Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Língua Afiada

O corpo não gosta da pessoa

Uma pessoa faz dieta, anda três semanas a fazer uma alimentação regrada, carregada de frutas e legumes, corta açúcares, hidratos de carbono, guloseimas e perde uns 2 kg, a verdade é que a pessoa não sabe ao certo quanto perdeu porque raramente se pesa, mas pela roupa deve ter sido mais ou menos isso.

Uma pessoa sabe que vai ter férias na praia e aperta com a dieta que o bikini não esconde gorduras e a pessoa consegue perder mais 1 kg.

 

Depois a pessoa entra de férias, troca os horários todos, come como uma loba e quando chega a hora do bikini está em modo lontra.

Uma pessoa olha para as fotos das férias e pensa que a dieta foi em vão, todas as coisas boas que deixou de comer foram um desperdício, a gordura regressou e alojou-se confortavelmente na pessoa em menos de uma semana. Um rácio completamente injusto, a pessoa esforça-se 5 semanas para perder 3 kg e ganha esses 3 kg ou mais em apenas 1 semana.

Totalmente injusto.

Uma pessoa regressa de férias e leva logo com a Páscoa que é para não perder o ritmo da gordura. Depois miraculosamente, mentira que a pessoa voltou à dieta, a pessoa percebe que as gorduras voltam a ceder e a roupa já não fica tão apertada.

 

A sério???

A sério que a pessoa andou inchada todos os dias das férias e agora regressa ao trabalho e desincha, mas este corpo acha que é uma espécie de madeira?

Segundo um estudo recente o acumular de gordura está relacionado com a flora intestinal, pois que a flora intestinal da pessoa gosta mais de férias que a própria pessoa e mal sente que os horários mudam e entra de férias, o que ela gosta de laurear a pevide, abala para outras bandas, desconhece-se o destino talvez vá a banhos ao estômago ou vá beber uns copos ao fígado.

 

A pessoa começa a trabalhar e a flora decide acompanhar, é vê-la a funcionar qual relógio, só para enganar, que ela é mandriona e passados uns dias começa a sornar, a pessoa já lhe deu motivações extras, ervas, chás e até pastilhas, mas a flora tem a incompetência cravada no DNA e assim que possa deita-se a descansar à sombra do intestino delgado e deixa-se ficar por lá.

Mais uma prova que o corpo não gosta da pessoa, faz tudo para contrariar a sua vontade, desde o estômago que teima em dar mais horas que as que deve ao intestino preguiçoso. E onde anda o cérebro, esse super computador? Anda sempre ocupado com outras cenas, que o aparelho digestivo chama-se aparelho por alguma coisa, é um sofisticado aparelho que funciona em piloto automático e por mais que a pessoa tente mudar para a função manual o aparelho é teimoso, já disse que é teimoso, volta sempre à programação original.

 

E o raio do corpo não gosta da pessoa, ai não gosta não, por isso não se pode queixar que a pessoa não goste dele, é que por mais que a pessoa tente cuida-lo e mima-lo ele deixa-a sempre ficar mal porque é teimoso e obstinado. Coitadinho tenho medo que venha uma guerra e fique desnutrido, por isso acumula gordura para fazer face a possíveis adversidades.

 

Oh corpo ouve lá esta pessoa que sabe mais do que tu, se vier uma guerra não há gordura que te safe por isso deixa-te disso e trabalha lá como a pessoa quer.

Vacinação – extremismo e ignorância

As entidades já vieram reafirmar que não há motivos para alarme, em Portugal não haverá uma epidemia de sarampo, existem sim surtos de sarampo, mas com a morte da jovem de 17 anos vítima de uma complicação causada pelo sarampo, o alarmismo será muito.

Segundo os dados da Direção Geral da Saúde 95% dos portugueses estão imunizados, cobertos ou pela vacinação ou por terem tido já a doença, no entanto, Portugal teve mais casos de sarampo nos últimos 4 meses do que na última década, depois de em 2016 Portugal ter recebido da Organização Mundial de Saúde um diploma que oficializava o país como estando livre de sarampo.

 

Porquê? Porque mesmo a taxa de cobertura não sendo de 100%, com tantas pessoas imunizadas é muito difícil a doença propagar-se. Crianças não vacinadas no meio de crianças vacinadas estavam protegidas.

Mas o que acontece quando o número de não vacinados aumenta? Um surto.

Há tempos comentei no blog da MJ que a vacinação não era assim tão linear, recordo-me que na altura o meu comentário gerou discussão, quando me referia a não linear referia-me às vacinas opcionais, como por exemplo a Rotarix, RotaTeq, tenho conhecimento que há pediatras que não aconselham a sua toma especialmente quando a criança não frequenta a creche, a taxa de cobertura é baixa e mesmo o risco de invaginação intestinal ser muito reduzido, ele existe, valerá a pena correr o risco?

Outro caso é a vacina da gripe, conheço pessoas que nunca tiveram uma gripe na vida, tomaram a vacina e ficaram de cama, na minha opinião, pessoas saudáveis não a devem tomar, é a minha opinião e a de alguns médicos.

Com tanta desinformação e opinião os pais são facilmente induzidos em erro, teorias da conspiração, suspeita de esquemas económicos aliados a uma opção de vida naturalista são os principais motivos para pais optarem pela não vacinação.

 

Não sejamos ingénuos existem realmente esquemas, conspirações, acredito que até se causem epidemias e alarmismos para se venderem medicamentos e vacinas, mas não podemos generalizar, como em tudo, também no caso da vacinação o problema é o extremismo.

- Darei todas as vacinas possíveis aos meus filhos.

- Não darei nenhuma vacina aos meus filhos.

 

As vacinas gratuitas do plano nacional de vacinas devem ser realmente administradas a todos os cidadãos, sob pena de se colocarem a si próprios e aos outros em risco, basta uma pesquisa sobre as epidemias causadas pelos vírus das vacinas para percebermos a sua real importância.

Escusar-nos da responsabilidade com exemplos não funciona – O meu filho nunca tomou vacinas e nunca teve nenhuma doença!

Não teve porque provavelmente esteve sempre rodeado de pessoas imunes, tão simples quanto isto.

 

E se o vosso filho que não tomou as vacinas não tiver a mesma sorte e se cruzar com alguém que não esteja imunizado?

 

E já pensaram no que pode acontecer quando um dia mais tarde o vosso filho decidir realizar uma viagem a um país menos desenvolvido e viaje sem uma única vacina, sem as do plano nacional de saúde e sem as aconselhadas à viagem?

 

Há quem defenda que devem ser os pais a decidir se devem ou não vacinar os filhos, a verdade é que cabe a eles a escolha já que a vacinação não é obrigatória, mas existem situações em que é exigido o boletim das vacinas atualizado, nas creches, escolas e faculdades e em algumas empresas, uma política para prevenir surtos em aglomerados de pessoas.

Na minha opinião as vacinas gratuitas deveriam mesmo ser obrigatórias, porque a nossa liberdade termina quando começa a liberdade do outro e é uma estupidez que alguém com o sistema imunitário fragilizado que esteja num hospital possa vir a morrer porque alguém não vacinado deu entrada no hospital e lhe transmitiu um vírus supostamente erradicado.

Existem um sem fim de vírus novos e esquisitos que não obedecem a tratamentos, um sem fim de bactérias resistentes a antibióticos, todos os dias morrem pessoas nos hospitais com infeções hospitalares o nome que dão a todos os vírus e bactérias que não conseguem combater, será que queremos juntar a estes os vírus que já conhecemos e que quase aniquilamos?

Compreendo que queiram proteger as crianças de químicos, mas o estudo de 1998 que o cirurgião Andrew Wakefield publicou na revista The Lancet que demonstrava uma pretensa causa-efeito entre a vacina tríplice (sarampo, papeira e rubéola) e o autismo foi considerado fraudulento, vão mesmo arriscar a vida dos vossos filhos por uma opinião desacreditada?

 

A única desculpa válida para não dar uma vacina gratuita é acreditar na seleção natural.

Nesse caso esses pais devem deixar de recorrer aos serviços de saúde, a medicamentos, a vitaminas, a tudo o que não seja natural, tudo isto alinhado a uma alimentação completamente biológica e porque não paleolítica, se é para fazer seleção natural é para fazer a sério.

Fifty Shades Darker

fifty_shades_darker_review.png

 

Enlouqueci e vi.

Vi o primeiro filme por curiosidade mórbida, a verdade é que não sabia nada sobre a epidemia das 50 sombras de um homem chamado Grey, cheguei a pensar que era um homem grisalho, mas afinal era mesmo um pirralho (não resisti a rima fácil).

O primeiro filme foi uma desilusão, ouvi falar tanto da história, do livro, ouvi tantos suspiros, acho que cheguei a ouvir alguns gemidos, que fiquei curiosa, mesmo sendo a crítica devastadora dei o benefício da dúvida, pois a crítica não gosta de filmes populares.

 

O filme até tinha coisas boas, a fotografia, a banda sonora e o apartamento do Grey, tudo o que realmente interessava era mau, interpretações, especialmente a do Grey, realização, que convenhamos com um argumento daqueles não haveria muito a fazer, é um filme mau que apenas entretém, mas só se não estivermos com muito sono.

É claro que vendo o primeiro já sabia que veria o segundo, é um defeito meu, mesmo não gostando tenho por vício ver as sequelas.

E ainda bem que vi, não, não vão a correr às salas de cinema porque o filme é mau, mas deu para perceber a loucura das mulheres pelo livro e também porque todas diziam que o primeiro filme não mostrava a verdadeira história.

 

Porque as 50 sombras são afinal de amor, a história é um romance e a fórmula é a de sempre, a rapariga ingénua arrebata o coração do Dom Juan insensível, o facto de pelo meio existir uma exploração ao mundo sadomasoquista é apenas um detalhe.

A verdadeira história é a donzela indefesa que conquista o príncipe vadio, uma espécie de Cinderela com a Dama e o Vagabundo e uma pitada de a Bela e o Monstro.

Explicado o sucesso, a autora, esperta, usou a ideia romântica que todas as mulheres têm - a conquista de um homem que não quer ser conquistado, a receita é tão velha quanto a escrita, mas a verdade é que resulta.

Agora as fãs já podem descansar já sabemos que não são umas doidivanas, apenas umas românticas.

Mau ou não, confesso que houve uma ou duas cenas que me embebeceram pelo romantismo, as outras, bem mais pareciam cenas de um filme erótico censurado, por duas ou três vezes disse-me o Moralez – Este filme é feito para homens, não é para mulheres.

Pois que é feito para os dois, porque tem todos os ingredientes para agradar a ambos os sexos, as cenas escaldantes para eles e as românticas para elas.

 

Quanto à maluqueira das mulheres quererem recriar em casa as cenas escaldantes dos filmes, maridos, companheiros, namorados não levem a mal, melhor isso do que quererem recriar as cenas românticas. Já pensaram no assalto que teriam de fazer à conta bancária para proporcionar todo aquele ambiente romântico?

O mais certo era terem mesmo de assaltar um ou vários bancos.

Na impossibilidade de terem o que Grey proporcionava a Anastacia resolverem focar-se na parte que podiam realmente ter em casa, assim ficam todos a ganhar, especialmente a conta bancária.

 

Este filme acrescenta ainda um ponto a favor em relação ao primeiro, o guarda-roupa, no primeiro já não era mau, mas os dois vestidinhos que ela usa neste filme são assim lindos de morrer, serão os vestidos ou as ocasiões?

Fica a dúvida.