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Língua Afiada

Cidadão ou Cidadania? Masculino ou feminino?

O Bloco de Esquerda apresentou projeto no parlamento para alterar nome do Cartão de Cidadão para Cartão de Cidadania.

Segundo os mesmos o atual nome – Cidadão, não respeita a igualdade do género porque refere-se, segundo eles, só a homens.

Eu acho que eles deveriam ir mais longe e abolir o feminino e o masculino de todas as palavras, reformular toda a língua portuguesa e não haveriam mais descriminações.

Já agora aproveitem e eliminem o novo acordo ortográfico também.

 

Eu quanto a vocês não sei, mas a mim sempre me ensinaram que quando nos estamos a referir a um conjunto ou a algo geral devemos usar a palavra no masculino.

É verdade que existem algumas palavras que não têm definição de género mas o género acaba por ser definido pelos pronomes que as antecedem.

Dizemos utente, palavra sem género, mas quando usamos a palavra na generalidade usamos sempre o utente, os utentes.

 

Anda por aí um texto nos centros de saúde que diz:

“Os direitos do utente” – Descriminação e então as utentes não têm direitos?

O mesmo se passa com cliente, parece que só os homens são clientes.

 

Uma palavra que se usa muito é utilizador, mas é melhor deixarmos de usar porque é descriminação.

O utilizador poderá bla bla

A pessoa que usa poderá bla bla

Muito mais bonita a segunda opção.

Ah espera a pessoa será feminino?

 

Acho que devíamos reformular toda a língua portuguesa, já que ela maioritariamente favorece o género masculino, o que é perfeitamente natural dado que descende do galego-português que derivou para o português depois de, em 1113, se ter formado o reinado de Portugal, numa altura em que eram os homens a governar e a mandar.

Resumindo toda a língua descende de uma linhagem machista e discriminatória, é essa a sua essência, não temos outra solução se não rever toda a nossa língua para que deixe de ser discriminatória em relação ao género.

 

O que os deputados do Bloco de Esquerda parecem ter esquecido é que cidadania é um substantivo feminino, será que não é uma descriminação para os homens?

 

Só me ocorre um pensamento.

Com tanta descriminação contra o género feminino os deputados do BE focam esforços nisto?

 Não faltará muito para que quando se fale em descriminação de género as pessoas desatem a rir.

 

Por falar nisto tenho de terminar a história ou estória do Catarina.

 

8 comentários

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    Psicogata 15.04.2016 09:38

    Concordo inteiramente contigo, para além de não ser uma prioridade acaba por ser uma parvoíce porque a nossa língua é assim, vão alterar toda a linguagem?
    Já a igualdade no trabalho é uma prioridade, mas como dá muito trabalho a elaborar um projecto de lei dessa natureza preferem debruçar-se sobre temas mais simples.
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    Heidiland 15.04.2016 11:19

    Na minha opinião eles querem apenas colocar mais um tema sobre a mesa: a discriminação linguistica. Não viste que o PAN também quer alterar a lei sobre a licença de maternidade. Há temas mais importantes (falsos recibos verdes, discriminação no trabalho, igualdade de salários e penalização das empresas que despesas funcionárias porque estavam grávidas ou a pensar engravidar) e que merecem ser revistos antes que qualquer uma destas ideias avance.
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    Psicogata 15.04.2016 11:34

    Eu defendo a igualdade acima de tudo, sempre defendi e já perdi a conta à quantidade de vezes em que tive discussões com outras mulheres por causa disso, porque se há coisa que me tira do sério são mulheres machistas.
    Mas a descriminação linguística é um tema complicadíssimo , se um acordo ortográfico levantou as questões que levantou, imagina agora mexer com toda a construção de uma língua.
    Além disso, não é a língua que dita se somos ou não uma sociedade machista, podem alterar a língua se não alterarem mentalidades fica tudo na mesma.
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    Heidiland 15.04.2016 11:49

    Concordo plenamente contigo! Primeiro temos que mudar mentalidades e logo se vê a questão da língua. Enquanto tivermos mães e avós a distinguir as meninas dos meninos e empresas a despedir mulheres por quererem constituir família, o país não anda para a frente.
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    Psicogata 15.04.2016 11:51

    Acho que o caminho é por aí. Igualdade de direitos e oportunidades.
    Eu não venho trabalhar de saia por causa de alguns homens babões e vou preocupar-me com o nome de um cartão?
    Faz algum sentido uma mulher sentir-se constrangida no trabalho?
    Poupem-me!
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    Heidiland 15.04.2016 11:58

    Claro que não faz, mas as mentalidades ainda não mudaram.

    P.s.:Sobre o comentário feito pela Magda sobre o BE ter demasiado tempo livre e deveria ir para casa arrumar e limpar a casa. Cuidado com este tipo de observações, não concordei com a proposta, mas não ofendo ninguém para justificar as minhas ideias.
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    Psicogata 15.04.2016 12:08

    Não foi a melhor resposta é certo e um pouco machista até.
    Voltamos às linhas que separam.
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