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Língua Afiada

Carta aberta aos comerciais deste mundo

Aos gestores e gestoras comerciais deste mundo,

 

([Des]larguem-me! Poderia ficar por aqui)

 

Vender é uma tarefa árdua que implica muito trabalho, esforço e dedicação, pregar porta-a-porta ou de telefone em telefone não é fácil, nem os emails vieram facilitar, porque a maioria deles vai para a pasta reciclagem sem ser aberto.

Vender não é fácil, a menos que se tenha nascido com um dom natural para vender gelo aos esquimós, mas não é por ser difícil e trabalhoso que se pode justificar e perdoar tudo.

Não, chega ali a um ponto que a nossa paciência e benevolência para com a profissão nos faz revirar os olhos e deitar fumo pela boca ao estilo banda-desenhada.

 

A nível pessoal gostava de me dirigir a dois tipos de comerciais:

Aos comerciais que fazem telemarketing, essa maravilhosa técnica de vendas agressiva.

A esses dou apenas um conselho, se a pessoa não se mostrar interessada, esqueçam e avancem para a próxima, é estatística, quantos mais contactos fizerem mais probabilidades têm de acertar numa pessoa que esteja com tempo e disposição para vos ouvir, insistir com alguém só leva a duas coisas: a perda de tempo de ambos e a irritação e frustração de ambos, não quer, não tem tempo, não está interessado, next.

 

Aos comerciais que fazem abordagens diretas em superfícies comerciais:

Não abordem pessoas que estão claramente cheias de pressa.

Não abordem as pessoas que estão carregadas de sacos, especialmente quando parecem pesados.

Nos supermercados falem com as pessoas à entrada, na saída há probabilidade de terem produtos perecíveis e ninguém quer chegar a casa com o gelado derretido.

Foquem-se nas pessoas que passeiam descontraídas, que olham para o vosso balcão e parecem interessadas, porque enquanto estão a pedinchar atenção a quem não vos quer ver nem pintados de ouro, potenciais clientes passam-vos ao lado.

Analisem antes de abordarem, não é física-quântica é bom senso. 

 

A nível profissional:

Quando alguém diz que não tem interesse, é porque não tem interesse.

Quando alguém diz que vai analisar e depois responder, aguardem pela resposta, aguardar significa esperar uns dias, não é para ligar ou enviar e-mails todos os dias a solicitar respostas.

Saibam isto, quando alguém esta a ponderar analisar a vossa proposta, quanto mais insistirem maior é a probabilidade de vos enviarem um e-mail com um garrafal – não estamos interessados.

Ninguém gosta de pessoas chatas, ter alguém a interromper constantemente o nosso trabalho não é agradável, é cansativo e muito prejudicial ao vosso trabalho.

Por melhor que seja o vosso serviço ou produto não forcem, porque nem sempre as empresas necessitam dos vossos serviços ou produtos, outras vezes não têm capacidade financeira para os adquirirem, não temos orçamento disponível, temos o orçamento fechado ou temos outras prioridades significam isso mesmo, não há disponibilidade porque existem outros assuntos mais prementes.

 

Nunca, mas nunca tentem passar por cima da pessoa de contacto, é um dos maiores erros que podem cometer, primeiro porque cada vez mais empresas disponibilizam contactos diretos de vários departamentos e segundo porque se essa pessoa se sentir melindrada irá minar-vos, ninguém gosta de ser menosprezado e pior do que isso ninguém gosta de interferências no seu trabalho. Podem ter sorte e conseguirem um novo contacto, mas na maioria dos casos serão reencaminhados para a primeira pessoa com quem falaram e não serão muito bem recebidos.

Não menosprezem quem vos dá as respostas, sejam assistentes, assessores, secretárias ou secretários, primeiro porque é falta de profissionalismo e segundo porque quem controla a agenda tem muito poder.

Num departamento com homens e mulheres não se apressem a bajular os homens, nem sempre são eles os chefes, e mesmo que exista um chefe nem sempre é ele que decide, felizmente há chefes que delegam e confiam no critério e nas capacidades dos seus colaboradores, tentem perceber quem tem mais poder de decisão e influência, mas tratem todos por igual, envolvam todos no processo.

 

Sejam educados, cordiais e respeitem todas as pessoas, arrogância, prepotência e ares de superioridade não combinam bem com estratégias de vendas.

Os melhores anúncios do Super Bowl 2018

Todos os anos espero ansiosamente pelo Super Bowl, não pela competição, mas pelos anúncios e este ano as agências fizeram um trabalho tão bom que é difícil escolher o melhor.

 

O top 5 escolhido pela ADWEEK

 

5) NFL “Touchdown Celebrations to Come”

Agência: Grey New York

Hilariante esta recriação da mítica dança do filme Darting Dancing.

 

4) Tourism Australia “Dundee”

Agência: Droga5

O buzz que este anúncio conseguiu criar foi simplesmente fantástico, os fãs do filme estavam já ansiosos pela sequela do filme, mas afinal é apenas um anúncio de turismo a promover a Austrália, com muito humor e criatividade.

 

3) Doritos/Mountain Dew “Doritos Blaze vs. Mtn Dew Ice”

Agência: Goodby Silverstein & Partners

Um rap de uma lura entre fogo e gelo com Peter Dinklage e Morgan Freeman só poderia ser genial.

 

2) Amazon “Alexa Lost Her Voice”

Agência: Lucky Generals/in-house team D1

Fantástico este anúncio da Amazon as respostas das novas vozes da Alexa são simplesmente hilariantes, especialmente a intervenção de Anthony Hopkins.

 

 

1) Tide “It’s a Tide Ad”

Agência: Saatchi & Saatchi New York

A marca Tide não se contentou com apenas um anúncio e resolveu fazer 4 e são todos geniais, com David Harbour em situações que ridicularizam outros anúncios, ninguém esperaria que fosse uma marca de detergente da roupa a arrancar o primeiro lugar.

 

 

Não está no top 5, mas digno de assinalar o anúncio da Altice com Cristiano Ronaldo, mais uma vez a provar que o jogador português é reconhecido no mundo inteiro.

 

Nestlé Chocolates com publicidade machista.

Vivemos numa sociedade patriarcal, onde homens assumem poderes de liderança e mulheres ainda fazem a maior parte das tarefas domésticas e cujo papel principal continua a ser a maternidade, no meu mundo ideal homens e mulheres nunca serão iguais, mas devem ser vistos como tal e terem as mesmas oportunidades e direitos, e não devem de tudo ser estigmatizados em nenhum campo da sua vida pessoal ou profissional.

Nos últimos tempos têm sido várias as polémicas que em torno deste assunto, a mais audível terá sido a do Bloco de Atividades para Menina e para o Menino, tal como escrevi na altura não vejo problemas que existam livros para meninos e livros para meninas, é uma segmentação como outra qualquer, e não sendo obrigatórios os pais terão a última palavra a dizer, mas há estigmas que não podem continuar a entrar-nos em casa em horário nobre sistematicamente sem que ninguém fale deles.

Vejam o novo anúncio da Nestlé Chocolates

 

O anúncio estigmatiza a mulher e o homem, colocando a mulher como mãe e o homem como um profissional de sucesso, compreendo a tentação, a primeira parte do anúncio é gira, embora não seja o ideal em termos de educação, pois creio que podiam oferecer a uma mãe ou pai a quantidade de chocolates que quisessem que qualquer um que visse aquela parede iria ficar extremamente irritado, mas é fofinho, a mensagem dos filhos é bonita e a mãe enternece-se com a intenção.

Estaria tudo muito bem se o anúncio terminasse ali, mas a Nestlé resolveu a seguir mostrar um homem de sucesso no seu escritório a deliciar-se com mais uma conquista profissional, não há propriamente uma ligação e nada nos diz que é o pai das crianças, mas há margem suficiente para ser.

A conclusão que fica do anúncio para uma criança é que a mulher é mãe e o pai um homem de negócios.

Não sou fundamentalista, esta situação facilmente poderia ser atenuada se colocassem uma terceira situação neutra, mas da forma como é apresentado é machista.

 

O que é que a Nestlé faz? Outro vídeo machista: 

 

 

Primeiro vemos um menino que quer aprender e está a brincar de cientista e de seguida vemos uma avó a ensinar a neta a fazer doces. Poderá existir estigma maior do que colocar as mulheres na cozinha e os meninos a fazer experiências?

Os vídeos isolados parecem inofensivos, mas em conjunto são altamente preconceituosos e se o intuito era relembrar-nos que o chocolate está presente nos melhores momentos da nossa vida, no meu caso só serviu para me recordar que continuo a ser vista como mãe e cozinheira.

 

Segundo o jornal Briefing “ A campanha materializa-se em quatro filmes - dois dos quais estão a passar em TV, durante o mês de dezembro -, que mostram momentos vividos por várias gerações com os chocolates Nestlé, em diferentes contextos do quotidiano: em família, em casal, com amigos e até a sós.”

Vi um terceiro vídeo que mostra dois casais apaixonados de idades diferentes, nada de extraordinário, não consegui encontrar o quarto.

 

O que me pergunto é como deixam passar uma situação destas? Não há ninguém que analise os conteúdos que pense em como as pessoas reagirão à mensagem? Devemos tentar prever todos os cenários, todas as reações e sendo impossível de prever tudo esta reação é quase imediata, bastou-me ver uma vez o anúncio uma única vez para pensar – Mais um anúncio tipicamente machista.

O machismo na publicidade é recorrente, mas esta mais do que na hora de mudarem esta estratégia, primeiro porque não faz sentido e segundo porque o consumidor esta cada vez mais atento a estas situações.