Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Língua Afiada

Motards não são todos Hells Angels

Os preconceitos fazem parte de qualquer cultura, são-nos incutidos pela educação, pelas palavras, pelas atitudes, pelas histórias, até pelas piadas, crescemos e vivemos com eles, muitas vezes sem termos noção que somos preconceituosos. Não pensamos muito sobre o assunto, raramente fazemos esse exercício de pensar se realmente aceitamos e tratamos todas as pessoas da mesma forma e mesmo pensando e descobrindo que não, serão poucos os que o admitirão sem atirar um não tenho nada contra, só não quero nada com eles, o “eles” podem ser pessoas de cor, ciganos, polícias e motards.

 

Não quero de forma nenhuma defender o comportamento criminoso e totalmente condenável do grupo Hells Angels, mas não podemos tomar a parte pelo todo, em Portugal existem centenas, se não milhares, de moto clubes, há quase um por cada freguesia, são coletividades que funcionam como os ranchos folclóricos ou clubes de corrida, têm uma sede, um local onde se encontram para confraternizar, organizam rides e diversas atividades, as motos não são nada mais do que uma desculpa para o convívio saudável de amigos e respetivas famílias. Existem ainda diversos clubes sem sede e órgãos sociais, amigos e conhecidos unidos por um gosto comum, as suas motos.

 

Infelizmente existe preconceito para com os motards especialmente os que são o estereótipo de motard mauzão, cabelo comprido, barba, tatuagens, casaco de cabedal, acredito que este preconceito não tem por base as más experiencias com eles, mas os filmes que comumente os retratam como feios, porcos e maus, mas essa não é de todo a realidade de Portugal e da maioria dos países da Europa, embora os gangues tivessem sido importados eles não representam nem por sombras a maioria.

Curiosamente do outro lado existe o estereótipo do bom rebelde, o rapaz cool que tem uma moto e leva a namora da passear por um cenário edílico, voltamos novamente aos filmes e é por causa deles que estes estereótipos complemente antagónicos coabitam na nossa mente e sociedade.

 

Como em todos os locais existem pessoas boas e pessoas más nos moto clubes, mas a maioria mobiliza-se pelo bem, ajudam causas sociais e pessoas necessitadas, o espírito de grupo e de interajuda é uma parte importante nas associações e coletividades e nos moto clubes não é diferente. Por isso que fico triste com o preconceito e pela forma como alguns são tratados, tomar a parte pelo todo nunca é certo, o pior preconceito é nas estradas, os condutores de automóveis não têm qualquer respeito pelos motociclistas, esquecendo-se que eles estão muito mais expostos do que alguém que viaja protegido numa caixa de metal.

É claro que existem motociclistas imprudentes que se colocam em situações de perigo, como existem automobilistas que o fazem diariamente, isso não significa que devemos despreza-los e maltrata-los a todos e muito menos dificultar-lhes a vida.

Acredito que muitos automobilistas fiquem frustrados quando estão parados nas filas de trânsito e são ultrapassados por motociclistas, mas quem conduz moto muitas vezes tomou essa opção precisamente pela comodidade de andar na cidade, de estacionar e claro pela poupança em combustível.

 

As motos na sua maioria são amigas do ambiente, usam gasolina em vez de gasóleo, consumem menos, logo poluem menos, facilitam o trânsito e o estacionamento nas cidades, é por isso que são o meio de transporte privilegiado em diversas cidades europeias a par com bicicletas elétricas ou não e outros veículos mais amigos do ambiente e do trânsito.

Infelizmente em Portugal pouco se faz para fomentar esta tendência, a obrigação das motos 125 serem presentes a inspeção é precisamente uma medida contrária à tendência, esperemos que este caso dos Hells Angels não contribua para que os portugueses olhem ainda com mais desconfiança para este meio de transporte, estar em Paris, Barcelona ou Roma e ver passar centenas de motos e vespas é um colorido para os olhos.

 Maré de plástico

Praia de Montesinos, em Santo Domingo na República Dominicana foi invadida por toneladas de lixo, nomeadamente plástico, o cenário dantesco é um espelho do estrago que estamos a causar ao nosso planeta.

Onde se viam palmeiras e areia branca.

montesinho.jpg

 

Existe agora uma areal de plástico.

republica.jpg

image.aspx (1).jpg

 

Já estive na República Dominica, onde tive umas férias fantásticas pautadas por praias paradísicas e uma natureza incrível, a ilha para além das praias de areia branca e mar mais azul que o céu é um santuário de milhares de espécies marinhas e também de diversas aves, é possível admirar os lindíssimos corais e visitar um centro de proteção de tartarugas na famosa Ilha Saona, um dos locais mais belos que visitei.

Os Dominicanos são um povo muito afável e muito alegre, sempre a cantar e a dançar, recebem-nos de braços abertos e sorriso nos lábios, apesar de o país ser pobre, as suas gentes são ricas em afetos.

 

É com enorme tristeza, com o coração apertado que vi este vídeo, é impressionante que mesmo perante sinais atrozes da falência do nosso ecossistema, não sejam tomadas medidas concretas, rígidas e marcantes para que os nossos oceanos não passem a ter plástico em vez de peixes e as nossas praias em vez de areia tenham lixo.

Militares, ambientalistas e locais trabalham em conjunto para recolher o lixo, já foram retiradas mais de 50 toneladas de plástico, a ONG Parley Oceans está a transformar o plástico recolhido em produtos de consumo, uma forma de alertar para a poluição nos oceanos e para a necessidade de eliminar o desperdício de plástico.

Entretanto, nunca é demais divulgar o vídeo da organização, para que as pessoas se consciencializem que o plástico é um problema real e concreto que é preciso resolver hoje, agora e não deixar este planeta ser uma enorme lixeira de plástico para as gerações futuras.

 

Donas Brancas no Facebook

Em diversos grupos de vendas e trocas da rede social Facebook têm aparecido ofertas de empréstimos de entidades não financeiras e de particulares.

Este tipo de oferta é uma fraude, não é legal, é uma burla, uma forma de enriquecimento ilícito à custa de pessoas que atravessam dificuldades e recorrem a estes créditos quando não os conseguem em entidades financeiras.

 

Em primeiro lugar é de estranhar que se divulgue um negócio ilegal online, mas eles são amplamente disseminados em sites de venda, nas redes sociais e pagam mesmo anúncios para aparecem nos primeiros resultados das pesquisas, com tanta divulgação é lamentável que não exista uma fiscalização e um maior controlo destas situações.

Em segundo lugar é espantosa a quantidade de pessoas que responde às propostas, se em outros locais não é possível verificar se os burlões estão ou não a ter sucesso, no Facebook pela quantidade de comentários é possível ter uma ideia do quão mal informadas e/ou desesperadas estão as pessoas.

 

A lei, e a prudência, avisam que um empréstimo entre particulares deve ser celebrado por meio de um contrato para que ambos os intervenientes vejam salvaguardados os seus interesses, não faltam também notícias e avisos que avisam dos problemas causados por empréstimos sem contrato, mas ainda há quem acredite que é boa ideia aceitar um empréstimo de uma “empresa” ou “pessoa” que anuncia o serviço no Facebook e que ainda específica:

“sem burocracias, liquidez imediata, sem recurso a crédito”

O facilitismo e a rapidez são as supostas vantagens destas ofertas, mas são apenas um ardil para incentivar o endividamento.

 

Agiota até pode parecer uma palavra bonita, lembra uma gaivota, mas nunca se esqueçam que as gaivotas que embelezam os céus das praias são as mesmas que espalham o lixo nas ruas, sujam carros e pessoas, são carnívoras e quando encontram um alvo não o largam, são assim tão bem os agiotas bem vestidos, bem-falantes, cheios de confiança e boas intenções, mas que só querem explorar as vossas fraquezas e quando encontram o vosso ponto fraco nunca mais vos largam.

 

O sucesso deste negócio ilícito só pode ser explicado pela ignorância e pela falta de atenção das pessoas, com tanta informação disponível uma simples pesquisa demoveria quem quer que fosse a recorrer a estas situações.

As pessoas que se sentem tentadas a recorrer a dinheiro fácil para satisfazer um pequeno luxo ou desejo não têm desculpa, estão a ser apenas irresponsáveis, as que se encontram com dificuldades financeiras e perante um aperto antes de se colocarem numa posição ainda mais frágil deveriam procurar ajuda, há empresas especializadas no assunto que ajudam a gerir as finanças, a negociar créditos, é tudo uma questão de procurar informação.

 

Infelizmente as pessoas não conseguem distinguir o que é correto do que não é, tal como não distinguem uma notícia falsa de uma verdadeira, antigamente o que diziam na televisão era lei, hoje, infelizmente, é o que dizem nas redes sociais e é por isso que se disseminam mentiras, calúnias a par de negócios ilegais e diversos esquemas que escapam ao controle das autoridades.

O que se passa nas redes sociais é o espelho da nossa sociedade, se na sociedade existe corrupção, mentira, falta de ética, esquemas financeiros, contrafação, as redes socais só vieram alargar a rede de contactos e potenciais clientes para os corruptos, burlões e ladrões, abrindo um sem fim de possibilidades com a proximidade ilusória de quem está ali sempre contactável, mas que no dia seguinte se esfuma sem deixar rastro.

 

É urgente que as autoridades fiscalizem páginas de negócios ilícitos e que se infiltrem nestes grupos, que são na maioria fechados, para que os autores dos crimes sejam punidos e impedidos de ludibriar as pessoas, é uma forma também de combater a economia paralela que como todos sabemos é um problema gravíssimo para a saúde financeira do país.