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Língua Afiada

É sempre na última

Não, não é o apuramento da seleção, bem isso também, são as marcações de férias e fins-de-semana.

Reservar hoje para dormir amanhã foi quase, quase um record, só não é porque já reservamos hotel e avião dois dias antes da viagem, o que conseguiu ser ainda mais arriscado já que desta vez é mesmo só hotel.

O inesperado e a surpresa tornam a vida mais stressante emocionante não é?

De qualquer forma está marcado e avizinham-se 3 dias de descanso.

Agora é só fazer as malas entre a churrascada e o arraial se São João, simples portanto.

E a minha vida é assim e acho que não conseguiria ser de outra forma.

Bom São João.

Fragmentos #3 - Desencontrados - Os dias de Rui (Cap. II)

A pedido de algumas pessoas aqui fica continuação dos dias de Joana, quem não leu o primeiro capítulo pode ler aqui.

 

Rui dava voltas e mais voltas na cama, não conseguia adormecer, pensava como a sua vida tinha chegado àquele ponto, não encontrava uma saída, não via um caminho, queria lutar mas sentia-se de mãos e pés atados.

A situação da empresa tinha-se complicado, não conseguia fazer face aos problemas e o seu sócio tinha-o deixado sozinho, se por um lado tinha carta-branca para tomar decisões por outro tinha toda a responsabilidade às costas.

Para agravar a situação discutia cada vez mais com a esposa, eles que sempre foram um casal de meter inveja, sempre juntos, sempre a sorrir.

Sentiu Joana encolhida ao seu lado, dormia agora, tinha demorado a adormecer, sabia-a nervosa e angustiada, pensou em como a amava e em como só a queria proteger, pensou que teria de lhe contar a verdade sobre a empresa, a situação era muito mais grave do que aquela que ela poderia imaginar.

Sentiu um aperto no coração, abraçou-a, afagou-lhe o cabelo e adormeceu.

Segunda-feira, tinha de decidir se despedia funcionários ou se continuava a perder dinheiro, Rui era um bom patrão, um gestor ponderado e amigo dos seus colaboradores, quando fundou a empresa com o seu amigo João tinham prometido que não iriam pelo caminho mais fácil, teriam uma empresa que gerasse valor para todos e não enriqueceriam a explorar os seus funcionários.

E agora estava ali, a pontos de despedir dois colaboradores prestáveis, competentes e amigos.

- Caramba eles são meus amigos…

Disse em voz alta enquanto analisava os valores das indeminizações e estudava o discurso, poderia ter deixado o problema na diretora de recursos humanos, mas não o poderia fazer, cabia a ele dizer àqueles homens, seus companheiros, que iriam ficar sem trabalho.

Estava a digitar o número de um deles quando o outro bate à porta.

 

- Sim…

- Bom dia Rui. Tens uns minutos? Preciso de falar contigo.

- Sim Carlos entra por favor, senta-te. Disse engolindo em seco.

- Rui recebi uma proposta irrecusável de trabalho que não posso mesmo recusar.

- Entendo, existem propostas que não se podem recusar. Respondeu Rui.

- Lamento pedir-te isto mas seria possível deixares-me sair sem dar os dois meses à empresa, precisam de mim para entrada imediata e é uma proposta tão boa. Não é uma empresa concorrente, sabes que nunca faria isso.

- Quando tens de entrar ao trabalho?

- Na próxima segunda-feira, trabalho esta semana, consigo passar todo o trabalho ao Francisco até lá, não te preocupes, não saio daqui sem deixar tudo encaminhado e claro não necessitas de me pagar as férias.

- Ok, só peço que em vez de passares os projetos ao Francisco passa-los antes à Raquel, ela depois distribui o trabalho pela equipa.

- Mas ela está sobrecarregada Rui, não será melhor passar ao Francisco? Perguntou Carlos estranhando Rui ter pedido que os projetos fossem passados à chefe da equipa.

- Prefiro que ela fique ao corrente de tudo e distribua o trabalho. Obrigado.

 

Carlos saiu e Rui suspirou de alívio, aquele despedimento súbito comprou-lhe tempo, era um balão de oxigénio para mais uns dias, especialmente porque Carlos era um dos designers com o ordenado mais alto, é certo que era bom, mas a diferença de rendimento era abismal.

Rui telefonou de imediato para a diretora de recursos humanos a informar da situação e de seguida para o diretor financeiro, ambos suspiraram de alívio, Ana por não ter de tratar do processo de despedimento do amigo e Mário por perceber que não teria de fazer ginástica orçamental para pagar a indeminização a Carlos.

Já não necessitava de despedir ninguém pelo menos nos próximos seis meses, mas um despedimento não resolvia nada, apenas adiava.

 

Nesse dia chegou a casa cansado mas mais animado, Joana estava na cozinha a preparar o jantar, abraçou-a e deu-lhe primeiro um beijo no pescoço, depois rodou-a e beijou-a calorosamente, um beijo tão intenso que a deixou desnorteada.

Ela olhou-o nos olhos e sorriu, como só ela sabia sorrir, com aquele sorriso maravilhoso que o apaixonara assim que a vira a primeira vez.

O mundo lá fora estava a ruir mas ali estava seguro, em casa, junto da sua mulher, às vezes queria tanto dizer-lhe tudo o que sentia de bom quando a abraçava, mas as palavras falhavam-lhe sempre nessas alturas, a voz embragava e não conseguia exprimir-se.

Sabia que teria de lhe contar a verdade, mas não queria dar-lhe mais uma preocupação, ela já tinha tanto em que pensar.

Nessa noite voltou a ter dificuldades em adormecer, Rui não sabia o que fazer, como salvar a empresa e especialmente como não deixar que isso afetasse o seu casamento. Adormeceu resoluto que tinha até ao final da semana para tomar uma decisão sobre a empresa e sexta independentemente da solução contaria tudo a Joana.

I’m back

Quem leu este blog de fio pavio e os seus comentários (ninguém para além de mim portanto) sabe que eu já admiti que nem sempre fui a melhor pessoa do mundo, houve uma altura em que era manipuladora, calculista, provocadora, enfim coisas caraterísticas da imaturidade.

Percebi que isso dava muito trabalho, era uma canseira na realidade e que ser boa pessoa compensava. Tretas não compensa nada!

Hoje, resolvi ressuscitar esse lado adormecido, e o que fiz eu perguntam vocês?

Não magoei ninguém sosseguem.

Uma “amiga” faz hoje anos, mas já não falo com ela há meses, porquê? Por nada de especial simplesmente porque se eu não falar com ela, ela não fala comigo e eu cansei-me de estar sempre a marcar coisas e ela parecer que estava a fazer o frete.

Para que entendam estamos a falar de amigos, ela e o marido, que frequentavam a nossa casa e nós a deles, jantares, saídas, férias, uma amizade a sério pensava eu.

Hoje procurei uma foto nossa, temos várias juntas e publiquei no mural dela com uma frase querida e personalizada e sincera, desejo mesmo que seja feliz porque gosto dela. Qual foi a reação dela?

Um gosto! Um simples gosto. Nem um adoro! Foi mesmo só um gosto. A foto não está visível no mural sequer, fiz questão de escolher uma foto que já tinha sido publicada para ter a certeza que ela aprovava, mas a verdade é que a foto está oculta e ela nem um obrigada, beijinhos escreveu.

O marido dela ligou ao Moralez a convidar-nos para uma festa surpresa organizada à última da hora, ser assim em cima já é normal deles, nada de novo, o meu dilema:

Vou à festa? E se for levo-lhe um presente?

 

A old me enviar-lhe-ia um postal muito fofinho com um texto do género:

 

Querida,

Desejo do fundo do coração que sejas feliz e que alcances todos os teus sonhos.

Espero que a festa esteja a ser boa e que aproveites muito, agradeço o convite do teu marido, mas eu não sou daquele tipo de amigas que só aparece em festas e quando morre alguém, não sou daquelas amigas que está lá sempre que precisas. Sou daquele tipo de amigas que está lá sempre, que faz questão de partilhar as alegrias e as tristezas, as coisas importantes e as coisas banais, que faz questão de fazer parte da tua vida.

Se na tua vida não há espaço para uma amiga assim tenho imensa pena, mas ser amiga dá trabalho, requer esforço, requer dedicação, requer dar tempo para receber tempo.

Já não tenho idade para colecionar amigas de ocasião e por isso lamento, mas não contes comigo para estas ocasiões.

Quando tiveres tempo para mim procura-me como sabes sempre tive tempo para ti, mas depois percebi que uma amizade é como uma relação amorosa, têm de ser os dois a dar ou mais tarde ou mais cedo termina em divórcio.

Considera este postal a intimidação para o divórcio, se quiseres podemos fazer mediação, há sempre espaço para reconciliação, mas aviso já que sou difícil de conquistar.

Se não responderes considero que não há espaço para mim na tua vida, sem ressentimentos, não podemos ser todos amigos e prefiro que sejas sincera e não me faças perder mais tempo do que fazeres um esforço agora e depois voltares a fazer como sempre, a desaparecer.

Parabéns e muitas felicidades.

A minha sinceridade e franqueza é o meu presente este ano.

Até breve ou até sempre, só depende de ti.

 

É claro que não lhe vou enviar este texto, não é por mais nada é que depois teria de a aturar ao telefone a chorar baba e ranho, a desculpar-se e não me apetece, até porque iria acontecer exatamente o mesmo que aconteceu da última vez que lhe disse que achava que ela não valorizava a nossa amizade, choradeira, abraços e depois vira ao disco e toca o mesmo.

O que me resta então?

Fazer corpo presente e comer de borla.

 

I'm back bitches!