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Língua Afiada

Apresentações e palestras desinspiradas (constipadas)

Esta semana tenho cá na empresa uma visita de estudantes, ultimamente parecemos um museu tal é quantidade de pessoas que nos visitam.

Problema? Para além de não estar com muita inspiração para fazer uma apresentação espetacular para brindar os visitantes, estou a marinar uma constipação alérgica, eu sei isso não existe no dicionário dos médicos, mas existe no meu, passo a explicar é quando me constipo e os sintomas são elevados ao cubo porque lhe junto uma alergia.

Já me estou a imaginar fungosa, fanhosa, remelosa e tossiquenta a tentar manter a compostura ao mesmo tempo que dou a entender que trabalhar é a cena mais espetacular de todo sempre, mesmo que o certo seria estar em casa a curar a minha constipação alérgica.

Hoje, já passarei na farmácia para repor o stock de anti-histamínico para ver se isto não escala e se consigo estar mais ou menos focada, primeiro para desenvolver a apresentação e depois para a apresentar.

Entretanto o meu trabalho acumulou-se, sabe-se lá bem como, o meu foco é zero, zero porque tenho a cabeça a explodir.

Tinha tantos planos para esta semana, inclusive dar conta de algumas tarefas em casa, agora fico satisfeita se tiver vontade de jantar, fará preparar o jantar.

Paradoxo - Querer ser diferente quando se odeia a diferença

Existe uma vontade generalizada de se querer ser e, sobretudo, parecer diferente, como se o que é tido como normal fosse uma doença contagiosa, “ter uma vida normal” seja lá o que isso for, porque o conceito é tão mutável e diferente que é por isso impossível de definir, é considerado mau, medonho, assombroso e impeditivo de ser feliz.

A vida normal de uma pessoa é quase sempre sinónimo de banal, vulgar, desinteressante, uma vida que ninguém quer para si, porque todos acham que são diferentes, especiais de alguma forma e por isso pensam que têm ou merecem uma vida especial.

 

As pessoas tentam ser diferentes e inspiradoras de várias formas, seja pelo sucesso no seu trabalho, pela sua imagem, pelas relações sociais que têm, pelo dinheiro que ostentam, na hora de se mostrarem diferentes e superiores todos os trunfos são válidos.

Nesta incessante sede de afirmação pela diferença e pela inspiração as pessoas moldam-se ao que consideram ser uma vida de sonho que possa ser invejada, as redes sociais foram o melhor presente para quem sempre quis ser e mostrar algo que não é.

 

Por toda a parte é possível ver-se afirmações pela diferença, afirmações que têm as mais diversas origens, há no entanto dois extremos que elevam esta necessidade ao ridículo, de um lado os que querem ser, fazer, gostar de algo porque é tendência, porque é moda, do outro lado os que não querem ser, fazer, gostar de algo precisamente porque está na moda.

Umas adoram ser as primeiras a seguir tendências, outras adoram ser as primeiras a ridicularizar tendências, e esta posição por vezes é levada tão a sério que as pessoas de lados opostos chegam a desprezar-se.

 

Curioso que no meio de tanta necessidade de ser diferente se despreze a diferença, a diferença inata, real, concreta, que não pode ser manipulada, alterada, fabricada.

Não suportamos encarar a diferença porque ela é incómoda, preferimos desviar o olhar, recorrer a lugares comuns, esconder-nos no preconceito e focar-nos na nossa normalidade, a mesma normalidade que desprezamos e da qual tanto queremos fugir.

Renegamos raças, credos, tradições, culturas, modos de vida, gastronomias, profissões para mais tarde descontextualizarmos toda a essência de um povo ou cultura para beber dele inspiração para tentarmos ser diferentes.

 

Odiamos o que é diferente, passamos a vida a tentar ser diferentes, quando somos todos iguais.

O fantástico sentido de humor da vida

Na semana passada lamentava-me que não podia tirar férias por causa do trabalho, que apesar de ter terminado um projeto, não havia muita margem para marcar viagens entre compromissos.

Estou convencida que a minha vida gosta mesmo de brincar comigo pois eis que nos coloca, a mim e a ele um novo projeto, não sabemos ainda em que moldes, o trabalho que dará e é preciso claro que passe da fase de orçamento, mas sendo que o cliente já conhece o nosso trabalho a probabilidade que o projeto se concretize é alta.

Se isto é bom? Claro que sim, é espetacular, é acima de tudo reconhecimento e uma oportunidade de fazermos o que gostamos, mas, há sempre um mas, é preciso aparecer sempre tudo ao mesmo tempo?

Não é que não esteja feliz, estou muito feliz e agradecida, até porque é uma oportunidade que pode abrir caminho para uma oportunidade muito maior, mas precisava de um intervalo e não sei como encaixar esse intervalo na minha agenda.

A minha vida deve pensar isto de mim:

- Queres tempo para descansar?

- Toma lá mais trabalho que é para aprenderes a não te queixares! Há pessoas que nunca têm férias e não morrem, se calhar queixam-se menos que tu!

 - Para a próxima não te queixes!

E é isto!

É claro que facto de eu não dormir uma noite seguida há umas cinco noites seguidas e de no fim-de-semana ter ficado mais cansada do que descansada pode estar a alterar profundamente o meu pensamento, que neste momento só pensa no sofá, mas isso são detalhes.