Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Língua Afiada

Não há duas em três – o siso que faltava

Lembram-se da minha saga com o dento do siso do lado direito?

É claro que não se lembram, que isso não interessa a ninguém só mesmo a mim que sinto as dores.

Pois bem, escrevi neste post que estava preocupada porque o siso do lado direito já me tinha mandado para dentista duas vezes e o esquerdo ainda nem sequer tinha dado sinal de vida.

Dizia eu no fim-de-semana ao meu afilhado lindo que se tivesse os dentes como a madrinha iria ter sorte, sorte até ao nascimento dos sisos, mais valia estar calada.

 

Nunca pensei que isto de ganhar juízo doesse efetivamente, dói na alma perder a magia da irresponsabilidade, aquela sensação de risco iminente, sabermos que as nossas ações podem correr mal, mas que há todo o tempo do mundo para as corrigirmos, afinal temos a vida adulta toda para sermos responsáveis e ponderados.

Agora doer fisicamente nunca imaginei, mas os meus queridos sisos estão a dar luta, não querem que tenha o juízo total e por isso não se limitam a aparecer e a tomar conta da situação, não, querem ficar inclusos por mais uns tempos, têm medo de envelhecer e querem ficar protegidos pela gengiva.

Meu querido siso esquerdo nada temas, eu agora até deixei de colocar açúcar no café, quase não como doces, escovo muitas vezes os dentes e com pasta de marca, nada de marcas de insígnia, uso elixir e fio dentário sempre que sinto necessidade e os meus dentes são branquinhos, não precisas ficar preocupado com manchas, não tenho cáries para te transmitir, tenho uma boca saudável, o ambiente prefeito para tu cresceres e seres muito feliz.

 

Faz-me feliz e aparece, sem dramas, verás que a vida cá fora é muito agradável e irás provar imensas coisas saborosas, irás sentir-te útil, ou não que na verdade não serves para nada, vá não tenhas receios, os teus irmãos mais velhos estão à tua espera.

Sê um bom menino e não te faças de difícil é que se te não mostrares a bem, mostras-te a mal, não, não é uma ameaça é uma promessa.

Raio de sisos, passava tão bem sem eles!

Acabem com as comparações

Não gosto que me avaliam com base nos outros, que me comparem com a sua visão enviesada da vida, que me meçam pelos sucessos e pelas desgraças que ocorrem no mundo.

A minha mãe sempre me ensinou que não se deveriam fazer comparações de pessoas, porque as pessoas não são comparáveis, é impossível conhecer as suas ambições, capacidades, motivações, recursos e dimensões para fazer comparações.

 

Nascemos e crescemos num ambiente que nos condiciona, nos molda a cada passo, tudo conta para o nosso desenvolvimento, nada do que somos ou sentimos é por acaso, embora acredite que nasçamos com personalidade, ela é esculpida a cada degrau da vida.

O que nos torna especiais são as diferenças entre nós e a nossa imprevisibilidade, nunca sabemos realmente como iremos reagir a determinada situação até a vivermos.

 

A comparação, bem sei, faz parte do nosso crescimento, é com base nos exemplos que vamos evoluindo nesta ou naquela direção, é muitas vezes pela veneração que tentamos chegar mais longe, muitas vezes lutámos apenas para provar que somos melhores do que alguém ou de quem nos julgou.

Na minha opinião mesmo que incentive, um sentimento negativo nunca deve ser a base da nossa vida, estar constantemente a provar algo aos outros deve ser extenuante.

 

Nunca gostei de provar nada a ninguém, aliás se me tentarem testar o mais certo é esquivar-me ao teste, não gosto desse tipo de manipulações, não vivo a minha vida com base no que os outros acham certo ou errado, no que outros consideram sucessos ou vitórias.

As pessoas que têm uma necessidade constante de se vangloriam, de se provarem e de se compararem com os outros escondem uma terrível insegurança e uma constante necessidade de aprovação.

 

Não sou hipócrita, por mais que tenha consciência que as pessoas não se comparam, é inevitável comparar, mas não precisamos de o estar a fazer constantemente e acima de tudo não precisamos de estar a comparar pessoas que não conhecemos bem, só porque achamos isto ou aquilo, se mal sabemos como viver a nossa vida, porque teimamos em querer dizer aos outros como viver a deles?

Uso muitas analogias, metáforas e comparações para me exprimir, mas não o faço para me descrever, para falar sobre mim não preciso de me comparar e especialmente destacar em relação a outra pessoa.

 

Mas é inevitável, estou constantemente a ser comparada pela sociedade, mesmo não querendo fazer parte das comparações, as conversas acabam inevitavelmente por recair numa ou outra comparação.

Não me interpretem mal, por vezes é necessário recorrer a comparações, retiramos delas exemplos, ideias, justificações, contribuem para melhor analisarmos uma situação, é recorrente, não tem mal algum, desde que isso não implique um julgamento.

 

Por favor não façam comparações entre a minha vida e a dos outros!

Porque não me interessa a vida dos outros, o que eles fazem, o que eles têm.

A minha vida já é-me suficiente, se às vezes é difícil decidir o que fazer com ela, imagino como deve ser difícil tentar imaginar o que os outros devem fazer com a deles.

 

O que para mim é bom pode ser insuficiente para outra pessoa, o que para mim não chega pode ser muito para a outra pessoa.

Cada pessoa tem as suas ambições, os seus planos, a sua agenda e há inclusive o direito de não fazer planos, cada pessoa vive como quer, desde que respeite os que a rodeiam não há qualquer mal em viver a sua vida de acordo com a sua vontade.

 

Não tenho planos, neste momento vivo um dia de cada vez e não há nada de mal nisso, é assim porque quero (queremos) e também porque há questões que nos ultrapassam e que é melhor aceitarmos do que estar constantemente a remar contra a maré.

 

O rio corre sempre para o mar e viver ao sabor da corrente é um plano tão bom e tão legítimo como outro qualquer.

Quando os dois têm um blog #4 - Amigos

Ontem durante o jantar:

 

Moralez – Noto que desde que voltaste ao blog estás mais cansada.

Piscogata – Eu sei, o blog acaba sempre por me consumir tempo e ideias.

Moralez – O que escreveste no post de despedida faz todo sentido, tens muitos projetos importantes para te dedicares.

Psicogata – Eu sei, mas não resisto.

Moralez – Mas não penses que quero que deixes o blog, longe disso, até porque já tinha saudades tuas, mas escreve só quando tens tempo.

 

O meu marido é a pessoa mais amorosa do mundo, mesmo tendo-me sempre ao seu lado, não me recordo da última vez que estivemos separados por mais de 24h, tem saudades minhas nas mais pequenas coisas e é tão bom ouvir isso assim espontaneamente.

Os nossos blogs acabam por ser um espaço de convívio nosso com outras pessoas, pessoas que gostamos e com quem nos preocupámos e é estranho se um de nós não existir nessa dimensão.

É quase como se tivéssemos um grupo de amigos em exclusivo, coisa que não acontece, os amigos dele e os meus amigos acabam sempre por ser amigos nossos