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Língua Afiada

As Capazes e as utopias

As Capazes estão constantemente envoltas em polémica, não é por uma ou por duas vezes que estalam nas redes sociais opiniões pouco abonatórias sobre os artigos e declarações do site Capazes e das suas representantes.

O princípio da associação é louvável, a forma como se propõem a atingir a sua missão e objetivos é que é bastante questionável.

 

“É tempo de retirar aos opressores o poder de oprimir. E, na democracia, o poder se exerce pelo voto. A suspensão temporária do poder do voto dos homens brancos é a única chance de produzir uma real alteração no mundo no espaço de apenas uma geração. Todos os dados demonstram que apenas 20 anos seria o suficiente, e os benefícios seriam universais, e não apenas para mulheres.”

 

Portanto a solução para a igualdade entre homens e mulheres seria a suspensão temporária do direito de voto dos homens brancos, brancos porque supostamente é neles que se concentra do poder das decisões.

A solução apresentada para a igualdade de direitos é criar uma desigualdade?

E a solução para acabar como o racismo? Será suspender os votos dos racistas ou de uma raça em particular?

E a solução para acabar com a homofobia? Será suspender os votos de todos os heterossexuais?

 

As mulheres têm de entender que o problema das desigualdades entre homens e mulheres começa nas próprias mulheres, somos nós que nos atacamos constantemente umas às outras para gáudio dos homens.

Tantos anos de evolução e a competição pelo macho alfa continua a ser pré-histórica.

Exemplos não faltam:

 

A mulher encontra o marido com a amante, quem é que ataca? A amante.

 

Uma mulher quase inconsciente devido ao álcool é atacada por um bando de homens numa festa académica, qual a resposta típica da sociedade? Ela se estivesse em casa ninguém a atacava.

 

Uma mulher dorme com vários homens sem complexos, o que dizem dela? Que é uma vadia irresponsável. O que dizem de um homem que dorme com muitas mulheres? É o rei lá do sítio.

 

Ouço comentários destes todos os dias, em todos os contextos, de mulheres, quando as mulheres colocam nas mulheres a culpa, quando as mulheres se destratam e culpabilizam umas às outras isto nunca mudará.

Durante anos e anos a educação dos filhos coube quase exclusivamente às mulheres, o que é que elas lhes ensinaram? A serem machistas.

 

Neste momento a desigualdade que existe é devido à cultura, porque perante a lei, somos iguais em quase todos os aspetos, e é nesses aspetos que ainda não são iguais que se devia trabalhar. Por exemplo por que motivo o homem tem 180 dias para recasar e a mulher só o pode fazer ao fim de 300 dias?

 

Para erradicar o machismo e outras formas de preconceito e discriminação é preciso apostar na educação, pessoalmente estou constantemente a dar palestras a amigos e a conhecidos sobre a perversidade e a falta de formação que alguns comentários revelam.

Já me vi rodeada de mulheres que difamavam outras pelas suas opções de relacionamentos, como se o que elas fizessem com o seu corpo interferisse com o delas, tive um ataque de raiva, como era possível mulheres feitas, inteligentes, uma delas feminista na adolescência, estarem agora, depois de casadas com um relacionamento estável, a fazer juízos de valor de mulheres que nem sequer conhecem só porque decidiram dormir com mais homens do que aqueles que elas julgam ser aconselhável.

 

Nos dias de hoje pais de adolescentes dizem que é diferente ter uma filha ou um filho que as liberdades devem ser diferentes?

Qual liberdade? Não se coloca em questão nenhuma liberdade, o que se coloca em causa é a educação, crianças e adolescentes devem ser consciencializados das repercussões das suas ações, sejam elas ficar alcoolizados ou ter relações sexuais.

A diferença entre homens e mulheres está na cabeça das pessoas, infelizmente começa na cabeça das mulheres que deveriam ser as primeiras a hastear a bandeira da igualdade.

 

Somos diferentes, mas os nossos direitos, oportunidades são iguais.

Não vamos agora usar a prepotência, a arrogância, a superioridade e a desigualdade como usaram os homens na conceção utópica que isso resolveria o problema da desigualdade entre homens e mulheres.

 

Somos diferentes e é a lutar com as nossas armas diferentes que vamos fazer a diferença para criar igualdade.

10 comentários

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    Psicogata 26.05.2017 09:14

    Se é necessária uma revisão constitucional é mais complicado, mas a explicação que dão não faz sentido, porque há mulheres casadas que já não estão com os maridos e têm filhos, os filhos são independentes do casamento, isso de ser automaticamente do marido é um resquício da autoridade que o marido exercia sobre a mulher.
    Nos dias de hoje não faz qualquer sentido.
    Tens razão falta muito sentido de comunidade, não podemos lutar pelos direitos de uns, retirando os direitos dos outros, não faz sentido nenhum.
    O site é de um conjunto de personalidades é de uma associação cuja finalidade é louvável, já a forma como o querem fazer deixa muito a desejar.
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    Andy Bloig 26.05.2017 10:09

    Quando está "separadas de facto" é permitido o registo. Se for antes dos 2 anos da separação e que não tenham desfeito o casamento civil, é necessária a intervenção de um tribunal. (Normalmente o, ainda, marido prescinde desse direito e o registo é feito pelo actual companheiro.) São questões legais que tem ramificações gigantes. Uma delas já foi eliminada com a alteração fiscal de cada contribuinte passar a ser individual e deixar de existir a obrigação de casados terem de entregar o IRS em conjunto. (Mesmo assim, o dependente só pode ser declarado pelos pais registados.) Essa era outra que ainda não permitia a inclusão de um filho extra-casamento, pois sendo casados e o filho não estar registado pelos 2 ou existir uma decisão judicial sobre a guarda e dependência da criança, não podia ser declarado como dependente. (É o mesmo caso de adopções, que só quando o registo é feito, é que a criança passa a ser dependente.)
    Para o resolverem é preciso mexer em muitas leis, porque basta uma ficar por lá para gerar contestações judiciais. Daí ser algo que demora bastante tempo a resolver e precisa de muita discussão nos bastidores.

    Cada vez mais se esquece que uma comunidade não é um bando de carneiros a seguir o tipo que vai à frente com os chifres no ar... enquanto isso não mudar, vamos continuar na mesma.

    Já tinha ouvido falar disso mas, nunca liguei a essas coisas. Costumam ser "operações de charme"...
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    Psicogata 26.05.2017 10:16

    É realmente uma questão complicada, mas quanto mais me falas das leis envolvidas mais atónita fico!
    Mas com a lentidão dos processos em Portugal isso é coisa para demorar longos anos.

    Odeio o efeito manada, mas ele é cada vez mais visível, as pessoas querem ter uma opinião e como dá trabalho informarem-se e perceber dos assuntos seguem as modas e as pessoas da moda, nos casos mais absurdos seguem a primeira pessoa que comenta e depois a carneirada vai toda atrás.
    Esta semana falei dos comentários das notícias, é impressionante as parvoíces que se leem e os insultos que as pessoas escrevem.
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    Andy Bloig 26.05.2017 10:29

    Infelizmente o que parece fácil de fazer tem muitas ramificações que é preciso resolver. Quando fores tratar da papelada para o teu casamento, não se assustem quando vos começarem a dizer o que vai mudar e o que precisam de fazer para irem assinar um papelinho que tem 4 cópias.
    Para veres como é complicado, basta dizer-te que desde 2015 que é permitido aos casais entregar o IRS como querendo tributação individual mas, ainda este ano, os filhos eram 1 só peça. Por isso, pai e mãe podiam entregar o IRS separados mas, só 1 deles podia declarar o filho. Porque as despesas não podiam ser partilhadas. Um "lapso" da lei original que deve ficar resolvido na próxima actualização do código de IRS.

    As pessoas andam a "cansar-se demasiado para pensar". Vale mais apanhar o comboio de alguém que arrancou na frente. É por isso que se encontram tantas barbaridades e se fosse só nos comentários até nem era mau... o problema é que não é só nos comentários.
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    Psicogata 26.05.2017 10:38

    Já passei por isso, é só burocracia, aliás é tanta que desistimos do regime total de separação de bens.

    Sim, o problema é que são notícias, crónicas, artigos de opinião com barbaridades e parece que ninguém está preocupado com isso.
    Aliás às vezes já é difícil perceber o que é verdade e o que é inventado.
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    Andy Bloig 26.05.2017 10:46

    É esse o problema. Agora toda a gente acha que fazendo uma simples procura na net, ficam informados... até ao dia em que tem de tratar das coisas pelas próprias mãos.
    Não precisas de voltar muito atrás para veres isso. A situação do IMI sobre a "exposição solar" que foi algo que já existe vai para 9 anos e que os "especialistas" andaram por aí a anunciar que era uma novidade "brutal" ... onde dezenas de deputados disseram o mesmo no plenário da Assembleia da República, incluindo 2 líderes das bancadas parlamentares e a líder de um partido que esteve no governo e que realizou alterações a essa legislação...
    Se mesmo os nossos representantes não sabem o que lá estão a fazer é normal que se encontrem 2 peças noticiosas sobre o mesmo assunto a apontarem para resultados opostos.
    Depois, cada um "puxa a brasa à sua sardinha" e o resto apanha o comboio que vir passar.
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    Psicogata 26.05.2017 10:56

    É mesmo isso apanham o comboio que virem passar.
    Eu pensei que a lei era recente, não se falava de outra coisa.

    Acho que a comunicação social quando não temas polémicos, escava até encontrar um.
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    Andy Bloig 26.05.2017 11:29

    Pensaste tu e para aí 9 em cada 10 portugueses. Só que bastava aos jornalistas (e aos outros que mandaram as notícias) notarem que a legislação alterava uma alínea já existente. Como é que se altera algo que não existe?

    Não foi só esse. Foi o caso dos helicópteros para apagar fogos, foi o caso do imposto sobre património valioso (que estava no Imposto de Selo e foi transferido para o Imposto sobre imóveis) e outros. Criam-se ondas que são dirigidas por pessoas que mexem os cordelinhos com outros objectivos e levam os "impulsionadores de opinião pública" a apanhar aquela onda sem saber para onde estão a ir. Como a memória é curta, hoje indigna-se, amanhã já não está indignado e jura que sempre apoiou a ideia, apesar de ser "mal compreendido".

    Esse espaço parece ser do mesmo género. Acaba por puxar as pessoas para algo que é para se deixarem levar em vez de pensar.
    (Quando li, na diagonal, lembrei-me da Manuela Ferreira Leite, que em 2011 disse "Precisamos de suspender a democracia por 6 meses para colocar a casa em ordem" e que teve tantos a apoiar a ideia, que fugiu para Espanha e não voltou a falar em público até aquilo ser esquecido, porque não se lembrou que usar a ironia de comentadora iria ser entendido como sugestão de alguém que já conhecia o que a casa gasta.)
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    Psicogata 26.05.2017 11:35

    Isso de suspender a democracia é o que o BE e PCP parecem querer fazer às vezes com a insistência de ir buscar dinheiro às grandes fortunas.
    É mais fácil do que estar a investigar o enriquecimento ilícito.
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