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Língua Afiada

Contrastes de velocidades em período de férias

Em véspera do período de férias mais apetecível, ou mais exigido, dos portugueses há um contraste desconcertante entre quem se prepara para entrar de férias e quem regressa de férias e quem ainda tem de esperar para as gozar.

Enquanto uns se desligam lentamente do trabalho, adiam tarefas e empurram com a barriga decisões, outros desdobram-se para ter em dia todo o trabalho, para não ficar com pendentes e evitar ao máximo as surpresas durante a ausência dos colegas.

Sinceramente nunca entendi este desligar precoce, para mim as vésperas de férias são sempre complicadas, com imensos assuntos a resolver e imensas indicações a dar, que envolvem listas das tarefas que os colegas têm de tratar e pontos de situação para que não existam dúvidas, o que lhes facilitará o trabalho a eles e as férias a mim, pois nem eles gostam de me incomodar, nem eu de ser incomodada.

Com algum esforço extra antes do merecido descanso é possível evitarem-se constrangimentos, é precisamente nestas situações que conseguimos avaliar a qualidade, a responsabilidade e o profissionalismo dos nossos colegas, infelizmente nem sempre a avaliação é positiva, já que o egoísmo de uns prejudica a responsabilidade de outros.

O mesmo se passa quando se pede para resolver assuntos perto do horário de saída, uns acolhem o pedido e tentam ao máximo ajudar para que o assunto não fique pendente para o dia seguinte, outros respondem imediatamente que não podem, mesmo que não demore mais de dois minutos a tratar da questão.

Este desligar e este desleixo não ajudam em nada à produtividade das empresas, não adianta trabalhar 8 horas se efetivamente não rendemos durante esse período, seria muito mais produtivo para todos ter um horário mais curto, durante o qual a dedicação e o foco fossem de 100%, sem cafés, conversas, distrações, pausas e outras estratégias às quais recorremos para não enlouquecermos por estarmos fechados durante 8h, sem contar o horário de almoço, no mesmo espaço.

É urgente reorganizar os horários de trabalho, mas também é urgente mudar mentalidades, quer dos empregadores, quer dos empregados.

Multas em Palma de Maiorca – Palmas para eles.

As autoridades de Palma de Maiorca declararam guerra contra o que apelidam de "turismo excessivo", que consiste em beber, nudez e comportamento anti-social.

Os comportamentos abusivos dos turistas levaram a que o Ayuntamiento de Palma aprovasse um Regulamento para o Uso Cívico dos Espaços Públicos. A partir de Setembro na ilha vai ser proibido exibir o dorso e as nádegas fora da praia, as multas podem ir até aos mil euros e o seu pagamento é exigido no imediato.

O consumo de bebidas fora de estabelecimentos comerciais passa a constituir contraordenação, aos comerciantes é proibida, entre a meia-noite e as oito da manhã, a venda de bebidas alcoólicas que não se destinem a ser consumidas no interior do estabelecimento ou na esplanada, a multa pode chegar aos três mil euros.

 

É caso para dizer palmas para Palma por terem a coragem de implementar estas medidas que com certeza espantarão parte da clientela da ilha, certamente uma clientela não muito desejada e bem acolhida pelos residentes.

Na verdade em Palma de Maiorca algumas zonas são muito mal frequentadas e pouco recomendáveis às almas mais puritanas ou sensíveis, para além de uma quantidade exagerada de pessoas alcoolizadas, cujos comportamentos deixam muito a desejar, a nudez dos turistas é absurda.

Quando se veem turistas nas ruas mais despidas que as strippers que estão à porta dos estabelecimentos de diversão noturna que promovem não é preciso dizer muito mais.

 

Magaluf, uma das zonas mais procuradas e com mais oferta turística, é caótica, uma pena porque é um local que combina uma praia bonita com oferta hoteleira acessível, mas sair à noite em Magaluf é um ato de coragem, é um local onde a degradação humana fica a olho nu e é possível ver os comportamentos mais absurdos e nojentos, desde atividade sexual na praia a vômitos e desmaios, as queimas das fitas portuguesas são programas para bebés comparadas com o cenário dantesco de Magaluf à noite.

 

A Ilha de Palma é lindíssima, vale a pena conhecer as suas belas paisagens, montanhas e vales, há uns anos estivemos cerca de duas semanas na ilha e percorremos grande parte do seu território de carro, ficámos maravilhados, não pelos locais mais conhecidos, mas pelos mais recônditos, uma pena que numa viajem idílica tenha sido possível ver tanta degradação dos turistas.

 

Espero sinceramente que esta nova lei seja aplicada à risca e que o ambiente mude, gostava muito de regressar a Magaluf, mas a uma Magaluf sem excessos, quando é preciso legislar para existir civismo é porque há muito que se caiu no ridículo.

Pode parecer exagerado não poder estar numa esplanada de calções e bikini nas férias, mas se for essa a solução para ter um ambiente descontraído mas com civismo, totalmente de acordo em fazer esse sacrifício.

Não abandone o seu animal!

 

 

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Férias dos humanos infelizmente são sinal de abandono dos animais de estimação, custa a crer que ainda existam pessoas capazes de abandonar um animal que faz parte da sua vida, mesmo que não considerem o animal um membro da família, ele faz parte da dinâmica familiar e é um ser dependente do dono para sobreviver, abandonar um animal é condená-lo a provações, dor e provavelmente à morte, o que faz dos antigos donos assassinos.

Na zona onde vivo e trabalho já é notório o abandono, junto às zonas industriais já circulam cães abandonados, todos os anos aqui na empresa aparecem dois ou três animais, esta semana apareceu uma cadelinha com coleira, felizmente que há sempre um funcionário que os acolhe, enquanto não se decide o dono vamos alimentando-os até que alguém se enternece e os leva para casa.

Já acolhemos inclusive ninhadas quer de cães, quer de gatos, já colocaram uma ninhada de cães dentro de um saco do lixo que foram resgatados pelo choro quando alguns estavam já prestes a desfalecer sem oxigénio.

A crueldade das pessoas não tem limites, é preciso ter-se um coração de pedra para tratar assim um animal, especialmente quando é “nosso”.

Só esta semana vi um cão atropelado, outro visivelmente perdido e desnorteado e outro a vaguear aqui pela empresa, possivelmente três animais abandonados cujos donos os trocaram por umas férias.

 

As pessoas têm direito a férias, mas pensem nisso antes de adotarem ou comprarem um animal, pensem na responsabilidade e na disponibilidade que eles merecem da vossa parte, se não têm possibilidades financeiras para colocar o animal num hotel e se não têm um familiar, amigo ou vizinho que posso tomar conta dele durante as vossas ausências não acolham um animal, porque um ser vivo não é descartável.

É repugnante maltratar um animal, mas abandonar os próprios animais de estimação mais do que nojento, é insano, para além de um crime é uma demonstração de falta de moral, de negligência, de irresponsabilidade, de falta de empatia e de amor.

Adoro animais, sempre tive cães e gatos na casa dos meus pais, na minha casa tenho apenas gatos porque sei que não tenho capacidade para ter um cão, um dos entraves é precisamente não ter quem cuide dele durante as férias, a minha gata entra e sai e basta alguém dar-lhe água e comida na nossa ausência, um cão implicaria outros cuidados.

Pensem bem antes de acolherem um animal se não têm o carácter e a dedicação que são necessárias para cuidar dele, acreditem ele fica melhor sem a vossa companhia.