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Língua Afiada

E depois do Natal… Boas Notícias

E depois do Natal sinto uma mistura de sentimentos, felicidade e tristeza, grata pela reunião da família, vazia porque foi mais um Natal e passou tão rápido. Todos os anos fico com esta sensação dúbia.

O período que decorre do Natal para o Ano Novo é um tempo estranho, é uma espécie de limbo, uma espera de uma festa para outra festa, que conta ainda com outras festas pelo meio e este ano ainda lhe juntaremos possivelmente mais duas.

De 2018 escrevi que não esperava muito, mas a vida dá muitas voltas e quando menos esperamos toma um rumo inesperado e não é que essas voltas me fizeram ter esperança que 2018 será um excelente ano.

Espero que sim porque os últimos quatro anos foram duros, por isso necessito mesmo de um bom ano para equilibrar a balança.

 

Hoje é um dia de viragem e como estou imensamente feliz não consigo escrever muito, mil e um pensamentos ocorrem-me em simultâneo, sinto uma espécie de adrenalina a percorrer-me o corpo, depois de momentos de puro stress, a calmaria é estranha, causa uma espécie de euforia desmedida que não consigo controlar.

Novos tempos se avizinham e a viragem do ano é uma altura excelente para mudar, desejo do fundo do coração que a mudança seja maravilhosa, só pode ser, estou tão feliz por ti. Parabéns Amor pela coragem e pela determinação.

Mereces tanto, mais do que ninguém. Ansiosa por chegar a casa e abraçar-te e dizer-te como me orgulho de ti.

Amo-te.

Até ao Natal o espírito natalício pode chegar

Adoro o Natal e as decorações de Natal, decorar a casa costuma ser um ritual que começa a dia 1 de Dezembro e se prolonga por quase todo o mês, pois vou sempre ajustando as decorações, comprando uma ou outra peça nova, é um trabalho sempre em progresso.

Este ano não existiu esse ritual, não houve essa alegria, nem essa vontade, fiz a árvore sem grande entusiasmo, coloquei a coroa na entrada e os bonecos de Natal na lareira, o resto manteve-se igual.

 

Ontem enquanto organizava as coisas em casa olhei para a decoração e percebi que algo estava mal, toda a casa ainda estava decorada de Verão, decoro a casa por épocas e no Verão é normal colocar búzios, conhas e outros objetos que lembrem o mar e a praia espalhados pela casa, normalmente no Outono mudo para uma decoração à base de tons terra e flores secas, este ano não o fiz e o ambiente não me parecia acolhedor.

Rapidamente e quase mecanicamente substitui a decoração veranil por caixas de Natal, anjos e outras figuras natalícias, velas douradas e vermelhas, muitas decorações ficaram guardadas, mas pelo menos a casa já está decorada à época.

 

Pouco depois deste processo saí à rua e olhando para o azevinho pensei falta-me colocar uma jarra com azevinho, nesse momento percebi porque é que olhava para a árvore de Natal e achava que lhe faltava algo, esqueci-me dos ramos de bolinhas vermelhas.

Entro em caso a rir-me e a dizer ao Moralez já sei porque é que a árvore não parecia completa, faltam as bolinhas, e percebo que não faço ideia de onde estariam.

Começo a vasculhar os locais onde possivelmente estariam, não as encontrava em lado nenhum, às tantas o Moralez começa a dizer que são frágeis e não podem estar em qualquer lado que se calhar as deitei fora sem querer, confesso que aqui comecei a panicar, é que são a decoração mais cara que tenho à parte da árvore, foi uma pequena loucura de cometi.

Adoro o meu cérebro quando já estava a dar-me por vencida deu-se um click e lá vou eu direitinha sem saber bem como ao local onde estavam. Suspiro de alívio.

 

Não sei se foi o espírito de Natal que finalmente tomou conta de mim, se é a esperança que parece ter batido à porta com boas novas, mas estou ansiosa por terminar a árvore e até dar os últimos retoques nas decorações.

O que sei é que apesar de não estar, já pareço estar em modo férias, daquelas de não fazer nada, ao pé da lareira, com mantinhas de lã e pantufas, com o aroma a canela a espreitar da cozinha dos doces acabadinhos de fazer, a devorar filmes românticos.

 

Para os próximos dias só quero o aconchego da casa e dos meus, deliciar-me com as brincadeiras dos mais pequenos e distribuir miminhos e doces por todos.

Espero que todos encontrem a tranquilidade e a paz necessárias para celebrarem esta quadra com amor, às vezes o espírito natalício demora a chegar, mas quando bater à porta deixem-no entrar.

A todos um Feliz Natal.

Christmas Blues e a Magia do Natal

O Christmas Blues que podemos traduzir para Tristeza de Natal é um estado reconhecido pela psicologia que é caracterizado por um sentimento de tristeza, desânimo e ansiedade durante a época festiva.

O Natal é associado a festa, amor, família, amizade, paz, quando a nossa vida não se coaduna com estas associações é frequente encararmos o Natal com desinteresse, melancolia ou angústia.

 

Ao longo da vida vamos perdendo entes queridos, a vida acaba muitas vezes por nos levar a ter desentendimentos com familiares próximos e por diversas circunstâncias vamos deixando amigos para trás, é nesta altura do ano que nos lembramos de quem partiu com mais saudade, em que o seu lugar vazio à mesa fica mais visível, é no Natal que percebemos a hipocrisia ou o esforço oco que familiares desavindos fazem para estar juntos, é neste momento que recordamos bons momentos com amigos que estão longe e nos fazem falta.

A família, a amizade e o amor são essenciais e se durante o ano no meio da correria do dia-a-dia e no atropelo das rotinas não temos tempo para pensar, esta época força-nos a refletir sobre a família que temos, as amizades que cultivamos e o amor que partilhamos.

Nesta época com frequência percebemos que o que temos não é suficiente, muitas vezes consciencializámo-nos que a partir de agora iremos agir de forma diferente para que o vazio ou o espaço seja preenchido, mas raramente mudamos a nossa postura e os outros raramente mudam a deles.

 

A perda de familiares próximos que davam colorido a outros Natais, despertam em nós uma melancolia profunda, uma saudade apertada, um desejo que o tempo volte atrás, na verdade quase todos recordamos com nostalgia os Natais da nossa infância, à distância todos eles parecem perfeitos, mas não eram, aos nossos pais também faltavam entes queridos, as suas famílias também tinham problemas e os amigos nem sempre estavam próximos, aos nossos olhos deslumbrados pela magia do Natal é que tudo parecia perfeito.

Cabe a nós, hoje adultos, proporcionarmos esses Natais perfeitos à nova geração, a filhos, sobrinhos, primos, às crianças que nos rodeiam, esta é a magia do Natal fazer com que tudo seja ou pareça perfeito para eles.

Fazer um Natal perfeito para muitos é um esforço herculano, para outros uma forma natural de agir, cada um terá os seus motivos para estar triste ou melancólico, as circunstâncias da vida muitas vezes moldam-nos e fazem daquela criança que vibrava com o Natal um adulto que o despreza e tudo o que ele simboliza, porque na verdade na sua vida o Natal perdeu o significado.

 

É difícil festejar o Natal quando na vida temos pouco a celebrar ou quando nos faltam pessoas para partilhar os festejos, mas cabe a cada um de nós contrariar esse pensamento e ter consciência que um Natal perfeito não é o Natal de capa de revista, é o que é possível para nós, não devemos criar ilusões ou ter expetativas exageradas, isso só nos fará sentir mais infelizes e angustiados.

Cada um deve festejar o Natal de acordo com as suas possibilidades, deixando o consumismo, as iguarias, as decorações e a noção de família ideal de lado, a perseguição utópica de um Natal perfeito só faz com que não consigamos desfrutar plenamente do Natal que nos é possível festejar.

Façamos o luto de quem partiu, sentir saudades é dor, mas também é amor, recorde-se com alegria dos bons momentos, e proporcione-se bons momentos aos presentes para que em futuros Natais sejam eles a recordar-nos com nostalgia e amor.

 

O meu Natal será bem diferente do que previ e embora o espírito natalício não tenha ainda tomado conta de mim, no dia 24 e 25 de Dezembro sei que a magia do Natal funcionará e que exibirei um sorriso nos lábios e sentirei o coração cheio, o que perdi, o que não conquistei e o que não tenho ficará para segundo plano porque festejarei tudo o que encontrei, tudo o que conquistei e tudo o que tenho, agradecendo todas as dádivas que a vida me concedeu.

Esta é magia do Natal encontrarmos em nós força, resiliência e amor para oferecemos aos outros um Natal perfeito e esse é sem dúvida o melhor presente que podemos dar a alguém.

 

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