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Língua Afiada

Christmas Blues e a Magia do Natal

O Christmas Blues que podemos traduzir para Tristeza de Natal é um estado reconhecido pela psicologia que é caracterizado por um sentimento de tristeza, desânimo e ansiedade durante a época festiva.

O Natal é associado a festa, amor, família, amizade, paz, quando a nossa vida não se coaduna com estas associações é frequente encararmos o Natal com desinteresse, melancolia ou angústia.

 

Ao longo da vida vamos perdendo entes queridos, a vida acaba muitas vezes por nos levar a ter desentendimentos com familiares próximos e por diversas circunstâncias vamos deixando amigos para trás, é nesta altura do ano que nos lembramos de quem partiu com mais saudade, em que o seu lugar vazio à mesa fica mais visível, é no Natal que percebemos a hipocrisia ou o esforço oco que familiares desavindos fazem para estar juntos, é neste momento que recordamos bons momentos com amigos que estão longe e nos fazem falta.

A família, a amizade e o amor são essenciais e se durante o ano no meio da correria do dia-a-dia e no atropelo das rotinas não temos tempo para pensar, esta época força-nos a refletir sobre a família que temos, as amizades que cultivamos e o amor que partilhamos.

Nesta época com frequência percebemos que o que temos não é suficiente, muitas vezes consciencializámo-nos que a partir de agora iremos agir de forma diferente para que o vazio ou o espaço seja preenchido, mas raramente mudamos a nossa postura e os outros raramente mudam a deles.

 

A perda de familiares próximos que davam colorido a outros Natais, despertam em nós uma melancolia profunda, uma saudade apertada, um desejo que o tempo volte atrás, na verdade quase todos recordamos com nostalgia os Natais da nossa infância, à distância todos eles parecem perfeitos, mas não eram, aos nossos pais também faltavam entes queridos, as suas famílias também tinham problemas e os amigos nem sempre estavam próximos, aos nossos olhos deslumbrados pela magia do Natal é que tudo parecia perfeito.

Cabe a nós, hoje adultos, proporcionarmos esses Natais perfeitos à nova geração, a filhos, sobrinhos, primos, às crianças que nos rodeiam, esta é a magia do Natal fazer com que tudo seja ou pareça perfeito para eles.

Fazer um Natal perfeito para muitos é um esforço herculano, para outros uma forma natural de agir, cada um terá os seus motivos para estar triste ou melancólico, as circunstâncias da vida muitas vezes moldam-nos e fazem daquela criança que vibrava com o Natal um adulto que o despreza e tudo o que ele simboliza, porque na verdade na sua vida o Natal perdeu o significado.

 

É difícil festejar o Natal quando na vida temos pouco a celebrar ou quando nos faltam pessoas para partilhar os festejos, mas cabe a cada um de nós contrariar esse pensamento e ter consciência que um Natal perfeito não é o Natal de capa de revista, é o que é possível para nós, não devemos criar ilusões ou ter expetativas exageradas, isso só nos fará sentir mais infelizes e angustiados.

Cada um deve festejar o Natal de acordo com as suas possibilidades, deixando o consumismo, as iguarias, as decorações e a noção de família ideal de lado, a perseguição utópica de um Natal perfeito só faz com que não consigamos desfrutar plenamente do Natal que nos é possível festejar.

Façamos o luto de quem partiu, sentir saudades é dor, mas também é amor, recorde-se com alegria dos bons momentos, e proporcione-se bons momentos aos presentes para que em futuros Natais sejam eles a recordar-nos com nostalgia e amor.

 

O meu Natal será bem diferente do que previ e embora o espírito natalício não tenha ainda tomado conta de mim, no dia 24 e 25 de Dezembro sei que a magia do Natal funcionará e que exibirei um sorriso nos lábios e sentirei o coração cheio, o que perdi, o que não conquistei e o que não tenho ficará para segundo plano porque festejarei tudo o que encontrei, tudo o que conquistei e tudo o que tenho, agradecendo todas as dádivas que a vida me concedeu.

Esta é magia do Natal encontrarmos em nós força, resiliência e amor para oferecemos aos outros um Natal perfeito e esse é sem dúvida o melhor presente que podemos dar a alguém.

 

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Sem Espírito Natalício

Finalmente temos todas as prendas de Natal compradas, ainda bem porque acho que não teria paciência para ir novamente às compras, adoro comprar presentes e gosto de fazer compras, mas a confusão é tanta que perde-se a vontade.

Ontem eram tantas as pessoas que na Primark do Norte Shopping tiveram de impedir por uns largos minutos que mais pessoas entrassem na loja para que fosse possível circular junto às caixas de pagamento.

Parecia existir uma urgência estranha nas pessoas, uma pressa, uma espécie de aflição para concretizar algo, uma correria, um stress que nada tem a ver com o espírito natalício.

 

Escolher e comprar um presente para alguém não deveria ser um stress, deveria ser uma alegria, um prazer, escolher cuidadosamente uma prenda de acordo com as suas preferências, com cuidado, carinho, sabendo que aquele presente o faria feliz.

Infelizmente este ano as nossas prendas de Natal foram compradas atabalhoadamente, costumo fazer uma lista de presentes e sugestões do que comprar para cada pessoa, como temos andado mais ocupados do que o habitual fomos deixando os presentes de lado e na hora de comprar foi um processo mais complicado e mais demorado do que o habitual.

 

Na verdade o espírito natalício este ano ainda não me cativou, começou logo pelas decorações, fiz a Árvore de Natal e coloquei o Presépio na sala mas todas as restantes decorações ficaram nas caixas, não há arranjos de pinheiro e azevinho, não há detalhes de Natal espalhados por toda a casa, nem as velas de Natal foram colocadas.

Arrisco-me a dizer que este é o primeiro Natal em que não me apetece festejar, não que não tenha motivos para o fazer, felizmente tenho vários, mas não conseguimos propriamente controlar se temos ou não aquela alegria contagiante tão caraterística desta época, este ano não tenho.

A culpa não é do Natal é natural que depois de um ano complicado o final do ano seja difícil, apesar de ser só uma data no calendário, é um marco, uma viragem e é o assinalar de mais um ano que ficou aquém dos desejos e dos sonhos.

 

Quando não há espírito natalício resta-me o consumismo, porque mesmo sem vontade de escolher presentes, faço-o, mantendo a tradição, escolho as prendas com carinho, mas sem entusiasmo e com alguma urgência, como a despachar uma tarefa, não gosto dessa sensação.

Revi essa sensação em várias pessoas com quem me cruzei, um olhar vazio, quase perdido, à procura que os presentes lhes caíssem nos braços sem procurar muito, sinais de stress, angústia e pressa de sair do meio da confusão.

Tenho saudades de passear alegremente pelas ruas, de me deslumbrar com as decorações das montras, de fotografar as luzes, de sentir, de respirar Natal e sorrir só porque sim, só porque é tempo de paz e harmonia.

Não gosto desta sensação de pressa, consumismo e obrigação, não gosto da correria, do stress e da confusão.

 

Sei que o vejo nos outros é um reflexo do que sinto, não é possível ver paz quando estamos desassossegados, para festejar o Natal é preciso estar no estado de espírito certo, não estou, isso deixa-me triste, nunca pensei ser uma dessas pessoas que fala do Natal como mais um momento banal e que inevitavelmente festeja todos os anos mesmo sem vontade.

Festejarei mesmo assim, afinal qualquer pretexto para juntar a família é bom, mas o espírito natalício não estará presente, talvez para o ano ele regresse. 

Ressaca de Natal

Ressaca de Natal é o nome que encontrei para o estado de languidez e inércia que me encontro, poderia escolher um nome mais pomposo, mas não encontro.

É toda uma dificuldade de pensar, de coordenação entre o cérebro e os membros, que digito em modo automático.

 

Foram apenas dois dias, mas dois dias tão preenchidos que renderam por uma semana, mas o Natal é assim uma avalanche de sentimentos, emoções, alegria pela partilha com quem está, a tristeza de não abraçarmos quem já partiu.

O Natal cansa, mas é um cansaço bom, por isso ontem tirei o dia para descansar, repor energias, no aconchego do calor do lar, nós os dois, a árvore já (quase) sem prendas, as gatas e uma série, um dos nossos programas favoritos.

 

Este estado é característico dos grandes acontecimentos, aqueles que antecipamos, que degustamos com intensidade e que quando se esgotam sabem a pouco. Apesar do espírito natalício este ano ter tardado, não falhou, no dia, rodeada da família ele aparece sempre.

 

Hoje, de volta à rotina, não há meio da rotina estabilizar, tenho vontade de não fazer nada, mas a vida não nos permite ficar em suspenso por muito tempo, porque o tempo não para, há que acelerar e trabalhar.

Tenho a certeza que ganhei de presente mais 1 ou até 2 kg nos últimos dias, talvez por isso tenha tanta dificuldade em mover-me.

 

Cansada, mas de coração cheio é este o balanço do Natal que se traduz numa ressaca, mas das boas.

 

E o vosso Natal? Correu bem?

Muitas prendinhas e muitos miminhos?

Não vou questionar os doces, porque sei que esses não devem ter faltado.

Espero que estejam de ressaca como eu, mas das boas.