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Língua Afiada

São Pedro dá cá um tempo para descanso

O São Pedro claramente é bipolar, um dia está eufórico e resolve brindar-nos com um calor dos infernos, uns dias depois deprime e dá-nos nuvens cinzentas para ficarmos todos em sintonia.

O problema é que o meu organismo não gosta de temperaturas bipolares, este tempo inconstante dá-me dores no corpo, dores de cabeça e sensação de mal-estar e não sou a única, muitas pessoas se queixam do mesmo.

Para não falar do problema óbvio da logística, ter à mão roupa de Inverno e roupa de Verão dá trabalho, quando digo roupa de Inverno não estou a exagerar, na sexta passada por volta das 23h estavam 12 graus, 12 graus fresquinhos com direito a orvalho, que não se remediavam com um casaquinho de malha pelos ombros.

Imagino a dificuldade de quem tem de fazer uma mala para férias, em vez de uma mala de 20kg, tem de levar uma de 40kg para fazer face às eventuais alterações climáticas bruscas, sempre achei complicado fazer malas para passar em férias em Portugal, se achava isso antes, depois da última Primavera e pela amostra deste Verão acho que é mesmo impossível levar só roupa quente.

Isto de culpar o São Pedro é giro, tem a sua piada, mas o problema não é o São Pedro, é bem mais grave do que isso, o clima está a alterar-se e dizermos em tom de brincadeira que estamos a ficar um país tropical, não tem realmente graça, porque é efetivamente um problema.

Este pensamento não ajuda em nada no meu ânimo que se sente afetado pelas nuvens cinzentas que vislumbro pela janela, desanimo mais um pouco, este mundo está em rota de colisão, mas continua a girar como tudo estivesse perfeito.

Lições para vida #3 – Dinheiro não compra tudo

O dinheiro não compra tudo, há uma coisa que não se compra nem com todo dinheiro do mundo!

O dinheiro não compra Bom Gosto!

 

Pensavam que ia escrever felicidade?

Não sejam ingénuos a felicidade compra-se, porque mesmo nas tragédias, nas desilusões, o dinheiro compra a tranquilidade e as vistas deslumbrantes para recuperarmos o ânimo.

A vida é muito mais fácil se tivermos dinheiro e uma vida fácil é meio caminho para a felicidade.

 

Ora retirem da vossa vida tudo o que vos causa chatices:

Aturar o patrão, receber uma miséria, ter pouco tempo para fazerem o que mais gostam, terem de deixar os filhos para serem criados por outras pessoas, ter de pensar nas contas do mês, planear os gastos, pensar no que fazer para jantar.

 

O que resolvia isso tudo?

Dinheiro, a maioria dos nossos problemas desapareciam se tivéssemos dinheiro!

 

Já o mau gosto, esse entranha-se na pele, por mais dinheiro que se tenha, o bom bosto ou nasce connosco ou nunca morará em nós.

Antes ter bom gosto do que ter muito dinheiro, ao menos não andamos por aí a fazer figuras tristes.

Podemos ser pobres, mas com bom gosto.

 

Por bom gosto entenda-se tudo o aquilo que faz de nós pessoas elegantes e educadas, refinadas e polidas, em tudo, desde os valores que cultivamos até à roupa que vestimos.

A roubar que se roube em grande, só em Portugal.

O que se passou em Tancos é grave, gravíssimo, não o roubo, mas a facilidade com que se permite um assalto destas dimensões.

Cinco Comandantes foram exonerados, mas teriam eles a capacidade de decisão para mudar o que aconteceu?

Como é possível que material sensível como o que foi frutado estar sem videovigilância?

Porque em Portugal confiamos sempre que ninguém quer nada connosco, somos um país pacífico, quem se lembraria de assaltar uma unidade militar em Portugal, nem temos grande armamento.

A culpa não foi da falta de vigilância e manutenção, a culpa foi dos ladrões, que são muito inteligentes e estavam muito bem informados. Ninguém tem culpa dos ladrões saberem aproveitar janelas de oportunidade nas falhas de segurança.

Os ladrões supostamente são pessoas más e estúpidas, desleixados e com pouca capacidade de planeamento, alguém se lembraria de fazer um assalto elaborado, cirúrgico e minucioso ao Exército? Isso é coisa de filmes.

Em Portugal, apurar culpados e prender os grandes chefes criminosos, os mafiosos e vilões também é coisa de filmes, esses finais felizes só acontecem no grande ecrã, na vida real nunca se apuram responsabilidades, os criminosos passam incólumes, quanto mais importantes forem e maior for o roubo, maior é a garantia que não serão dados como culpados.

Já o pobre senhor que rouba um kg de arroz para dar de comer aos filhos vai direto para a esquadra, é presente a tribunal e como não tem dinheiro para um advogado que tenha uma reputação a defender ainda vai preso, que é para aprender que a roubar rouba-se muito que é para depois ter dinheiro para comprar a liberdade.

 

Já sabem se estão a pensar roubar, roubem muito, em grande, que é para garantirem que não são apanhados.

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