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Língua Afiada

A culpa é sempre da mãe…

Se há estigma que nunca compreenderei e contra o qual sempre lutarei é o de as mulheres atacarem gratuitamente outras mulheres.

A falta de empatia, solidariedade e ajuda que algumas mulheres demonstram para com os seus pares é brutalmente aflitiva e revoltante, especialmente quando o alvo do escárnio e análise é uma recém-mamã cheia de dúvidas e inseguranças.

Comparações, julgamentos, suposições e ataques dispensam-se, o que precisamos é de carinho, compreensão, mimo, incentivo e conselhos práticos e relevantes.

 

Cada bebé é um bebé, não têm manual de instruções, não há poções mágicas, não há mezinhas e não há milagres, cada bebé tem o seu desenvolvimento e cada bebé reage e adapta-se à nova realidade de forma diferente.

Os bebés choram, choram porque estão desconfortáveis, mas esse desconforto nem sempre é fome, frio e fralda suja, podem apenas querer conforto, proximidade, carinho, calor, miminho, é por isso que não se deve negar colo a um bebé.

- Ah depois ela habitua-se! – Ah depois não quer outra coisa! – Ah depois não vais conseguir fazer nada, vais andar sempre com ela no colo! – Ah se habituar-se a adormecer no colo, depois não adormece sozinha!

Tretas! Tudo tretas! E sabem que mais!? Se não pegarmos ao colo um bebé, vamos dar colo a quem? A um adolescente de 15 anos? Carregar 40kg não é propriamente fácil.

 

Os bebés têm cólicas, alguns, nem todos felizmente, e uns têm mais do que outros, é uma fase complicada, é preciso muita paciência, muito amor e muita dedicação, não é fácil, é muito duro, mas é apenas uma fase e nós como pais temos obrigação de estar à altura dela, se não temos paciência para cólicas, como seremos capazes de enfrentar uma doença por exemplo?

A grande questão é que os pais estão à altura, as pessoas é que por vezes testam a sua paciência e a sua sanidade, isto de apontar o dedo a quem tem privação de sono é bastante perigoso.

A minha bebé enquanto teve cólicas teve um aumento de peso estável, mas manteve-se magra, um drama, porque o que é giro é ver bebés rechonchudos, entendo, mas nem todos são assim. O que não entendo é as pessoas questionarem os pais e até os médicos, entra aqui outro estigma contra o qual é preciso lutar, achar que o leite materno não é suficiente para o bebé.

- O leite é fraco! O leite não presta!

Por sorte as recém-mamãs ficam como anestesiadas, pelo menos eu fiquei, porque se não tivesse ficado as coisas tinham azedado.

 

Esta mania de culpar mãe por tudo, além de parva é perigosa, porque dizer a uma mãe que está a errar causa-lhe insegurança e pode induzi-la em erro. Aqui importa confiar no instinto e nos profissionais de saúde, nunca me esquecerei das palavras da pediatra – Ela dorme bem, não dorme? Já viu alguém dormir de barriga vazia?

Supostamente o meu leite não era suficiente, porque tinha de lhe dar de duas em duas horas e não de três em três como as alminhas acham que tem de ser, porque não estava gorda, porque chorava…

A minha filha tem o mau feitio da mãe e por isso assim que deixou de sofrer de cólicas desatou a engordar e passou a ostentar umas belas regueifas, só para provar que o leitinho da mãe que ela tanto adora é mais do que suficiente.

Infelizmente muitas pessoas acham que só o que é caro é que é bom e como leite materno é gratuito não pode ser melhor do que o leite adaptado, até o nome diz tudo, adaptado, teve de ser ajustado para dar a bebés, não é o alimento ideal.

A todas mães, especialmente às mais recentes, e a todas as que ainda serão mães deixo-vos um conselho, confiem no vosso instinto, confiem nos profissionais de saúde, se tiverem dúvidas é eles que devem recorrer, e não vos deixem afetar pelas vozes que só falam para não estarem caladas.

Em relação ao colo, dei e dou muito colo à minha bebé e como se eu não a “estragasse” o suficiente o pai faz o mesmo, há momentos em que quase a sufocamos de tantos beijos. Adormece bem sozinha, mas às vezes quer adormecer no colo porque tem saudades ou porque está com dificuldade em adormecer.

Não é uma birrenta, pelo contrário, ainda não tem seis meses e abraça-nos, desfaz-se a rir quando lhe dá-mos mimo, faz festinhas quando alguém a pega ao colo e já quer atirar e dar beijos (tenta comer-nos) porque sabe que é uma demonstração de carinho. É um doce. Nunca se dá mimo a mais, carinho e amor nunca pecam por excesso, apenas por defeito.

Não! A culpa não é da mãe, a culpa não é de ninguém, são apenas bebés a serem bebés.

 

 

 

 

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