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Língua Afiada

Recordações da adolescência

A adolescência é das épocas mais conturbadas da nossa vida, mas é também a mais intensa, onde tudo assume proporções gigantescas e os sentimentos são vividos com uma intensidade louca.

Tenho saudades dessa época, confesso, às vezes dou por mim a revive-la ou pelo menos a tentar, recorro à música, essa aliada dos bons e dos maus momentos, porque na adolescência não existem, ou pelo menos na minha não existiram, dias normais, eram sempre dias extraordinários ou dias miseráveis em que a música me acompanhava e dava todo um outro significado a tudo o que eu sentia.

Na semana passada resolvi remexer nas músicas que me acompanharam nessa época, é bom recordar e sentirmo-nos por instantes noutra época.

Foi estranho perceber que há tanta, mas tanta sabedoria nas letras das músicas, talvez por isso na altura a música assumia uma grande importância na minha vida, tinha tempo para dissecar a letra, memorizar as palavras, os trejeitos, as notas mais altas e mais baixas, a entoação certa e acima de tudo interiorizar cada palavra, sentir o seu significado.

A música sempre teve um papel fulcral na minha vida, sempre adorei cantar e houve uma altura em que sonhei que talvez pudesse ser esse o meu caminho, perdeu-se no meio de tantos outros, prioridades, escolhas, não sei explicar porque caiu por terra, apenas caiu.

Não passo o dia a ouvir música, gosto de estar sozinha com os meus pensamentos e a música distrai-me, além disso para apreciar verdadeiramente uma música tenho de estar no estado de espírito certo, mais do que senti-la tenho de estar preparada para a experienciar, a música pode provocar uma sensação maravilhosa ou dolorosa, dependendo da música e da reação que ela me desperta posso sentir uma alegria desmesurada ou uma agonia atroz, sinto-me novamente adolescente.

Partilho com vocês algumas frases simples que encerram em si tanto significado, retiradas do baú continuam atuais, serão sempre atuais pois carregam o peso de sentimentos perpétuos.

 

“I sing myself to sleep
A song from the darkest hour
Secrets I can't keep
In sight of the day”

James - Sit Down

 

Wanna be young - the rest of my life
Never say no - try anything twice
Till the angels come - and ask me to fly”

Brian Adams – 18 Until I dye

 

“Believe, believe in me, believe
That life can change, that you're not stuck in vain”

Smashing Pumpkins – Tonight

 

“Eu não sei...
Tanto, sobre tanta coisa
Que às vezes tenho medo
De dizer aquelas coisas
Que fazem chorar”

Silence 4 – Eu Não Sei Dizer

 

O meu blog é melhor que o teu! Será?

Afinal o que classifica um blog como bom? Serão os números? Medem-se as visitas, os seguidores, os comentários?

O que faz alguém seguir um blog? Serão os textos eximiamente bem escritos sem erros ortográficos ou gramaticais? Serão os temas abordados?

Será a forma como a pessoa escreve ou o que escreve?

No caso do Sapo serão os destaques? Será a opinião de uma equipa pequena para tantos blogs o barómetro que mede a qualidade de um blog?

Será a forma como o blogger recebe os leitores? A sua atitude, o tom e a atenção na resposta?

O que é mais importante escrever bem ou focar temas importantes? Filosofar ou colocar os temas de forma simples para que sejam acessíveis a todos.

Procurarão os leitores textos ao nível da literatura ou textos leves? Procurarão temas sérios ou de risada fácil?

 

Existe uma desmesurada confusão entre qualidade e quantidade, entre o que é inteligente e o que é interessante, entre o que seria desejável e o que é procurado, entre o que cada um considera como certo e aquilo que os outros querem considerar.

Não sejamos ingénuos, tomemos o exemplo da televisão, quais são os programas com mais audiência? Os que não deveriam interessar a ninguém. No meio da programação sensacionalista são vistos um punhado de programas interessantes, que passam por uma nesga ao lado da conotação de enfadonhos, entre um extremo e o outro existem programas para todos os gostos, o mesmo se passa com os blogs.

 

Não queiram todos ser pipocas, especialmente aqueles que são ácidos em tudo o que escrevem, não almejem todos viver do blog, não há investimento publicitário suficiente para alimentar a quantidade de blogs existentes, todos os dias surgem mais, cada vez é mais difícil.

Não pensem que escrevem melhor e sobre assuntos mais interessantes, não se julguem mais inteligentes, não façam da experiência um posto e não se precipitem a catalogar as pessoas pelo que escrevem.

Um blog pode ser pessoal, mas não é uma biografia, as pessoas escrevem sobre o que lhes apetece e partilham apenas o que querem, não avaliem a pessoa pelas palavras, pois não sabem de onde elas provêm e qual o seu intento.

Por detrás de cada blog há um objetivo, um propósito, um plano que pode ser mais ou menos consciente, mas existe, só quem o escreve sabe qual é e porque o é.

Não especulem, de nada vale extrapolar o bom ou enfatizar o mau, não existem pessoas perfeitas, não existem bloggers perfeitos, reduzir alguém a uma pequena parte sua vida é redutor e insensato, ter capacidade de perceber que o todo é mais do que a soma das pequenas partes é inteligente.

 

Quando entramos numa livraria encontramos todo o tipo de livros, bons, maus, literatura do mais alto nível e autêntica banha da cobra, todos disponíveis no mesmo espaço e a conviver pacificamente, verdade que quando olhamos para o top dos mais lidos temos um arrepio na espinha, mas quem somos nós para decidir o que os outros gostam de ler.

A leitura dos blogs só porque é gratuita e acessível não significa que tenham de ler tudo o que é publicado, nem sequer que têm de ler todos os dias os mesmos autores ou concordarem sempre com eles, são tantas as vezes que adoro um livro mas não gosto do seu final, mas nem por isso deixo de ler os meus autores favoritos.

 

Imaginem os blogs como uma gigantesca biblioteca permanentemente aberta, a qualquer hora podem decidir o que ler e o que escrever. Escrevam para quem vos quer ler e leiam quem gostam de ler, tudo o resto é irrelevante, tudo o resto são livros velhos carcomidos pela traça numa estante carregada de pó.

Coisas que acontecem lá em casa #8 – Uma desgraça nunca vem só

Já diz o ditado que quando nos acontece alguma peripécia desagradável o mais certo é que venha acompanhada por mais umas quantas, sabedoria popular ou não, a verdade é lá em casa costuma ser sempre assim a seguir a uma desgraça aparecem logo mais duas, três ou muitas.

Uma das particularidades é que estas desgraças começam a aparecer devagar e depois escalam.

 

O primeiro stress foi quando regressamos de férias, apercebemo-nos que uma fuga na casa de banho que deveria estar resolvida resolveu dar o ar da sua graça. Foi quando detetamos o desaparecimento de dois alicates, varreu-se a casa toda numa busca inglória, parece que a ferramenta se evaporou.

 

Logo de seguida avariou-se o grelhador, o Moralez conseguiu arranja-lo mas só o stress que casou e o atraso, tive de reinventar o jantar e não correu muito bem, para ajudar aconteceu num dia em que tínhamos uma festa de aniversário após o jantar.

 

A seguir foi a vez da máquina de lavar louça, que felizmente conseguimos resolver sem intervenção de um técnico, bastou ajustar os aspersos e a louça passou a sair limpa, não sem antes ter o stress de abrir a máquina e perceber que iria ter de lavar toda a louça à mão porque estava efetivamente suja, novamente num dia em que tinha planos para depois do jantar.

Entretanto, há duas noites o telemóvel do Moralez achou que estava numa festa e desata a ligar e a desligar qual luz de Natal, estava a dar as últimas, umas horas depois morreu para a vida, truque para aqui, truque para ali, nada feito não há telemóvel para ninguém.

 

Ontem o dia tinha corrido normalmente até chegar a casa e limpar o muro da entrada com o carro, como se não bastasse roçar à primeira, ao tentar corrigir a direção do carro acabei por estragar ainda mais, fiz um estrago enorme por causa de uma aselhice, é só um carro, mas fiquei tão furiosa comigo que estava com vontade de partir tudo, nem sei como não me virei aos pontapés ao carro.

Lá passou a neura dentro do possível, jantamos, já confortáveis no sofá preparados para relaxar vou à cozinha buscar água, por sorte decidi acender a luz coisa que não costumo fazer, ao virar-me para me dirigir à sala vejo água no chão, não eram umas pingas era já uma quantidade razoável de água.

Pânico. Uma fuga de água com a agravante de ser na cozinha é coisa para me deixar a panicar.

Um dos tubos do pio tinha-se desencaixado e estava a verter água, até agora não entendo como o tubo desencaixou, mas estava desencaixado e tínhamos o móvel alagado, lá tivemos de retirar toda a tralha dos armários, enxaguar a água e reparar a fuga.

A sorte é que o marido repara quase tudo sem necessidade de chamar alguém.

30 minutos depois da azáfama lá nos conseguimos sentar para tentar relaxar.

 

É claro que não relaxamos nada, dormi mal, acordei com umas olheiras até ao umbigo e sempre com aquele sentimento que quando as coisas começam a correr mal correm mesmo mal.

Espero que ontem tenha sido o final de um mês de azares.

São estas pequenas coisas da vida que nos retiram vitalidade, quando acontecem espaçadas menosprezamos, mas quando vêm assim aos molhos moem-nos a paciência, causam-nos stress e tiram-nos anos de vida, estava a ver que me dava uma coisa má e logo a mim que sou sempre tão serena a encarar azares.