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Língua Afiada

Não é resistência à mudança, é resistência à regressão

Podem dourar a pílula, podem afirmar com factos comprovados que resulta, que faz a economia crescer, que era necessário cortar o mal pela raiz e mudar o panorama político, não me convencem.

Há muitas formas de mudança, nem sempre a mudança representa evolução per si, um corte com os partidos e políticos tradicionais não significa uma mudança positiva, significa apenas e só que o povo está cansado, exausto e aflito, precisamente nas condições ideais de ficar nas mãos dos lunáticos, dos populistas, dos ditadores.

Escudados pela loucura que se atribui e se desvaloriza nos génios, nos corajosos, nos arrojados, justificam-se ideias e ideais inconcebíveis, como se a prosperidade momentânea ou prometida anulasse as atrocidades veladas nos discursos carregados de ódio, racismo, misoginia e xenofobismo.

Não podemos ignorar a verborreia entalada nas promessas, esperando que só as medidas boas produzam frutos, muito menos podemos depositar esperanças nos restantes órgãos governativos para impedir que a democracia dê lugar uma ditadura.

Ao elegermos legitmamente um candidato a ditador, ao elegermos legitmamente um candidato fascista, ao elegermos legitmamente um candidato que acredita que não somos todos iguais, estamos a mandata-lo para instituir no país uma ditadura, um regime fascista e para destituir a liberdade e a igualdade.

Uma pessoa só não é perigosa, o perigo reside nas suas ideais, na sua propaganda ilusória e comprometedora, na sua agenda, nos planos que não divulga, nos cordelinhos que são mexidos em surdina nos bastidores.

Esperam-se tempos sombrios para o mundo, não é tempo de perigo para o Brasil, o perigo é global à medida que os ideais e a propaganda nacionalista e fascista penetram na mente das pessoas como sendo o único caminho para mudar a conjuntura.

O problema não reside no sistema, não há outro melhor que o democrático, o problema reside nas pessoas, nas manadas que são guiadas por quem as governa, as pessoas serão sempre o problema, mas mil vezes pessoas que acreditam e defendem a liberdade e a igualdade do que pessoas que querem amordaçar e distribuir a liberdade apenas por aqueles que consideram dignos.

Mudança de hora e de tempo

Não consigo entender porque insistem em fazer esta mudança que só prejudica o nosso organismo, está mais do que comprovado que alterar o nosso relógio biológico é prejudicial, mas teimam em mudar a hora duas vezes por ano e quem sofre somos nós.

Não sei se terá a mesmas consequências em todas as pessoas, mas no meu caso há um período de adaptação de pelo menos uma semana em que me sinto estranha, por vezes com dores de cabeça, sonolência, cansaço e falta de vitalidade.

É claro que o organismo vai recuperando o seu ritmo e uns dias depois tudo fica normal, mas é uma violência que dispensava.

Pior que mudar a hora é mesmo mudar de horário em plena mudança de tempo, porque o frio invernal que se fez sentir durante este fim-de-semana não ajudou a que a mudança de hora fosse pacífica, na mesma semana passamos do verão para o inverno sem direito a dias de outono, dos 27 graus aos 2 graus em 3 dias é uma mudança brusca potenciadora de doenças.

Cada vez gosto menos do frio, ando muito mais animada e bem-disposta nos dias de calor, tudo fica melhor nos dias quentes, se o frio, a neve tem o seu encanto, esse encanto perde-se ao fim de uns dias, dando lugar à melancolia e umas saudades tremendas dos dias soalheiros cujo calor nos aquece o corpo e a alma.

Ainda mal terminou e já estou a morrer de saudades do verão.

 

Mistérios da mente de grávida

Quando pensei que o tempo não pudesse passar ainda mais rápido, eis que o meu cérebro abranda, desliga e me mostra que pode passar muito, mas muito mais depressa. Um contrassenso, um verdadeiro paradoxo, abrandamos, desligamos e o tempo voa, literalmente desaparece porque não conseguimos a rentabilidade desejada.

Isto acontece para que as grávidas consigam relaxar, para que não morram de ansiedade e para que não estejam em constante sobressalto, isto porque pode correr tanta coisa mal que se estivéssemos constantemente a pensar nos riscos sofreríamos horrores e provavelmente teriam de nos dopar, a sábia genética e engenharia humana já se encarregou que isso aconteça naturalmente, é por isso que o cérebro das grávidas fica mais lento e mais desligado.

 

É ótimo que assim seja, estamos mais sensíveis e mais emotivas se não estivéssemos também mais desligadas a gravidez seria um tormento, são diversos os pensamentos maus que me assolam a mente, é como se todos os medos e receios estivessem ali à espreita para aflorarem num momento de distração.

Numa noite destas deitei-me a pensar no problema de uma das pessoas mais importantes da minha vida e simplesmente não conseguia adormecer atormentada, receosa, temendo o pior, senti uma angústia tão grande que parecia estar a ser puxada para um buraco negro sem fundo, incapaz de lutar contra a escuridão sombria que me invadia e comprimia o peito.

 

Sonho muito, não me recordo dos sonhos, mas sei que são maus, são possivelmente pesadelos, deve ser neles que exorcizo os medos, mas mesmo assim quando menos espero sou invadida por receios, ontem quando entrava no chuveiro pensei – e se escorrego? Sou dada a quedas, já caí grávida, felizmente o meu pensamento foi rapidíssimo, consegui nem sei explicar como controlar para cair para o lado direito estrategicamente em cima do saco da praia quando pela lógica o normal seria cair para a frente.

A conduzir penso inúmeras vezes no que pode acontecer, não é um pensamento bonito, tenho tendência a pensar graficamente, sinto calafrios, dor de estômago, sacudo os pensamentos maus e canto para espantar os males.

 

Este modus operandi do cérebro não me é totalmente estranho, sempre que estou muito feliz há uma espécie de treva escondida nas sombras das profundezas do meu inconsciente que tenta aparecer, não sei se por aviso, para me recordar da fragilidade da felicidade se para me ferir, lembrando-me que bem lá no fundo não está tudo bem, há sempre algo de ruim a acontecer.

 

Entre o esquecimento das banalidades e o desapego das importâncias, o tempo passa entre picos de humor, cansaço e um sorriso difícil de arrancar do rosto, por vezes queria que o tempo fosse mais generoso e me permitisse usufruir plenamente de cada detalhe, mas é aí que percebo que o tempo é sempre igual, eu é que estou diferente e é assim que um dia sou uma pessoa normal e no outro sou o centro do mundo, não por mim, mas pelo milagre que carrego no ventre.