Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Língua Afiada

Não transbordes, navega.

Posta-Lingua-afiada-8 (2).jpg

 

 

Quando nos sentimos sobrecarregados, oprimidos, a transbordar é altura de parar, refletir, avaliar, estabelecer prioridades e expurgar, despejar, retirar os elementos que nos pesam, que nos puxam para baixo e nos soterram lentamente num sem fim de enleios, meandros e sinuosos labirintos que nos desviam do nosso caminho.

A vida está constantemente a surpreender-nos com atalhos e desvios, muitas vezes procuramos um atalho que acaba por ser um desvio e acabamos a andar para trás, a caminhar na direção oposta.

Não há nada pior do que perder o rumo, quando demasiadas situações nos desviam a atenção do mapa, deixamos o leme à deriva e o oceano é demasiado grande para navegarmos sem norte e o naufrágio é quase certo.

É preciso olhar para o barco que se afunda lentamente com o peso extra e retirar os apêndices, lançar borda fora tudo o que não é importante, todas as coisas supérfluas e vazias, os baús cheios de nada, as cordas e amarras ressequidas.

É altura de olhar para o mapa e traçar a melhor rota para o nosso destino, esquecer que existe uma âncora, içar novas velas, brancas, limpas e sem rasgões e velejar com a força da vontade, com a persistência de um capitão e um a sagacidade de um pirata.

Quando navegamos com a certeza do que queremos, sem amarras, sem peso extra, não há tempestade que nos faça naufragar, podemos atrasar a viagem, mas é certo que um dia chegaremos ao nosso porto seguro.

Aí descansamos, recuperamos forças, celebramos, regozijamos os nossos feitos, saboreamos a nossa conquista, mas apenas durante o tempo suficiente para prepararmos a próxima viagem, estabelecermos nova rota, nova aventura e partirmos novamente à conquista.

Porque a vida não é uma viagem só com um só ponto de partida e um só ponto de chegada, a vida é uma série de viagens e aventuras, a vida é uma odisseia.

Qual Winter is Coming

Toda a gente sabe que o Inverno já passou e que estamos na Primavera e que a seguir vem o Verão. (O tempo de hoje não tem nada a ver para o caso.)

Não há cá nada Winter is Coming o que está a chegar é o Winter is Trumping.

Um caso bem mais sério já que falamos não de uma guerra legendária numa série televisiva mas da subida ao poder de um homem que claramente tem os valores morais desalinhados.

Mas como mais vale rir do que chorar deixo-vos aqui a Guerra dos Tronos do Trump.

 

Não gosto do Pastgram

As redes socias têm-se revelado uma desilusão, o Facebook serve apenas para me recordar dos aniversários dos amigos, para trocar mensagens com alguns deles e ver as últimas notícias.

É raro o dia em que consiga estar no Facebook mais de cinco minutos.

A minha rede favorita era o Instagram, mais impessoal, mais bonita, mais simples, mais clean, onde podia seguir quem em apetecesse sem estar sempre a levar com notificações, publicidades, pedidos de jogos, comentários parvos, smiles, frases idiotas e tudo o que o Facebook tem de mau.

Mas eis que o Instagram foi comprado pelo Facebook e tudo mudou, primeiro apareceram as publicidades, que sinceramente não incomodavam muito, eram curtas, adequadas ao formato da rede social e facilmente ignoradas, mas o Mark resolveu meter o dedinho no algoritmo do Instagram e fazer a mesma conspurcação que fez no Facebook decidir o que é que nós queremos e devemos ver.

A particularidade mais interessante do Instagram era precisamente vermos apenas as últimas publicações, as fotos instantâneas, sabíamos sempre que veríamos as últimas fotos tiradas pelas pessoas que seguimos.

O insta deriva de instantâneo, o formato da foto quadrado, outra coisa que mudaram e não deviam ter mudado era o das fotos das antigas máquinas instantâneas, os filtros assemelhavam-se às fotos antigas que os nossos pais tiravam, o próprio logo da aplicação era baseado numa máquina instantânea.

A beleza do Instragram era entrar e ver todas aquelas fotos com o mesmo formato, perfeitamente alinhadas e instantâneas que se não consultássemos todos os dias poderiam passar-nos ao lado.

Conseguiram estragar a rede social mais interessante ao torna-la num produto comercial, cheio de interesses em que o interesse do utilizador é o único que não conta.

Para acabar definitivamente com o conceito conseguiram estragar o branding da aplicação e transforma-lo numa máquina de lavar roupa manchada de detergentes de várias cores.

Este é o exemplo típico de uma grande empresa que compra uma empresa mais pequena e arruína completamente a sua essência, descarateriza-a, desconstrói-a e configura-a apenas com vista ao lucro.

O Facebook fez do Instagram um Pastgram, um mural onde vemos o que eles acham que queremos e devemos ver sem nenhuma ordem cronológica específica.

 

Não gosto do Pastgram.

Quero o Instagram de volta.

 

Evolucion-logotipo-instagram copy (1).jpg