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Língua Afiada

O que me apetece fazer neste momento - é mandar tudo às urtigas!

Odeio, como odeio lidar com a irresponsabilidade dos outros, ainda mais quando os irresponsáveis ultrapassam qualquer limite e agem como se nada fosse.

Sinceramente penso muitas vezes se não serão os mais inteligentes, vivem a vida sem preocupações e quem se preocupa é que leva de prémio rugas, cabelos brancos, stress, ansiedade que terminam muitas vezes em problemas sérios de saúde.

Há um momento na vida em que dizemos – basta e que deixamos de pensar nos outros para pensarmos em nós, infelizmente às vezes só circunstâncias muito especiais nos levam a tomar essa atitude, uma pena que não o consigamos fazer antes.

A vida tem destas coisas mágicas, dá-nos de presente situações que nos alteram toda a nossa vida e de repente o que era importante deixa de o ser. Já havia aprendido, não sem muita resistência, que não podia levar às costas quem não se preocupa, quem procrastina e quem não se rege por padrões altos e exigentes de qualidade.

Recusei-me, lutei contra esse desleixo, contra essa falta de brio, porque sou perfeccionista e não consigo simplesmente fazer ou fazer bem, se posso fazer com excelência, mas acabei por me convencer que a excelência não é valorizada, não é remunerada e que desde que seja feito está tudo bem.

Para mim não está tudo bem, mas aprendi a lidar com isso, remar constantemente contra a maré é cansativo e cansei-me, por isso agora remo ao meu próprio ritmo mas sem chocar com as correntes dos outros.

Quando os nossos esforços não são reconhecidos o melhor que fazemos é direcioná-los para outra direção, quem fica a perder é quem tem a incapacidade de os reconhecer.

Aprender com a vida dos outros

Não devemos criticar, julgar e muito menos comentar a vida privada das pessoas com quem convivemos, é falta de respeito e falta de educação, no entanto, nem só pelas nossas vivências aprendemos, podemos e devemos aprender muito com as dos outros, observando, absorvendo e tirando as nossas conclusões.

Através da observação é fácil compreender algumas situações e perceber o porquê de algumas realidades, não existem formas certas de estar na vida, cada um vive do modo que considera melhor e mais adequado à sua personalidade e felicidade, mas independentemente do feitio de cada um há um conjunto de estratégias que facilitam a vida a qualquer pessoa e que infelizmente não vejo as pessoas a recorrerem a elas.

 

Não sou uma ditadora da organização e do planeamento, tento ser descontraída e relaxada até ao ponto que isso não me cause constrangimentos, stress e despesas desnecessárias, é precisamente neste terceiro ponto que tenho percebido que muitas pessoas falham, a falta de organização e planeamento por exemplo das compras pode elevar os gastos de uma família para o dobro.

É do conhecimento geral que os portugueses têm dificuldade em poupar, em primeiro lugar os baixos salários dificultam a poupança, mas a falta de organização e a falta de consciencialização para a importância da poupança dão uma grande ajuda, juntando a estes fatores o crédito fácil, temos uma população endividada e sem poupanças constituídas.

Decidir gastar o que se ganha por opção ou por necessidade é um direito de quem ganha o seu dinheiro, embora pessoalmente possa considerar um comportamento irresponsável, cada um vive como quer, o que me causa estranheza são as pessoas que se queixam que não conseguem poupar quando nada fazem com vista à poupança.

 

Com os anos fui aprendendo que não é preciso passar pelas situações para saber o que fazer, ouvir os conselhos de quem as viveu e observar o seu comportamento dá-nos uma ideia de como agir e de como prevenir alguns problemas.

Quando somos jovens valorizamos os sonhos, esquecendo muitas vezes o lado funcional e prático da vida, com a maturidade as prioridades invertem-se, os sonhos mudam e o simplificar passa a fazer parte do nosso quotidiano.

Já vivi o suficiente para perceber que o que nos faz falta e nos faz felizes é quase sempre o que não conseguimos comprar, é o que está próximo e o que não conseguimos muitas vezes controlar, mentiria se dissesse que isso não mudou a minha visão da vida e do mundo.

Não obstante, há mínimos de organização e planeamento para conseguirmos ter uma vida tranquila, não conseguimos evitar um sem fim de percalços e problemas, mas os que podemos prever só quem é irresponsável não previne, se podemos usar estratégias e truques para termos uma vida mais tranquila porque não fazê-lo?

 

É precisamente por ter aprendido com a vida dos outros que há muito que sei que nada nesta vida é certo, que tudo muda numa fração de segundo, que não podemos contar com o ovo no cu da galinha e que os planos devem depender apenas de nós.

Os planos são cada vez mais simples, os sonhos cada vez mais concretizáveis e a vida cada vez prática, porque com a idade os problemas que nos vão surgindo são cada vez mais e mais frequentes por isso há que simplificar ao máximo para minimizar os danos.

 

Não ignorem os conselhos dos mais velhos, há uma espécie de sabedoria que só se adquire com a idade, ouçam as opiniões quem já sabe mais e melhor, até podem não seguir as sugestões e fazer exatamente o contrário, mas ouçam primeiro, tirem as conclusões depois.

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