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Língua Afiada

“Tu avanças sempre e não recuas” ???

É o mote do almoço se realizará num restaurante no Parque das Nações com um custo de 20 euros por pessoa para apoiar José Sócrates. Dizem são esperadas entre 200 a 300 pessoas.

Será descaramento, vergonha de admitir o erro, cegueira ou simplesmente teimosia que leva alguns militantes do PS a continuarem a defender José Sócrates?

 

Independentemente dos motivos é uma idiotice, uma tremenda falta de bom senso não se demarcarem da pessoa tóxica que é José Sócrates quando o próprio PS admitiu que a confirmarem-se as suspeitas será uma vergonha.

Vergonhosa é a tardia resposta do partido a este imbróglio de corrupção com proporções épicas, indícios não faltaram, desde peças jornalísticas a investigações, culminando com o faustoso estilo de vida do antigo Primeiro-Ministro sem justificação possível.

 

A resposta ao rol de acusações foi sempre a mesma, a cabala, a teoria da conspiração, o ataque pessoal.

No seu narcisismo José Sócrates deve ter mesmo acreditado, talvez ainda acredite, que todo o mundo estava contra ele e ele seria o único a estar certo e que seria imune a qualquer escrutínio, esperando que no final ainda fosse visto como um herói, levado a braços por uma imensa multidão e quem sabe elevado a mártir, um santo incompreendido.

 

José Sócrates é um sociopata, tem um elevado poder persuasivo e um charme postiço, mas ainda há quem acredite na sua inocência? Isso explica muita coisa deste país, é um exemplo do quão mansos são os portugueses, tão mansos que justificam os erros de uns com os erros dos outros, metendo todos os políticos no mesmo saco, encolhendo os ombros e seguindo a sua vida como se não fosse nada com eles.

 

Enquanto não exigirmos Justiça nada mudará, fosse noutro país estaríamos a assistir a manifestações a exigir uma rápida resolução do processo, em Portugal organizam-se almoços em defesa do que há muito é indefensável.

A estupidez é tanta, perdoem-me a expressão, mas só uma pessoa estúpida pode defender José Sócrates a não ser que seja na qualidade de advogado de defesa, nem a desculpa partidária tem validade, se é que alguma vez teve, não se trata de ser de esquerda ou de direita, trata-se de Justiça e de defender o que é certo, trata-se de punir e condenar veemente e sem equívoco a corrupção, só assim este país poderá evoluir.

 

Que se faça deste caso um exemplo para que políticos e respetivos comparsas dos mais diversos quadrantes tenham consciência que os seus anos de impunidade, de conspurcação da Constituição, da Democracia, da Liberdade terminaram. Só assim Portugal se livrará passo a passo desta gentalha que usa o poder a bel-prazer e benefício como reis e senhores, julgando-se acima de tudo e de todos.

Esperemos que este seja o primeiro passo para acabar com a corrupção ao mais alto nível nas mais altas instâncias, afinal como diz o ditado “É de cima que vem o exemplo.”

As mamas de Luísa Sonza e de todas nós.

Mulheres de uma vez por todas aprendam a respeitar-se umas às outras, deixem de apontar os defeitos de cada uma, foquem-se nas qualidades, deixem de priorizar o físico, priorizem a mente, não se deixem levar pelo ímpeto de encontrar uma falha noutra mulher para elevarem a vossa autoestima.

 

 

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Uma publicação compartilhada por Luísa Gerloff Sonza (@luisasonza) em

 

Os comentários deixados na foto de Luísa Sonza são uma lamentável vergonha alheia, primeiro porque ninguém tem o direito de criticar e julgar os atributos físicos de outra pessoa, segundo cada pessoa tem o direito de gostar e aceitar o seu corpo tal como ele é e não é porque é uma pessoa de posses que tem de se submeter a cirurgias para o mudar.

Há dias li imensos comentários negativos sobre a rainha de Espanha por ser “viciada” em cirurgias plásticas, porque persegue a perfeição e não quer envelhecer. Pergunto-me, se assim não fosse quais seriam as críticas apontadas?

 

Criticamos as outras mulheres independentemente de as considerarmos bonitas ou feias, inteligentes ou limitadas, morenas ou louras, haveremos sempre de lhes encontrar defeitos numa competição parva que só beneficia uma classe, os homens.

Digladiamo-nos pela atenção dos homens como se disso dependesse a nossa sobrevivência, não depende, longe vão os tempos, felizmente, em que as mulheres careciam de proteção física e monetária por parte de um homem, somos fortes, independentes e capazes.

 

Infelizmente, mesmo tendo ao nosso dispor todo um mundo de possibilidades de brilhar naquilo em que decidirmos, os velhos estigmas pairam sobre nós, continuamos a ser vistas como objetos sexuais, parideiras e donas de casa.

Criticamos a aparência umas das outras, fazemos da maternidade um dever sagrado de todas as mulheres e continuamos a criticar quem não tem qualquer apetência para tarefas domésticas.

 

Não se trata só das mamas de Luísa Sonza, tratam-se das mamas de todas nós e de tudo o que faz parte de nós, peso, altura, cor, biótipo, temos o direito de sermos como somos e devemos ser aceites como tal, basta de perseguir um estereótipo de beleza, que muda a cada década, há beleza em cada uma de nós, a única coisa que precisamos é de abrir os olhos à verdadeira beleza.

 

Não sou hipócrita, nem tão pouco seria coerente se escrevesse que a aparência não conta, tudo em nós conta, porque tudo em nós comunica, continuo e continuarei a pensar que cada pessoa dentro do seu estilo próprio e do seu estilo de vida deve estar apresentável e que é sempre bom cuidarmos de nós, não pelo que outros pensam, mas porque nos faz bem.

A premissa pode parecer a mesma, mas exigir um dress code é muito diferente de exigir um tipo de corpo, aconselhar cirurgias e enxovalhar atributos físicos que nascem connosco e que não controlamos é o mesmo que criticar e julgar alguém que tem uma doença.

 

Esta necessidade de rebaixarmos os outros para nos sentirmos bem é uma doença, uma doença que as redes sociais disseminam, porque a distância dá falsa coragem aos covardes.

Mulheres respeitem, só assim serão respeitadas.

 

A ficção ensina sobre a realidade – Facebook o Westworld social

“Não se trata de diversão, trata-se de perceber o que é que as pessoas querem, o que elas realmente desejam sem filtros, sem medo de julgamentos, se não vês o potencial deste negócio, então não és um homem de negócios que eu pensava que eras”.

A frase que não está transcrita literalmente é da série Westworld, retirada da cena em que William tenta convencer o sogro, um poderoso homem de negócios, a investir no parque de diversões, um parque para adultos onde estes podem viver as histórias e fantasias que desejarem, sem medo de julgamentos morais ou legais.

É impossível não interiorizar esta frase e não fazer um paralelismo com as redes sociais, especialmente com o Facebook, cujo real valor reside no conhecimento das preferências, escolhas, hábitos e interesses dos seus utilizadores.

 

A máquina é de tal modo poderosa que condiciona, escolhe as publicações que apresenta, toma a liberdade de decidir o que é ou não relevante para o utilizador justificando esse poder com a “qualidade do serviço”, essa qualidade é deveras irritante quando nos impinge conteúdos que tidos como relevantes porque um conjunto de pessoas, nada relevantes, aderiram em massa a esse conteúdo.

Um paradoxo, uma falha, os algoritmos são poderosas ferramentas, mas só uma inteligência artificial conseguiria discernir e avaliar o que é realmente relevante para cada utilizador, tecendo juízos de valor, analisando a sua personalidade, fazendo deduções e retirando ilações do que publica, comenta, lê, clica. Se isso acontecesse muito lixo deixaria de figurar no meu mural, isso sim seria qualidade de serviço.

 

Não obstante, o algoritmo conhece as nossas intenções de consumo e os nossos interesses, esses, mais fáceis de parametrizar, são informação valiosa para o marketing, é aqui que reside o potencial do negócio.

Pessoas sem medo de julgamentos, o Facebook e outros locais onde o cometário é livre e público dá-nos uma clara ideia do que as pessoas são quando não têm medo, muitas vezes escondidas por detrás de um pseudónimo, dão voz ao pior de si, ameaçando, insultando, espezinhando sem qualquer receio de julgamento ou punição.

 

É também nas redes socias que as pessoas podem aparentar ser aquilo que não são e ter aquilo que não têm, vivendo no mundo virtual o que não conseguem viver na vida real.

O Facebook é um gigante parque de diversões virtual onde as pessoas fazem o que lhes apetece, sem se aperceberem que estão constantemente monitorizadas, espiadas, na maioria das vezes com o seu próprio consentimento.

Um presente envenenado, não há nada mais sedutor do que pensar que se está no controle, quando na verdade se é sistematicamente controlado, influenciado e avaliado.

É nesta conjuntura que Mark Zuckerberg anuncia uma nova ferramenta de dating, aparentemente preocupado com os milhões de pessoas solteiras, este pretende ajudar as pessoas a encontrar o amor, quem ouve o seu discurso até poderá pensar que o faz porque tem um grande coração e não por razões monetárias.

 

A estratégia é fantástica, aglomerar a maior quantidade de serviços possíveis na plataforma potenciando cada vez mais a dependência dos utilizadores num claro caminho de se tornar na sua rede exclusiva.

Numa altura em que o espaço nos dispositivos móveis escasseia, a concentração de serviços numa só plataforma, numa só conta é uma vantagem competitiva para acabar com a concorrência e fidelizar utilizadores, na mesma medida que perfis para namoro fornecem informação mais detalhada e concisa dos utilizadores, material suplementar com alto valor comercial.

Não posso deixar de denotar uma espécie de descaramento na apresentação desta nova funcionalidade após a mais recente polémica, mas nada como oferecer um novo tema de conversa para que se esqueça o antigo.

 

 

Nota: Westworld é uma série fantástica, a seu tempo farei um review, mas posso desde já aconselhar vivamente a verem, é fabulosa.