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Língua Afiada

Coisas que eu sempre quis dizer ao Pai Natal e nunca disse (M.J. Inspira #5)

Querido Pai Natal,

Gosto muito de ti. Sei que nunca exististe e quem me comprava as prendas era o meu verdadeiro pai que amo muito, muito. Sempre soube.

A minha mãe, mulher de bom senso e muito prática, viu-se obrigada a contar a verdade quando a minha irmã do alto dos seus 6 anos lhe perguntou o porquê do Pai Natal não gostar dela. A minha mãe não entendeu logo a pergunta mas ela fez questão de explicar.

A L. que se porta mal na escola, não faz os deveres de casa e é malcriada recebeu uma boneca que fala e uma bicicleta e eu que sou bem comportada, a melhor aluna da minha classe e bem-educada recebi só uma boneca.

Perante esta observação a minha mãe não esteve com meias medidas e disse-lhe que o Pai Natal não existia e que quem comprava as prendas eram os pais verdadeiros e como o pai da L. ganhava muito dinheiro podia comprar mais prendas.

A partir daí nunca mais ninguém acreditou no Pai Natal lá em casa, eu tinha 3 anos na altura e não me recordo deste episódio, foi-me relatado mais tarde quando percebi que era a única criança que não acreditava no Pai Natal e perguntei porquê.

Por isso querido Pai Natal fica lá na Lapónia com as tuas renas e deixa de criar falsas ilusões em tantas crianças que andam todo o ano a portarem-se bem e mesmo assim nunca recebem as prendas que pedem, enquanto outras mimadas e mal-educadas recebem um camião de brinquedos.

Eu até gosto da figura paternal do senhor de barbas brancas e gosto de ver a alegria das crianças quando correm para o seu colo e os berros que dão quando querem fugir, originam sempre fotos interessantes.

Mas Pai Natal para mim tens o mesmo significado que o boneco de neve - és apenas um boneco que gosto de ter a decorar.

Isto pode ser chocante para ti mas és apenas um boneco sobrevalorizado pela coca-cola que o restante comércio aproveitou.

Desculpa se te feri os sentimentos. Ah é verdade não tens sentimentos és um boneco.

Nota: São Nicolau não tenho nada contra si, aliás gosto muito da sua história.

 

M.J. a inspirar os nossos melhores pensamentos.

 

6 comentários

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    Psicogata 17.12.2015 12:26

    Acho que é muito complicado explicar a uma criança esta história dos presentes, não faz sentido nenhum.
    Eu até consigo pensar numa lista de desculpas: enganou-se, não teve tempo, para o ano ele acerta. Mas nenhuma delas é suficientemente boa para explicar a desilusão de uma criança.
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    Chic'Ana 17.12.2015 12:29

    Pois, a desilusão de uma criança é gigante!!
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    Psicogata 17.12.2015 12:30

    Por isso os meus filhos é certinho que não irão acreditar no Pai Natal ahahahah
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    Old Moralez 17.12.2015 13:43

    Mas isto é assim, a senhora dona esposa faz e desfaz sozinha da educação dos nossos futuros descendestes, ai ai ai... mas podes estar descansada, que se sair a mim, não vai pedir nada de especial e o valor nunca foi o motivo da escolha de presentes para mim em criança porque só pedia coisas baratinhas e simples, agora que sou meio crescido só olho para coisas requintadas.... que quando vejo preço penso logo que pena o Pai Natal não existir mesmo

    Ainda temos de decidir o outro assunto de acreditar ou não acreditar no a dois, ok?!
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    Psicogata 17.12.2015 14:04

    Em criança eras fácil de agradar agora é quase impossível acertar numa prenda para ti.
    Quanto ao acreditar no Pai Natal não sei se será uma decisão democrática, depois logo se vê.
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