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Língua Afiada

As meninas são diferentes dos meninos e depois?

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A Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, por recomendação do Ministro-adjunto, recomendou a retirada dos livros de atividades da Porto Editora. E a editora anunciou que já suspendeu a venda.

 

Mais uma polémica, mais uma guerra, mais uma parvoíce se analisarmos bem as coisas.

 

Há uma diferença gigante entre associar o cor-de-rosa a menina e proibir um menino de gostar de cor-de-rosa.

Há uma diferença gigante entre associar bonecas a meninas e proibir meninos de brincar com bonecas.

Há uma diferença gigante entre associar carros e bolas a meninos e proibir meninas de brincas com carros e bolas.

 

As meninas e os meninos são diferentes, nascem diferentes e serão sempre diferentes e isso não tem nada a ver com a sua orientação sexual, pois conheço muitos homesexuais homens que tem hobbies associados aos homens e mulheres homesexuais mais femininas e bonecas que muitas mulheres heterossexuais.

Assumir que todos os homesexuais gostam dos hobbies do sexo oposto, isso sim é discriminação.

 

Depois de ver as imagens da polémica, há realmente uma tendência para associarem a menina às tarefas domésticas e o menino à aventura, não é novidade sempre foi assim, mas isso não me impediu de ser maria-rapaz e que o meu irmão brincasse com tachos e talheres sempre que lhe apetecesse, o que impede é a mentalidade dos pais.

Quanto aos graus de dificuldade, segundo a análise dos especialistas não esta patente em todos os exercícios, uns são mais fáceis no livro das meninas, outros são mais fáceis no livro dos meninos, vai variando.

Concordo que associarem sempre as meninas às tarefas domésticas pode funcionar como uma pressão social para que as aceitem como sendo da sua competência, devem-se evitar, pois o trabalho relacionado com a casa deve ser partilhado.

 

A Porto Editora, que não precisa de defesa, não inventou nada apenas recorreu à técnica de vendas mais antiga de sempre, adequar o produto ao consumidor, em vez de criar um livro para crianças, segmentou-o por sexo, para que fosse mais apelativo, as meninas gostam de princesas e os meninos gostam de robots, é simples. Então qual foi o erro?

Não criar um terceiro livro para quem não gostasse de nenhum dos dois em amarelo ou verde.

 

Será que este caminho que queremos seguir?

Indiferenciação dos sexos?

 

Não creio, existiram e sempre existirão produtos direcionados às mulheres e produtos direcionados aos homens, somos diferentes e isso é bom.

Na minha opinião em vez de eliminarem os livros deveriam corrigi-los, mas não deveriam deixar de ter livros diferentes para meninas e para meninos, se as crianças são diferentes e gostam de coisas distintas faz todo o sentido cativa-las com exercícios de temas que gostam.

A parvoíce desta polémica reside na indignação que gerou, num país onde a desigualdade entre homens e mulheres está patente nas coisas mais básicas, a grande notícia da semana é sobre livros de atividades discriminatórios?

Poupem-me! Perdoem-me a expressão banal, mas não me ocorre mais nada.

Poupem-me a chiliques e ataques feministas*.

Querem lutar pela igualdade dos géneros? Comecem pelas coisas mais básicas e essenciais:

Ordenados! Não se justifica que mulheres e homens nas mesmas funções recebam ordenados diferentes, assim como não se justifica que lugares de topo sejam constantemente vedados às mulheres.

Licença de paternidade nos mesmos termos que a de maternidade, talvez assim as empresas deixem de excluir e pressionar as mulheres que pretendem ser mães.

Estão preocupados com a cor-de-rosa e com o azul e não se preocupam com o que realmente é importante, criar condições de base para que as mulheres sejam vistas e respeitadas da mesma forma que os homens.

 

 

Este tema lembrou-me que tenho este conto para terminar.

* "Ataques feministas" neste contexto referem-se ao exagero que por vezes se comentem em nome do feminismo que só prejudicam a nobre causa da igualdade de oportunidades e tratamento do sexo feminino.

10 comentários

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    Psicogata 24.08.2017 11:30

    Sim e depois existem exercícios muito mais difíceis para a menina do que para o menino, não se pode julgar um livro inteiro por um exercício.
    Como refiro no texto não concordo com a associação das tarefas domésticas, deveriam corrigir isso, quanto ao resto as meninas, no geral, gostam de coisas distintas dos meninos, não vejo qual o problema de um labirinto ter uma coroa e outro ter um barco.
  • As meninas gostam de coisas diferentes ou são ensinadas, condicionadas a gostar de coisas diferentes?
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    Psicogata 24.08.2017 11:37

    Nascem a gostar de coisas diferentes e com apetências diferentes, são os especialistas que dizem, mas isso não invalida que meninas brinquem com brinquedos de menino e vice-versa.
    Mas basta ver a reação das crianças aos brinquedos para perceber a sua inclinação, um rapaz de 1 ano fica maluco quando vê uma mota, uma menina exatamente da mesma idade não lhe passa bola, em alguma coisa devem ser diferentes.
    Até na escolha dos desenhos animados se notam diferenças.
  • A investigação em neuro ciência diz o contrário. Que os cérebros são iguais. É a sociedade que desde o berço promove as diferenças. O meu filho tem dois meses e já tem duas bolas, nenhuma amiga minha com filhas recebeu bolas de prenda.
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    Psicogata 24.08.2017 11:54

    Não sei se há consenso científico, do que li são diferentes nas reações, a nível de cérebro não vale a pena falar, nem os cientistas sabem para que é que serve uma grande parte dele.
    Se os estimulamos de formas diferentes? É verdade, embora a maior parte dos brinquedos para recém-nascidos sejam unissexo, podendo variar apenas a cor, mais tarde oferecemos brinquedos de acordo com o sexo, mas isso nunca impediu ninguém de gostar de outro tipo de brinquedos, os pais muitas vezes é que proíbem os filhos, especialmente os rapazes, de brincarem com “brinquedos de meninas”, mas a partir de certa idade eles próprios escolhem os brinquedos e as atividades.
  • A maior parte dos estudos está a focar-se exactamente no papel da sociedade no desenvolvimento de funções neurais. O mais determinante nas capacidades até é o contexto sócio cultural, a família e a sociedade. Nos recém nascidos há sempre escolha na cor, e se isso fosse verdade não havia rótulos de Maria rapaz e stress quando um rapaz pega numa barbie com toda a gente a tentar moldar estes comportamentos. São exercício como estes que vão moldando subliminarmente as mentes e são absolutamente desnecessárias e completamente censurável distinções entre sexo na escola.
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    Psicogata 24.08.2017 12:25

    Este não é um manual escolar, é um livro de atividades, nos livros escolares não existe esta distinção e ainda bem.
    Não concordo com algum conteúdo dos livros, mas não vejo a necessidade de tanta polémica, se não são obrigatórios.

    Existirão sempre diferenças entre os sexos porque somos diferentes, e na minha opinião essas diferenças são benéficas, o problema não está nos estímulos, mas sim nos estigmas e isso faz parte de mentalidade das pessoas.
    O que é parvoíce é fazer um alarme por causa de um livro quando se passam todos os dias coisas gravíssimas que discriminação o sexo feminino, isso sim deveria ser discussão e causar polémica.
    Isto? É um detalhe que desaparecerá naturalmente quando se mudarem as grandes coisas, as que têm o poder de mudar as pessoas.

  • Chamar à atenção ou indignar sobre uma coisa não invalida que o faça sobre muitas outras. Aliás se não houvesse esta chamada de atenção não se produzia mudança. São muitas pequenas coisas que se traduzem em alterações de comportamento.
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    Psicogata 24.08.2017 12:49

    Engraçado não vejo esta indignação sobre os ordenados... gostava mesmo de ver.
    Sei que há quem reclame e faça por mudar a realidade. O que me irrita são os indignados de serviço, ansiosos por uma bandeira para defender, quando depois no seu dia-a-dia são machistas e não se preocupam com as coisas mais básicas.
    Bem sei que não é o teu caso, mas deves conhecer pessoas assim também.
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