Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Língua Afiada

Como escolher uma máquina de lavar roupa?

A minha querida máquina de lavar roupa avariou, avariou logo quando queria comprar um novo forno, lá em casa estraga-se tudo ao mesmo tempo, logo depois avariou a máquina de lavar louça, que felizmente foi possível reparar, entretanto tivemos também de reparar a bomba da água do poço, só boas notícias para começar o ano em grande.

Sempre que decidimos comprar um eletrodoméstico ou aparelho de um valor considerável acabamos por fazer uma pesquisa sobre a melhor opção do mercado e como já é habitual vou partilhar convosco o resultado da minha pesquisa.

Antes de escolherem o modelo, existem algumas caraterísticas que devem ter em atenção:

 

Capacidade de lavagem

Grandes capacidades de carga – 10, 11 e 12 Kg

- Indicadas para quem necessita de lavar grandes quantidades de roupa, não é necessário ter uma família numerosa para escolher este tipo de máquina, pode até ser uma pessoa sozinha que costume juntar a roupa de vários dias e fazer apenas uma ou duas lavagens por semana.

 Se a capacidade de lavagem pode assustar, convém não esquecer que a maioria das máquinas de grande capacidade têm meia carga e função fuzzy logic que doseia a água conforme a roupa que se coloca, permitindo poupar água e tempo a cada lavagem.

- Outro fator importante uma máquina de grande capacidade lava pouca roupa e já o contrário não acontece.

- Em termos de poupança ao fazer menos lavagens acaba por poupar na fatura da água e da eletricidade a longo prazo, mas como ainda não existem muitos modelos os valores destas máquinas são substancialmente mais altos.

 

Baixas capacidades de carga – 5 e 6 kg

- Já não existem muitos modelos com estas capacidades e por norma apresentam menos funcionalidades, se podem ser atrativos pelo preço é conveniente analisar as etiquetas energéticas e perceber se a longo prazo o barato não sairá caro.

- Um tambor de 5 ou 6 kg não permite lavar um cobertor ou edredão o que pode implicar mais idas à lavandaria que seriam evitadas com a escolha de uma máquina com mais capacidade, é uma despesa a ter em conta na seleção da máquina.

- Indicadas para quem faz muitas lavagens de pouca quantidade de roupa.

 

Capacidades médias de carga – 7, 8 e 9 kg

- Indicadas para quem tem necessidade de fazer várias lavagens de capacidades médias, relembro que estas máquinas com mais funcionalidades têm funções que permitem lavar quantidades mais pequenas de roupa sem prejuízo dos gastos de eletricidade e água.

- Tal como a capacidade, também o seu preço é médio, como são as capacidades mais vendidas é onde existe mais concorrência, logo mais modelos, mais promoções e preços mais competitivos.

- Muitos modelos, mas muitos diferentes, a oferta é muita, mas convém perceber as diferenças entre as várias opções do mercado.

 

Eficiência energética

- A eficiência energética é muitas vezes mal interpretada, é normal o consumidor só analisar o indicie de eficiência energética total, mas há muito mais a ler na etiqueta energética do produto.

Etiqueta.jpg

- Comparar o consumo anual de água e a eficiência energética de secagem é igualmente importante, de notar que máquinas de maior capacidade consumem mais água, mas não significa que sejam menos eficientes.

 

Velocidade de centrifugação

- As rotações por minuto da centrifugação variam entre as 1000 e 1600 rpm, sendo que as 1600 rpm apenas estão presentes em máquinas de maior capacidade, quanto maior a capacidade de rotação maior a extração de água da roupa, mas também maior a torção que esta sofre, a partir das 1400 rpm o ganho não compensa o estrago, a não ser para têxtis muito resistentes como toalhas de banho.

- Se pretende secar a roupa na máquina de secar tenha em atenção que centrifugar a 1000 rpm ou a 1400 rpm faz muita diferença.

 

Programas e funcionalidades

- É nesta parte que é preciso ter especial atenção, ler os manuais de instruções é importante para percebermos como funciona cada máquina e quais os programas que têm disponíveis, grande parte dos utilizadores utiliza sempre o mesmo programa, mas a adequação do programa a cada tipo de lavagem pode garantir uma grande poupança ao final do ano.

Quais a funcionalidades que procurei:

- Possibilidade de ajustar a velocidade de centrifugação em cada programa, há modelos em que não é possível ajustar.

- Programa especial para roupa de bebé.

- Possibilidade de realizar apenas um programa de enxaguamento e centrifugação.

- Ter um programa rápido.

- Ter um tambor que não danifique a roupa.

 

Considerar relação preço/qualidade – estudo Deco

O produto mais caro não é necessariamente a melhor opção e por isso é importante verificar quais as melhores opções em termos de qualidade/preço, no meu caso ao consultar o estudo da Deco não tive dúvidas, o teste não é público mas podem consultar alguma informação aqui:

Um dos resultados dos testes que mais influenciou a decisão foi a eficácia de enxugamento que deixa muito a desejar em diversos modelos.

 

A nossa escolha:

No fim decidimos comprar uma máquina com capacidade de lavagem média, de 8 kg, com 1400 rpm e que tivesse eficiência energética A+++, não foi difícil encontrar o modelo pois a Samsung WW80J5555MW cumpre todos os requisitos e é uma das escolhas acertadas da Deco com 71 pontos em 100, sendo que o modelo que ficou em primeiro lugar no teste obteve 75 pontos e tem um preço duas vezes mais alto.

Com um preço a rondar os 320€ em lojas online, esta máquina é a número 1 no top do site kuantokusta o que não é surpreendente pois apresenta uma excelente relação qualidade/preço.

 

Uma advertência, segundo relatos que encontramos as peças para as máquinas da marca Samsung são relativamente caras, mas ponderando a eficácia da máquina a lavar, o preço de compra e a fiabilidade da marca optamos por este modelo, já que o número de assistências às máquinas Samsung é bastante reduzido quando comparado com outras marcas.

Neste momento a vida útil de um eletrodoméstico ronda os 10 anos e não é por se comprar uma marca de topo que estes irão durar muito mais, para compensar a diferença de preço em vez de 10 os aparelhos teriam de durar 30 anos e não é preciso ser cientista para perceber que circuitos eletrónicos e água não são um casamento para 30 anos.

Espero que esta informação vos possa ser útil.

Língua Portuguesa - o que ensinam os pais aos filhos?

As línguas evoluem conforme a evolução da sociedade e do seu uso, é por isso que hoje encontramos no dicionário palavras novas que começaram como modas e que se enraizaram de tal forma que passaram a ter o seu lugar na nossa língua, como exemplo a palavra bué, o seu uso continua a estar associado a uma linguagem informal, mas já consta no dicionário.

Se o calão tem um papel importante na evolução da língua, também palavras formais podem ficar na moda e o seu uso passar a ser frequente, temos o exemplo da palavra procrastinar que de repente passou a estar em voga.

A língua sofre diversas influências e a forma como falamos e escrevemos está muitas vezes relacionada com o que vamos lendo, é por este motivo que a língua portuguesa tem sido ameaçada, têm-se disseminado um conjunto de tiques que degradam e retiram até significado ao que escrevemos.

Se há trejeitos utilizados por comentadores que viram moda e que não causam grande prejuízo por serem corretos, outros há que não fazem qualquer sentido e que são um verdadeiro atentado à língua portuguesa.

Ultimamente há um tique de escrita que tenho visto com frequência e que me irrita até aos ossos e me deixa de cabelos em pé, o uso indiscriminado e incorreto do advérbio de lugar – onde e do pronome relativo – que, a moda é tal que algumas pessoas parecem usá-los como muletas.

“estou com uma crise alérgica em que me afetou as pálpebras”

“fui ao médico onde me foi receitado”

“ liguei à pessoa XPTO onde ele me respondeu”

 

É incrível o que os lugares agora fazem, ouvem, falam e até prescrevem medicamentos.

Se estão a perguntar onde se encontram estas pérolas? Um pouco por todo lado, mas as redes sociais são férteis em exemplos, os Grupos de Mães são a maravilha das maravilhas no que toca parvoíces e a erros de português, o problema é que se propagam as parvoíces e os erros, se as parvoíces, na maioria das vezes, espero eu, terminam com uma ida ao pediatra, já os erros persistem.

Infelizmente e correndo o risco de generalizar, acho que os portugueses estão cada vez mais analfabetos, já que ser analfabeto nos dias de hoje não é não saber ler, nem escrever é muito mais complexo que isso.

Mudam-se os tempos, mudam-se as exigências, mas as pessoas não evoluem na mesma proporção e dou por mim a pensar como é que aquelas mães vão acompanhar o percurso escolar dos filhos quando não conseguem escrever uma única frase sem um erro ortográfico.

Não admira que ainda exista uma relação direta entre a escolaridade e nível social dos pais com o aproveitamento escolar dos filhos, seria de esperar que pessoas que têm 30, 40 e 50 anos estivessem hoje mais bem preparadas para acompanhar os filhos do que os seus pais estiveram, infelizmente não é verdade.

Pág. 4/4