Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Língua Afiada

Mistérios da mente de grávida

Quando pensei que o tempo não pudesse passar ainda mais rápido, eis que o meu cérebro abranda, desliga e me mostra que pode passar muito, mas muito mais depressa. Um contrassenso, um verdadeiro paradoxo, abrandamos, desligamos e o tempo voa, literalmente desaparece porque não conseguimos a rentabilidade desejada.

Isto acontece para que as grávidas consigam relaxar, para que não morram de ansiedade e para que não estejam em constante sobressalto, isto porque pode correr tanta coisa mal que se estivéssemos constantemente a pensar nos riscos sofreríamos horrores e provavelmente teriam de nos dopar, a sábia genética e engenharia humana já se encarregou que isso aconteça naturalmente, é por isso que o cérebro das grávidas fica mais lento e mais desligado.

 

É ótimo que assim seja, estamos mais sensíveis e mais emotivas se não estivéssemos também mais desligadas a gravidez seria um tormento, são diversos os pensamentos maus que me assolam a mente, é como se todos os medos e receios estivessem ali à espreita para aflorarem num momento de distração.

Numa noite destas deitei-me a pensar no problema de uma das pessoas mais importantes da minha vida e simplesmente não conseguia adormecer atormentada, receosa, temendo o pior, senti uma angústia tão grande que parecia estar a ser puxada para um buraco negro sem fundo, incapaz de lutar contra a escuridão sombria que me invadia e comprimia o peito.

 

Sonho muito, não me recordo dos sonhos, mas sei que são maus, são possivelmente pesadelos, deve ser neles que exorcizo os medos, mas mesmo assim quando menos espero sou invadida por receios, ontem quando entrava no chuveiro pensei – e se escorrego? Sou dada a quedas, já caí grávida, felizmente o meu pensamento foi rapidíssimo, consegui nem sei explicar como controlar para cair para o lado direito estrategicamente em cima do saco da praia quando pela lógica o normal seria cair para a frente.

A conduzir penso inúmeras vezes no que pode acontecer, não é um pensamento bonito, tenho tendência a pensar graficamente, sinto calafrios, dor de estômago, sacudo os pensamentos maus e canto para espantar os males.

 

Este modus operandi do cérebro não me é totalmente estranho, sempre que estou muito feliz há uma espécie de treva escondida nas sombras das profundezas do meu inconsciente que tenta aparecer, não sei se por aviso, para me recordar da fragilidade da felicidade se para me ferir, lembrando-me que bem lá no fundo não está tudo bem, há sempre algo de ruim a acontecer.

 

Entre o esquecimento das banalidades e o desapego das importâncias, o tempo passa entre picos de humor, cansaço e um sorriso difícil de arrancar do rosto, por vezes queria que o tempo fosse mais generoso e me permitisse usufruir plenamente de cada detalhe, mas é aí que percebo que o tempo é sempre igual, eu é que estou diferente e é assim que um dia sou uma pessoa normal e no outro sou o centro do mundo, não por mim, mas pelo milagre que carrego no ventre.

 

O que me apetece fazer neste momento - é mandar tudo às urtigas!

Odeio, como odeio lidar com a irresponsabilidade dos outros, ainda mais quando os irresponsáveis ultrapassam qualquer limite e agem como se nada fosse.

Sinceramente penso muitas vezes se não serão os mais inteligentes, vivem a vida sem preocupações e quem se preocupa é que leva de prémio rugas, cabelos brancos, stress, ansiedade que terminam muitas vezes em problemas sérios de saúde.

Há um momento na vida em que dizemos – basta e que deixamos de pensar nos outros para pensarmos em nós, infelizmente às vezes só circunstâncias muito especiais nos levam a tomar essa atitude, uma pena que não o consigamos fazer antes.

A vida tem destas coisas mágicas, dá-nos de presente situações que nos alteram toda a nossa vida e de repente o que era importante deixa de o ser. Já havia aprendido, não sem muita resistência, que não podia levar às costas quem não se preocupa, quem procrastina e quem não se rege por padrões altos e exigentes de qualidade.

Recusei-me, lutei contra esse desleixo, contra essa falta de brio, porque sou perfeccionista e não consigo simplesmente fazer ou fazer bem, se posso fazer com excelência, mas acabei por me convencer que a excelência não é valorizada, não é remunerada e que desde que seja feito está tudo bem.

Para mim não está tudo bem, mas aprendi a lidar com isso, remar constantemente contra a maré é cansativo e cansei-me, por isso agora remo ao meu próprio ritmo mas sem chocar com as correntes dos outros.

Quando os nossos esforços não são reconhecidos o melhor que fazemos é direcioná-los para outra direção, quem fica a perder é quem tem a incapacidade de os reconhecer.

Aprender com a vida dos outros

Não devemos criticar, julgar e muito menos comentar a vida privada das pessoas com quem convivemos, é falta de respeito e falta de educação, no entanto, nem só pelas nossas vivências aprendemos, podemos e devemos aprender muito com as dos outros, observando, absorvendo e tirando as nossas conclusões.

Através da observação é fácil compreender algumas situações e perceber o porquê de algumas realidades, não existem formas certas de estar na vida, cada um vive do modo que considera melhor e mais adequado à sua personalidade e felicidade, mas independentemente do feitio de cada um há um conjunto de estratégias que facilitam a vida a qualquer pessoa e que infelizmente não vejo as pessoas a recorrerem a elas.

 

Não sou uma ditadora da organização e do planeamento, tento ser descontraída e relaxada até ao ponto que isso não me cause constrangimentos, stress e despesas desnecessárias, é precisamente neste terceiro ponto que tenho percebido que muitas pessoas falham, a falta de organização e planeamento por exemplo das compras pode elevar os gastos de uma família para o dobro.

É do conhecimento geral que os portugueses têm dificuldade em poupar, em primeiro lugar os baixos salários dificultam a poupança, mas a falta de organização e a falta de consciencialização para a importância da poupança dão uma grande ajuda, juntando a estes fatores o crédito fácil, temos uma população endividada e sem poupanças constituídas.

Decidir gastar o que se ganha por opção ou por necessidade é um direito de quem ganha o seu dinheiro, embora pessoalmente possa considerar um comportamento irresponsável, cada um vive como quer, o que me causa estranheza são as pessoas que se queixam que não conseguem poupar quando nada fazem com vista à poupança.

 

Com os anos fui aprendendo que não é preciso passar pelas situações para saber o que fazer, ouvir os conselhos de quem as viveu e observar o seu comportamento dá-nos uma ideia de como agir e de como prevenir alguns problemas.

Quando somos jovens valorizamos os sonhos, esquecendo muitas vezes o lado funcional e prático da vida, com a maturidade as prioridades invertem-se, os sonhos mudam e o simplificar passa a fazer parte do nosso quotidiano.

Já vivi o suficiente para perceber que o que nos faz falta e nos faz felizes é quase sempre o que não conseguimos comprar, é o que está próximo e o que não conseguimos muitas vezes controlar, mentiria se dissesse que isso não mudou a minha visão da vida e do mundo.

Não obstante, há mínimos de organização e planeamento para conseguirmos ter uma vida tranquila, não conseguimos evitar um sem fim de percalços e problemas, mas os que podemos prever só quem é irresponsável não previne, se podemos usar estratégias e truques para termos uma vida mais tranquila porque não fazê-lo?

 

É precisamente por ter aprendido com a vida dos outros que há muito que sei que nada nesta vida é certo, que tudo muda numa fração de segundo, que não podemos contar com o ovo no cu da galinha e que os planos devem depender apenas de nós.

Os planos são cada vez mais simples, os sonhos cada vez mais concretizáveis e a vida cada vez prática, porque com a idade os problemas que nos vão surgindo são cada vez mais e mais frequentes por isso há que simplificar ao máximo para minimizar os danos.

 

Não ignorem os conselhos dos mais velhos, há uma espécie de sabedoria que só se adquire com a idade, ouçam as opiniões quem já sabe mais e melhor, até podem não seguir as sugestões e fazer exatamente o contrário, mas ouçam primeiro, tirem as conclusões depois.