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Língua Afiada

Alergia na alma

Aquelas pessoas dissimuladas que escolhem cuidadosamente o que dizer e quando o dizer, que descontextualizam conforme lhes convém e que se encrespam na sua suposta especial superioridade fazem-me alergia, alergia na alma.

Sinto um formigueiro interior pelo corpo todo, um nó na garganta e nos casos mais graves o asco é tão grande que sinto as entranhas a revolver, quase como se o ácido que vociferam me atacasse diretamente o estômago.

Esses seres que se acreditam superiores e interessantes não passam de parasitas da sociedade que bebem inspiração da inveja que sentem do sucesso dos outros, respiram para se autoelogiarem através dos ataques que dirigem aos alvos que cobiçam, como se um mesquinho ataque fosse causar algum desmérito a quem tem talento.

Desprezo pessoas invejosas e mesquinhas que pensam esconder-se atrás de subterfúgios inócuos, em desculpas vãs e argumentos sem sentido, não fosse eu deteta-las tão bem, não me causassem elas alergia, seriam apenas seres medíocres a querer ganhar espaço.

Mas esta alergia que me causam é tão forte que me incomodam como as melgas ansiosas por beberem um pouco de sangue doce nas noites quentes de verão.

O melhor inseticida para elas? Felicidade, quando maior a nossa felicidade maior a sua tristeza.

O meu tempo contigo

Os segundos, os minutos, as horas, os dias, os meses, os anos são escassos para estar ao teu lado.

Falta-me tempo para demonstrar o que sinto por ti, falta-me tempo para estar ao teu lado, falta-me tempo para te admirar, não há vida suficiente para viver tanto amor.

Mergulho no azul dos teus olhos serenos e perco-me em memórias e em sonhos, há tanto ainda a fazer, a concretizar.

Às vezes olho-te quando não me estas a ver, descubro-te uma ruga ou duas e penso como sou feliz por estar a envelhecer ao teu lado, tantos anos juntos e parece que foi ontem que me olhaste pela primeira vez com o teu sorriso espontâneo, soube naquele instante que eras especial, mas estava longe de imaginar que seria especial para ti.

Apaixonamo-nos, amadurecemos juntos à medida que o nosso amor foi crescendo e também ele amadureceu, tornou-se mais calmo, mais sábio, mais confidente, mais seguro e mais nosso, cada vez mais nosso, meu e teu, tão nosso que às vezes é difícil distinguir onde termino eu e começas tu.

É nessa neblina doce que somos mais felizes, não quero saber se me perco para ti e tu para mim porque no fundo somos um só, somos a mesma árvore numa só raiz, sou as folhas tu o tronco e juntos florescemos a cada Primavera.

E que sejam muitas as Primaveras para florescermos juntos, cada vez mais fortes, mais enraizados, não há vento ou tempestade que nos derrube.

Que o tempo seja dócil connosco e nós saibamos beber a sua doçura, que este seja mais um de tantos momentos assinaláveis, que percamos a conta destes momentos marcantes e bons, que se perpetuem até ao infinito.

Amo-te hoje, amanhã e sempre.

Escrevo-te no teu aniversário, poderia escrever-te todos os dias, mas quando o tempo não oferece tempo para te dizer tudo o que sinto sei que lês nos meus olhos as palavras que nunca te conseguirei dizer, é nessa linguagem doce, silenciosa, profunda e bela que te digo tudo o que sinto num diálogo sagrado entre as nossas almas que se entrelaçam com fios invisíveis mais fortes que o próprio tempo.

Parabéns meu amor, o meu tempo sem ti seria vazio, obrigada por tornares escassos todos os momentos que passo contigo numa avidez que cresce à medida que envelhecemos juntos.

Que contemos muitos anos juntos desta felicidade que é só nossa e que verdadeiramente ninguém entende e é tão bom que não entendam, só nos dois é que a conhecemos e a entendemos.

 

 “Só nós dois é que sabemos
Quanto nos queremos bem
Só nós dois é que sabemos
Só nós dois e mais ninguém
Só nós dois avaliamos
Este amor forte e profundo
Quando o amor acontece
Não pede licença ao mundo”

 

 

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