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Língua Afiada

Manchester By The Sea

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Na senda de ver todos os filmes candidatos aos Óscares este fim-de-semana foi a vez e Mancherster By The Sea.

Se La La Land foi um valente murro no estômago, Manchester By The Sea foram três e de uma só vez, três murros e uma vontade incontrolável de chorar.

A música dá intensidade, vida aos filmes e se ter uma banda sonora produzida especialmente para um filme é receita para o sucesso, não é menos recorrer aos velhos e bons clássicos, há temas tão bons e tão intensos que simplesmente têm de ser escolhidos.

 

A cena mais dramática da história tem como banda sonora o tema Adagio Per Archi E Organo In Sol Minore – The London Philharmonic Orchestra, adoro o tema, a composição por si só já me comove com a tragédia do filme é simplesmente impossível não sentir empatia, angustia e tristeza pela desgraça das personagens.

Passamos o filme todo com o coração apertado, no início não se entende bem a indiferença do personagem principal, Casey Affleck, no papel de Lee Chandler é uma incógnita que no princípio nos desperta estranheza, mas por quem vamos desenvolvendo empatia e compreensão ao longo do filme.

Evitei ler sobre o filme antes de o ver, se não o fizeram vejam o filme sem o fazerem, acredito que a história assim terá outro impacto.

 

O filme pode parecer um pouco parado, mas a história desenvolve-se ao ritmo da vida das personagens, existindo um paralelismo entre o tempo e o seu estado de espírito.

Não é um filme romântico, é um filme sobre o drama de uma família, sobre uma tragédia e sob a forma como as pessoas lidam com ela, mas é um filme sobre amor.

É um filme sobre o amor e como ele sobrevive e como ele se transforma, é acima de tudo um filme sobre a vida, sobre a desilusão, a perda e o desespero.

Se são sensíveis munam-se de lenços, porque a história toca, toca-nos bem lá no fundo.

Mais um daqueles filmes que nos deixa com um travo amargo na garganta, que nos faz refletir sobre a vida. Um filme excelente, com uma história intensa e muito bem contada.

Um justo candidato aos óscares, mas não creio que seja o vencedor, Casey Affleck melhor que Ryan Gosling mas tem outros candidatos à altura, Michelle Williams esteve bem como sempre, mas muito longe da interpretação de Viola Davis que tem uma presença mais forte em Fences.

Pode não arrecadar nenhum prémio, mas será sempre um excelente filme.

Deixo-vos o tema mais marcante do filme.

 

 

Fences – Uma pequena grande produção

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Fences o filme que junta dois colossos Denzel Washington e Viola Davis é a prova que não é preciso recursos ilimitados, uma grande produção, efeitos especiais ou uma cenografia exuberante para se fazer um grande filme.

Tudo o que é preciso é uma boa história, dois excelentes atores, diálogos bem construídos e interpretados brilhantemente.

O filme retrata a história de Troy Maxson uma antiga promessa do basebol que trabalha na recolha do lixo em Pittsburgh, durante os anos 50, e das suas complicadas relações com a esposa, o filho e os amigos.

O filme, baseado na peça de teatro homónima, é intimista e denso, explora os sentimentos, as emoções e os dilemas das personagens sem subterfúgios ou lugares comuns, vive essencialmente das excelentes interpretações de todo o elenco.

Denzel Washington fiel a si mesmo, fantástico, gigante, é incrível como consegue estar uns cinco ou mais minutos seguidos a falar sem pesar, sem cansar, sem sequer dar vontade de pestanejar.

Se Denzel Washington é bom, Viola Davis é um colosso, é impossível fazer melhor, ela é imensa, enorme, enche o ecrã, envolve-nos e ocupa-nos de compaixão e empatia, a forma como deixa a alma a descoberto, a forma como expõe os seus sentimentos é simplesmente indiscritível.

Dos fimes nomeados apenas vi La La Land e Fences, gosto muito do Ryan Gosling mas Denzel Washington em confronto direto vence, Viola Davis nomeada para melhor atriz secundária sabe-se lá porquê, já que é tão ou mais principal que Denzel Washington merece ganhar sem margem de dúvidas e isto sem sequer ver as prestações das outras candidatas o óscar, porque simplesmente esteve perfeita.

Um filme a não perder.

La La Land – A cidade dos suspiros

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Queria ver La La Land desde que ouvi falar do filme, adoro os dois atores e por isso fiquei de imediato com vontade de o ver, depois de ver o trailer e conhecer os prémios que vem vindo a ganhar fiquei cada vez mais curiosa para ver a película.

Sabia que não era um filme consensual, é um musical e isso basta para que deixe de fora uma grande parte das pessoas, as muitas que não acham piada a filmes cantados e dançados.

Não sou propriamente fã do estilo, prefiro diálogos intensos, cenas mais detalhadas, mas La La Land também tem momentos fortes e diálogos profundos.

Não é um filme para todas as pessoas, é preciso alguma paciência para ultrapassar os primeiros minutos do filme até a história desenvolver e captar-nos a atenção, se conseguirem chegar até esse ponto é certo que adorarão o filme.

 

La La Land é um filme para pessoas sonhadoras, românticas e com imaginação, é uma forma diferente de contar uma história de amor, onde as cenas musicais entre os protagonistas simbolizam claramente o que se sente, o que se imagina nos momentos mais intensos do início de uma relação, quando nos estamos a apaixonar sem nos apercebermos e a nossa mente viaja aos lugares mais mágicos.

Quem nunca cantou e dançou à medida que se apaixonou, nem que fosse mentalmente, que atire a primeira pedra, é claro que não andamos a cantar e a dançar na rua, mas só e apenas porque não o sabemos fazer como o Ryan e a Emma.

O filme é bonito, alegre e triste e consegue relatar de forma elegante, simultaneamente descontraída e intensa a dificuldade entre escolher o que nos faz felizes ou ficar com quem nos faz felizes.

A vida não é um sonho, muito menos em Hollywood, terra onde existem muitos La La La, mas onde esses La La La não suficientes para encontrar a felicidade.

 

Spoiller Allert

O filme é também um valente murro no estômago, é um acordar para a realidade, nunca conheci forma mais bonita de apresentar um futuro alternativo, em demonstrar em como um encontro, uma simples escolha determina todo o nosso futuro.

A música do filme, que é simplesmente inebriante, faz-nos viajar, faz-nos calçar os seus sapatos e sentir todas as emoções.

Aquela última troca de olhares faz rachar até o coração feito da pedra mais dura, afinal existem amores para sempre, só que nem sempre ficam juntos para sempre.

Não imagino o que seja viver com essa sensação, mas sei que há quem viva com ela todos os dias, acredito que a essas pessoas o filme lhes tire o sono e as faça questionar toda a sua vida e decisões, talvez por isso as reações ao filme sejam tão intensas.

 

 

Os atores tiveram atuações irrepreensíveis, a banda sonora é fantástica, a canção principal é arrebatadamente linda, uma nota para o guarda-roupa que é soberbo, a realização é espetacular.

Para quem diz que La La Land é o queridinho de Hollywood por homenagear velhos clássicos está a ser injusto, La La Land é mesmo bom porque tem todos os ingredientes que fazem um bom filme, excelentes atores, um argumento espetacular, uma realização exemplar e acima de tudo tem a capacidade de nos deixar a pensar, de nos deixar em suspenso por algum tempo, ficamos inertes a absorver a história, aquele final é simplesmente assombroso e é isso que faz de La La Land um grande filme.

 

Uma boa sugestão para o Dia dos Namorados, mas preparem-se porque as mulheres (quase todas) ficarão a suspirar com o filme.

 

Ainda não vi os restantes filmes nomeados, mas este é claramente um sério candidato, não sei se ganhará os prémios de melhor filme e de melhores atores, mas as categorias técnicas dificilmente alguém lhas rouba.

E com La La Land está aberta a época oficial da visualização de todos os filmes candidatos aos Óscares, mais opiniões em breve.

 

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