor da moda mas em mate, baças e nebulosas como o dia que miro pela janela.

E penso um verniz cinza mate é que vinha mesmo a calhar.