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Língua Afiada

A importância das férias no tempo certo

As férias são essenciais à nossa produtividade, para carregar baterias, para descomprimir, atenuar os efeitos do stress do dia-a-dia.

Todos deveríamos ter direito a férias, quando digo férias falo de férias a sério, daquelas em que não se faz rigorosamente nada, especialmente as mulheres, não serão todas, mas sabemos que durante o ano as mulheres são sobrecarregadas de tarefas, principalmente as domésticas e ir de férias para um apartamento ou casa a cozinhar e a lavar louça todos os dias não são férias, são um arejar da cabeça.

 

Não sou preguiçosa, pelo contrário, mas gosto de pelo menos uma vez por ano ter realmente férias, não é só ter de cozinhar o que até não me custa nada, é toda a organização e planeamento que isso envolve, pode ser giro, especialmente quando partilhado com amigos, mas há aqueles momentos em que nos apetece não ter que fazer realmente nada a não ser ocupar o tempo como bem entendemos.

 

A maioria dos portugueses tem 22 dias de férias que são mais coisa menos coisa 4 semanas completas se só guardamos dois dias para tratar de assuntos pessoais o que raramente acontece, depois há os dias impostos pelas empresas há quem só marque a véspera de Natal e a véspera de Ano de Novo, mas há outras empresas que marcam pontes e outras datas e facilmente de 4 semanas ficamos apenas com 3 semanas.

 

Há quem goste de tira-las seguidas para durarem mais, pessoalmente prefiro reparti-las pelo ano para ter vários períodos de descanso, penso que é importante proporcionarmos ao nosso corpo descansos intercalados, dessa forma evitamos ficarmos extenuados e ansiosos por aquele mês passar o ano todo à espera de um mês é desesperante.

 

Este ano mais uma vez optamos por repartir e tiramos férias bem cedo e tínhamos planeado tirar novamente este mês, não foi possível, nada de grave, não nos sentimos exaustos de um ano sem férias e até às próximas ainda teremos pelo meio um fim-de-semana prolongado para equilibrar dos dias de trabalho.

 

Do que sinto falta é da continuidade das férias, quando tiramos férias em Junho ou em Julho ficamos eufóricos e viciados nessa euforia para o resto do Verão, é como se nunca perdêssemos o ritmo das férias e isso faz com que aproveitemos todos os momentos.

Como este ano, apesar de termos feito praia, as férias foram muito antes do Verão essa euforia perdeu-se, quebrou-se o encanto, parece mesmo que as nossas férias já foram a uma eternidade, porquê? Pelo simples facto de por motivos climatéricos vimo-nos impedidos de as prolongar.

 

É por isso que gosto de tirar férias no início da época quente, ali por meados de Junho e repetir a dose em Julho, adicionamos um fim-de-semana em Agosto e ficamos com a sensação que estamos o Verão todo de férias e é tão bom.

Ficamos nós e fica toda a gente, que nos tempos em que publicava muitas fotos nas redes sociais, chegaram a perguntar-me quantos meses de férias tinha.

 

A verdade é que tenho, temos, os mesmos dias que todas as outras pessoas, mas a distribuição que fazemos dos dias e o prolongamento do espírito de férias nos dias que se seguem fazem parecer que estamos efetivamente todo o Verão de férias.

Estou a sentir falta dessa euforia este ano, pode ser psicológico como disse o Moralez, por termos adiado as férias, mas psicológico ou não, a verdade é que temos realizado menos passeios, não temos ido à praia e não temos aquela super mega boa disposição que nos é característica nesta altura.

Não é que andemos mal dispostos, raramente andamos, mas falta aquele extra bom do Verão, a euforia.

 

Já temos planos para a restaurar este fim-de-semana, espero que tome conta de nós e dure até Outubro, melhor até Novembro, já costuma durar até Outubro para compensar tem de durar até Novembro.

Euforia podes fugir, mas não te podes esconder.

Coisas que adoro no Verão #4

 

Euforia!

A sensação que temos de aproveitar todos os momentos, a necessidade de fazer planos, o entusiasmo desses planos, a boa disposição geral que predispõe as pessoas a fazerem 30km só para ver o pôr-do-sol durante 10m.

O Verão, melhor dizendo o calor, contagia e dá-nos uma energia extra, se nos dias mais frios temos vontade de ficar no aconchego do lar, o calor pede outro tipo de atividades.

Estou convencida que vivemos mais em 3 meses do que no resto do ano, então no Inverno é triste ver a apatia que se abate sobre a maioria das pessoas.

O Verão é sinónimo de festa, férias, fins-de-semanas prolongados, passeios, praia tudo coisas maravilhosas que nos entusiasmam.

“Casas perfeitas para fazer uma escapadinha discreta com a sua amante” WTF?

Não, não é o título de um romance de cordel, é o título de uma notícia.

A NiT que por acaso é uma publicação que sigo e que costumo ler com regularidade, estava a ficar com falta de títulos chamativos e resolveu dar este a uma lista de locais recônditos onde passar uma noite romântica.

Locais à parte, que são lindos e merecem uma visita, o título da notícia e o texto são desconcertantes.

 

Na última vez que me informei adultério é crime e para além de ser crime não é um comportamento aceitável socialmente, ou não deveria ser, especialmente nos casos onde a pessoa traída não sabe que o é, o exemplo dado na notícia.

 

“Este texto foi pensado para os leitores que passam muitas noites fora de casa sob o pretexto de que têm viagens de negócios super importantes. Não temos nada a ver com isso e nem sequer vamos entrar num debate moral sobre isso. Até porque pode muito bem ser verdade. Vamos limitar-nos a dar soluções para o caso de estar entediado — da vida, do emprego, do que o rodeia — e precisar de um sítio escondido onde ninguém o consegue encontrar.”

 

O texto está tão carregado de estereótipos, preconceitos e ideias preconcebidas, que só faltava mesmo descrever o marido como galã, a esposa como totó e a amante como sexy.

Para além do teor sexista e machista como só os homens tivessem direito a uma escapadinha do tédio da vida, há ainda uma caraterização do sexo masculino que traí, homem de negócios, com uma vida preenchida, supostamente com monotonia em casa e com predisposição para trair.

 

Depois de ler as observações aos locais sugeridos ainda fiquei ainda mais abismada, atentem nas preciosidades:

“Pronto, não precisa de dois quartos, mas o que interessa mesmo é aquele que fica no último piso, em open space.”

“Não se preocupe, estão suficientemente longe uma das outras.” Referindo-se a existirem várias casas.

“(caso se sinta suficientemente seguro para dar uma voltinha)” referindo-se a atividades disponíveis nas imediações.

“dois quartos — quando ficar farto de um, já sabe que tem o outro. É que isto de estar sempre dentro de casa também cansa.”

 

Bem sei que sugestões destas não fazem ninguém trair, a predisposição para isso já tem de existir, no limite pode ser a último incentivo para isso, mas este tipo de notícias dá legitimidade ao comportamento, é uma espécie de bênção pública, a autora escusa-se de julgamentos morais, mas ao fazer esta notícia já o faz, faz parecer um comportamento normal, aceitável e esperado, que só por isso seria mau, mas ela confere-lhe ainda o toque machista para ficar ainda pior.

Esta notícia faz lembrar as publicações dos anos dourados, quando as mulheres liam revistas de boas maneiras e as revistas de negócios estavam reservadas aos homens que dedicavam mais tempo às secretárias do que às esposas.

A tudo isto ainda acresce o estigma que uma noite a sós num local edílico está reservada para a amante como se um casal de esposos ou de namorados não pudesse querer esconder-se do mundo e ter uma noite de amor.

 

A esta altura não esperava que uma mulher escrevesse um texto destes, é demasiado mau.

Não, não é falta de sentido de humor, porque o texto não é humorístico, nem sequer tenta ser engraçado, é mesmo só totalmente descabido.