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Língua Afiada

Chega de politiquices

 

Em Portugal, e acredito que no mundo, tudo é pretexto para fazer política, perdão, politiquice, seja pela parte dos partidos políticos no poder, seja por parte dos partidos da oposição.

Quanto maior a tragédia maior o placo para os políticos atuarem, parecem astros da sétima arte, só lhes falta distribuir autógrafos, já dão abraços e beijos e até já tiram selfies, só falta mesmo começarem a assinar a testa das pessoas.

 

Perante uma calamidade não importa ajudar o mais rapidamente possível, auxiliar as pessoas, fazer o necessário para que se retome a normalidade, não da vida, mas das rotinas, porque a vida essa já sabemos nunca mais será igual, nada disso é importante, o prioritário é descartar responsabilidades, ficar bem no retrato e garantir os cargos, tranquilizar que foi feito tudo que estava ao seu alcance, passar uma imagem de consternação, descansar a população para que esta se conforme rapidamente, se cale e se esqueça.

 

Quando se questiona alguma coisa, recebemos o mesmo discurso, está tudo esclarecido, está tudo tratado, está a ser feito tudo o que é possível, as autoridades estão a investigar, agora até o Segredo de Justiça é desculpa para ganhar tempo.

 

Na oposição erguem-se as vozes contrárias, exigem-se explicações, até se fazem ultimatos, basicamente fazem o que quem está na oposição faz sempre e por isso ninguém os leva a sério, estão simplesmente a usar os erros de quem esta no poder para obter o poder mais depressa.

 

Que os políticos façam politique eu entendo, embora não concorde, entendo, já que para eles o importante é chegar ao poder, desengane-se quem pensa que eles se sentem incumbidos de salvar o país, de operar uma grande mudança, de deixarem Portugal melhor do que antes o encontraram, o que eles querem é assegurar uma pensão vitalícia e constar na história e para isso não precisam de fazer algo relevante, assumirem o cargo é suficiente para constarem da lista.

 

O que me surpreende é que o próprio povo faça politiquice e que o jornalismo seja conivente com isso, não se pode questionar nada, se questionamos é porque somos fascistas ou comunistas e estamos contra o Governo.

 

É impressionante como as pessoas incorporam os ideais partidários, os seus dirigentes ultrapassam-nos, moldam-nos a seu gosto, pisam-nos, fazem o que for preciso para conseguirem chegar ao poder, mas o povo continua fiel aos princípios de cada cor, cegos, tão cegos que batem com a cabeça na parede uma e outra vez, mas a cruz na folha de voto tem lugar cativo.

Será assim tão difícil descolar do ideal de um partido para fazer uma análise isenta das situações? Parece quase que estamos a falar de clubes de futebol, onde a cegueira é tanta que até se o jogador partisse a perna do adversário dentro da área continuariam a dizer que não era penálti.

 

Questionar a atitude do Governo, pedir responsabilidades, exigir respostas não significa que queremos ver o Governo cair, significa apenas que estamos atentos e que queremos respostas.

Sr. Primeiro-Ministro António Costa não está tudo esclarecido, antes pelo contrário, não está nada esclarecido, não sei se acreditam nisso, se estão a tentar ganhar tempo para apresentar uma desculpa mirabolante como o material obsoleto de Tancos ou a tentar que a tragédia caia no esquecimento, independentemente da estratégia tenha uma certeza, o povo não esquecerá, não deixará passar em branco.

 

Exigimos a verdade, queremos transparência e rigor.

Já agora deixem o discurso politicamente correto e as operações de charme e façam alguma coisa concreta para ajudar as vítimas, o dinheiro angariado de nada serve se não chegar a quem de direito.

 

 

Letargia

No meio de uma estrondosa confusão de pensamentos, consigo esquematizar o suficiente para responder aos emails, o caos é interrompido ocasionalmente pelo barulho do telefone, a custo consigo articular as palavras e falar.

Um torpor assola-se o cérebro, não é preguiça, não é sonolência, é cansaço, o cansaço de dois dias intensos e preenchidos de sorrisos, gargalhadas, conversas que foram quebrados de forma abrupta, sem intervalo.

O meu corpo não gosta de mudanças bruscas, sinto-me presa à rotina do fim-de-semana, não quero horários, não quero tarefas, não quero pensar em coisas sérias, quero neste preciso momento deitar-me a uma sombra e cerrar os olhos para uma doce sesta.

Acordar revigorada e dar um longo passeio pelas margens do rio, estender uma toalha e fazer um piquenique, ler um livro, conversar, sem pressas, sem hora marcada, desfrutar de uma tarde solarenga e quente.

O Verão não foi feito para se trabalhar, foi-nos dado para apreciar e saborear, para sentir que a vida pode ficar suspensa enquanto fitamos o céu azul, ouvimos o som das ondas, sentimos a brisa amena do mar, saboreamos um gosto salgado na boca e sentimos o corpo a aquecer pelo sol, a armazenar energia, a energia que nos aquecerá o coração nas noites frias de Inverno.

Coisas que adoro no Verão #1

Horas intermináveis de luz.

 

Tão boa a sensação que o dia é enorme e que temos mais tempo para viver mais.

Sair do trabalho de dia e saber que irá permanecer dia durante umas horas dá vontade de fazer uma série de coisas, boas:

Dar um passeio antes ou depois do jantar.

Sentar numa esplanada a degustar um gelado.

Apreciar um pôr-do-sol tardio.

Jantar no exterior.

 

Haja imaginação para usufruir dos dias maiores e mais quentes.

Este ano durante a semana tenho andado preguiçosa, mas tenho de começar a aproveitar os finais de tarde antes que o Verão acabe e depois me fique a lamentar do mau tempo.