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Língua Afiada

Ciúmes familiares

Ciúmes entre um casal são quase impossíveis de evitar, há sempre uma altura em que por algum motivo sejam racionais ou não, eles existem, podem ser mínimos, tão passageiros que até nos esquecemos que os sentimos, mas atire a primeira pedra quem nunca teve ciúmes na vida.

Os ciúmes entre irmãos são comuns, entre primos também, quando nasce uma nova criança na família é natural que a criança ou crianças mais velhas ressintam a repartição da atenção.

 

O que não entendo é ciúmes entre adultos, um pai ter ciúmes da relação de um tio ou de um padrinho com o seu próprio filho é só a coisa mais ridícula e imatura de todo o sempre. A pessoa pode até nem controlar o que sente, mas pode e deve controlar o que diz e o que faz, tendo em conta que afastar o filho de um tio ou padrinho prejudica mais a criança do que o tio e o padrinho.

Ciúmes entre tios pela atenção de sobrinhos é outra coisa que me causa confusão, não há motivo para que aconteça, as crianças gostam de todos, podem ter predisposição para gostar mais de determinada pessoa, mais afinidade, mas gostam de todos, deveríamos perceber por experiência própria, tenho muitos tios e tias e embora tenha uma ligação mais próxima com alguns, gosto de todos, os mais próximos gosto de uma forma e os mais distantes de outra, mas gosto inquestionavelmente de todos.

Avós com ciúmes de avós, outra situação que não se entende, os netos a menos que os avós sejam maus com eles gostam de todos, é quase como os pais, não conseguimos dizer de qual gostamos mais.

 

Existem algumas relações familiares inexplicáveis, criamos empatias com algumas pessoas que não têm uma razão racional, assim como há situações em que não conseguimos gostar dos nossos familiares como o expectável devido a quezilas, desentendimentos, maus-tratos, mas na maioria das vezes gostamos da família porque convivemos com ela, sentimo-nos apoiados, protegidos e amados e por isso retribuímos, sem pensarmos ou racionalizarmos o amor.

 

O amor multiplica-se, expande-se, é a única coisa que repartida aumenta de tamanho, custa-me ver adultos a terem ciúmes de outros adultos, ciúmes esses que não são só entre família, mas também entre amigos e colegas, ciúmes que andam ali muito próximos da inveja e por vezes até de mãos-dadas com ela.

Ultimamente tenho assistido a diversas situações de ciúmes familiares, tantas ao ponto de algumas pessoas terem receio do que fazer ou dizer tal a forma como as pessoas reagem a algumas situações.

 

Vejo cada vez mais adultos completamente imaturos, despreparados, birrentos e mimados, perdoem-me mas os filhos únicos são quase sempre os piores, por isso receio que daqui a uns anos a situação seja caótica dada a média atual de filhos por casal.

Será que os adultos seguros, coerentes, maduros, racionais e assertivos estão em extinção? Às vezes penso que sim.

2 comentários

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    Psicogata 04.04.2018 12:09

    No caso dos sobrinhos de sangue e dos outros, tenho vários de coração, por vezes a própria relação que temos com os pais influencia, mas temos de ter sempre em conta a personalidade da pessoa e a empatia que tem com a nossa.
    Não acho normal que se interfira propositadamente em relações familiares ou de amizade por ciúme, é sinal de imaturidade.
    No meu caso estava bem arranjada se fosse ciumenta, as crianças adoram o meu marido, se tivesse ciúmes dessas relações, estaria sempre frustrada e a tentar interferir, a chamar a atenção, em vez disso fico feliz por vê-lo feliz a ele e a elas e orgulhosa também.
    Fui uma criança muito mimada e centro de atenções muitas vezes, do lado materno fui durante anos a neta, a sobrinha, a prima mais nova e como era muito engraçada e rebelde tinha muita atenção, mas a minha mãe sempre me colocou as ideias no sítio, para que não criasse demasiadas expetativas, sempre soube que na vida adulta as coisas não seriam assim.
    Preocupa-me que estas novas gerações criem demasiadas expetativas e que não saibam lidar com frustrações, derrotas, que um dia percebam que não são mais especiais do que os outros e não saibam conviver com isso.
    Falei os filhos os únicos porque dos casos que conheço são os piores, claro que não serão todos assim, depende muito da educação e das experiências, mas uma criança que foi toda a vida o centro das atenções tem sem dúvida maior probabilidade de ser um adulto egoísta e ciumento.

    Que testamento :)
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